
Se
você vai aproveitar o final de semana para entrar em contato com a natureza e
decidiu ir até uma cachoeira, uma fazenda um pouco afastada da cidade ou
qualquer outro tipo de turismo ecológico, preste atenção. Alguns carrapatos
podem transmitir uma doença chamada febre maculosa, que deve ser tratada
rapidamente. Se você for picado por um carrapato e apresentar os sintomas da
febre maculosa vá até o posto mais próximo e comunique as autoridades de saúde
competentes pela região.
A febre maculosa é uma doença transmitida pela picada de carrapatos infectados
por uma riquétsia, que é um tipo de bactéria. Mas não são todos os carrapatos
que transmitem a doença. Entretanto, em uma região com maior proliferação de
carrapatos, aumentam as chances da existência de carrapatos infectados. Essa
bactéria vive em roedores como a capivara, e também em gambás, coelhos,
cavalos, gado, cão, etc. É importante entender que você não vai pegar a doença
só por estar em contato com a natureza ou com algum desses animais. Ela só
poderá ser transmitida se você for picado pelo carrapato infectado pela
bactéria.
“Nem
todo carrapato é infectado. O fato de você achar um carrapato te picando não
quer dizer que você já está ou, necessariamente, vai pegar a febre maculosa, já
que o carrapato pode não estar infectado. Se o carrapato estiver com a
bactéria, de acordo com a literatura, quanto menos tempo ele ficar em contato
com a pele, menor será a probabilidade da pessoa pegar a doença”, reforça Dr.
Sérgio Andrade Nishioka, coordenador geral de Doenças Transmissíveis do
Ministério da Saúde.
A doença não é nova e ocorre durante todo o ano. Em todas as regiões do país há
incidência do problema, sendo as regiões Sul e Sudeste aquelas onde se
encontram os maiores números de casos.
“Os principais tipos de carrapatos que transmitem a doença, no geral, vivem em
animais silvestres. Aqui no Centro-Oeste um dos exemplos desses animais é a
capivara. Não é fundamentalmente uma doença que você vai adquirir no lar, com
os seus bichos de estimação. É uma doença que você pode pegar se for num
passeio, num ambiente onde haja muitas capivaras, por exemplo, que estejam
infectadas com a bactéria”, explica Sérgio Andrade Nishioka.
No Brasil, a febre maculosa é uma doença de notificação imediata, ou seja, nas
três esferas de governo, às autoridades de saúde deve ser sinalizadas sobre o
aparecimento do problema em até 24 horas. Entre os principais sintomas do
problema estão febre elevada, cefaleia, dores musculares intensas e/ou
prostração. Em seguida ao aparecimento desses sinais o paciente pode ainda
apresentar manchas avermelhadas, chamadas de erupções cutâneas, chamando a
atenção o envolvimento das palmas das mãos e plantas dos pés. As
manifestações dos sintomas da doença podem surgir após um período de incubação
da bactária que leva em média 7 dias, podendo variar de 2 a 15 dias.
O
tratamento precoce é essencial para evitar formas mais graves da doença, que
podem levar o paciente à morte. Todo e qualquer caso suspeito de febre maculosa
deverá ser avaliado e acompanhado por um médico. O tratamento para a
doença está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).
“É muito importante, como medida preventiva, que se a pessoa foi andar em um
lugar onde há contato com esses animais silvestres, que use métodos de proteção
para que seu corpo não entre em contato direto com o carrapato. Mesmo que tome
cuidado, verifique quando chegar dessa caminhada se não há no corpo um
carrapato aderido à pele”, reforça Sérgio.
Então fique atento e reforce o cuidado. Essas dicas podem garantir a sua
segurança contra a febre maculosa:
•
Usar roupas claras e com mangas compridas para facilitar a visualização de
carrapatos e impedir que eles entrem em contato com o seu corpo.
• Usar calças compridas, inserindo a parte inferior por dentro de botas,
preferencialmente de cano longo e vedadas com fita adesiva de dupla face também
pode ajudar a se proteger do inseto infectado.
• Examine o próprio corpo a cada três horas a fim de verificar a presença de
carrapatos. Quanto mais rápido eles forem retirados, menor a chance de
infecção.
• Não esmague o carrapato com as unhas, pois o mesmo pode liberar bactérias e
contaminar partes do corpo com lesões.
• Evite caminhar, sentar ou deitar em áreas conhecidamente infestadas por
carrapatos ou de livre circulação de animais silvestres.
Caso
você ache um carrapato na pele, tenha cuidado ao retirar o ácaro:
•
Não o esprema com as unhas e não encoste fósforo, cigarro ou agulhas.
• Para retirá-lo faça movimentos com leves torções, utilizando uma pinça, e
puxe-o.
Animais de estimação
“O Ministério da Saúde não foi notificado até o momento sobre casos de febre
maculosa em animais de estimação”, informa Simone Pereira, da Unidade de
Vigilância das Zoonoses do Ministério da Saúde. Vale mencionar a importância de
animais como o cachorro, o cavalo e a capivara no ciclo de transmissão da
doença, que, além de fonte de alimentação para os carrapatos, podem auxiliar no
deslocamento de insetos infectados e estão próximos ao homem.
Tome cuidado se levar seu bicho de estimação para o ambiente rural, num passeio
de turismo ecológico ou parques e até praças em áreas onde outros animais
silvestres tenham livre circulação.
Esses
animais podem servir de amplificadores da doença se entrarem em contato com
ambientes com carrapatos. Isso quer dizer que eles podem carregar o carrapato de
um lugar para o outro, até que esse tipo de ácaro chegue ao homem. Porém,
não são transmissores da doença.
Fique
tranquilo! O seu bicho de estimação não vai te passar a febre maculosa.
Gabi Kopko, Blog da Saúde