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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Investimentos do MCTI que induziram conexão entre institutos de pesquisa e indústria podem servir de modelo para reduzir dependência externa de IFA

Na segunda reportagem da série ‘Ciência pelo Brasil’, vamos conhecer como a estratégia adotada pelo MCTI para pesquisa e desenvolvimento de vacinas e medicamentos antivirais aproximou academia da iniciativa privada; caminho busca vencer barreiras na produção nacional de Ingrediente Farmacêuticos Ativos


Foto: Nalini Vasconcelos

Afalta de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), princípio ativo de um medicamento, durante a pandemia evidenciou a concentração mundial da produção em países como Índia e China, e a necessidade de o Brasil desenvolver um complexo industrial de saúde próprio, com capacidade para atender às necessidades nacionais.

Nesse contexto, as ações empreendidas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) deram os primeiros passos para a redução da dependência externa. “O papel do Ministério é atuar na pesquisa e desenvolvimento. Nesse processo, detectamos que havia necessidade de conectar os pesquisadores com a indústria para que saíssemos da fase de pesquisa de bancada, de laboratório, e avançássemos para os testes clínicos”, explica o coordenador-geral de Ciências da Saúde, Biotecnológicas e Agrárias, Thiago Moraes.

Ele faz uma analogia desse processo com uma corrida de revezamento com bastão. “Os institutos de pesquisa e a academia precisam passar o bastão para a indústria, para que o conhecimento científico possa se tornar um produto”, diz, tentando ilustrar a necessidade de continuidade na cadeia de desenvolvimento.

Os dados globais corroboram com esse raciocínio. O Brasil está na 13ª posição no ranking global de produção científica. No entanto, alcançou, em 2022, a 54ª posição do Global Innovation Index (GII), elaborado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO, na sigla em inglês), uma agência especializada das Nações Unidas.

Essa corrida, longa e complexa, vai além de ter infraestrutura de alta tecnologia e da formação de profissionais especializados. É preciso atender os protocolos de agências reguladoras, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde o princípio das pesquisas de desenvolvimento em locais certificados com Boas Práticas de Laboratório e Boas Práticas de Fabricação que rastreiam e controlam todos os processos.

É na solução para reduzir a diferença entre a produção acadêmica e o escalonamento industrial que a pasta ministerial está atuando. Para aproximar os setores, o MCTI investiu R$ 50 milhões, com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), na construção do Centro Nacional de Vacinas (CNVacinas) em parceria com o governo de Minas Gerais, que vai investir R$ 30 milhões. O local será um hub para o desenvolvimento de projetos de inovação nas áreas de imunizantes – incluindo novas plataformas vacinais, de kits diagnósticos e de fármacos, com foco na transferência tecnológica para empresas e instituições que atuem no mercado de saúde. Pesquisadores que trabalham com o desenvolvimento de imunizantes em todo o território nacional poderão utilizar a estrutura.

Em outra frente, a pasta investiu no desenvolvimento de medicamentos contra a Covid-19, especialmente vacinas. O MCTI aplicou recursos em dez projetos nacionais de desenvolvimento de vacinas que contemplaram 15 diferentes estratégias. Os projetos permitiram incorporar novas plataformas tecnológicas. Foram disponibilizados outros R$ 105 milhões para a realização de ensaios clínicos de Fase I e II aos projetos que receberam autorização da Anvisa. Cinco projetos foram qualificados nessa etapa e, até o momento, dois receberam autorização da Anvisa para iniciarem os ensaios clínicos: SpiN-Tec MCTI UFMG e RNA MCTI Cimatec HDT.


Para assegurar a finalização do desenvolvimento de vacinas no Brasil, os estudos clínicos de Fase III, o MCTI, em conjunto com a Finep, lançou edital em que as propostas deveriam contemplar arranjos com a participação de laboratórios farmacêuticos. As indústrias serão as responsáveis por escalonar a produção do IFA e envasar a vacina. A seleção pública viabilizou a integração entre ciência de alto padrão, já apoiada com os Institutos de Ciência e Tecnologia, e o interesse empresarial em projetos com risco tecnológico associado. As duas propostas selecionadas receberão apoio total de R$ 187,4 milhões em recursos de subvenção econômica. A farmacêutica Cristália é a parceira do Senai-Cimatec, e a Hipolabor vai produzir a SpiN-Tec.

Modelo inovador - A previsão é que a fase 3 de ensaios clínicos a SpiN-Tec MCTI UFMG seja realizada em 2024 e envolva mais de 4 mil voluntários. O laboratório Hipolabor já iniciou as adequações internas para a produção do novo fármaco. De acordo com o presidente da farmacêutica, Renato Alves, o primeiro passo envolve a estruturação da equipe para alinhar os objetivos de inovação que o novo produto impõe.

“Estamos falando de um produto totalmente inovador e precisamos alinhar a estrutura fabril à essa nova mentalidade”, comenta Alves, indicando que também serão executadas obras de adequação e aquisição de equipamentos para receber a nova tecnologia dos pesquisadores da UFMG.

Ao mencionar esse novo alinhamento, Alves recorda que a indústria farmacêutica nacional é voltada para a produção de genéricos, medicamentos cujas patentes expiraram. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), o Brasil produz apenas 5% do IFA, número que na década de 1980 estava próximo de 50%. A entidade defende que o país produza pelo menos 20% dos IFAs que consome, e estima que leve até dez anos e requeira investimentos superiores a R$ 1 bilhão.

Mas, segundo Alves, o escalonamento industrial da vacina SpiN-Tec será uma oportunidade de demonstrar que o modelo é promissor e que a indústria farmacêutica brasileira precisa inovar. “A nossa indústria está criando uma consciência de que não há outro caminho para a indústria farmacêutica brasileira, que é um dos maiores mercados do mundo de medicamentos, que não seja iniciar e trilhar esse caminho da inovação”, enfatiza.

Para ele, o modelo de arranjo institucional adotado conseguiu agrupar financiamento público, pesquisadores de reconhecida capacidade, laboratório que domina a produção de vacinas e uma indústria com experiência na produção. Com êxito na iniciativa, Alves acredita que a mesma metodologia ou semelhante possa ser adotada para o desenvolvimento de outros fármacos. “Temos todos os ingredientes dentro do país para construir uma indústria farmacêutica inovadora no Brasil. Temos uma oportunidade, que é um primeiro passo que transforme a indústria nacional”, destaca Alves sobre a necessidade de inovação.

Tecnologias internalizadas de modo mais célere - A pesquisadora Bruna Machado, coordenadora do projeto da vacina RNA MCTI Cimatec HDT, que envolve transferência de tecnologia, relata que a incorporação da plataforma tecnológica da vacina de RNA é importante para o desenvolvimento, no Brasil, de vacinas para outras doenças, como as negligenciadas, câncer e arboviroses (dengue, zika e chikungunya).

A vacina contra a Covid-19 que ela coordena carrega duas plataformas tecnológicas: o transportador lipídico (Lion), que leva o princípio ativo até as células-alvo, conferindo estabilidade; e o replicon de RNA, que além de ensinar o organismo humano a produzir a proteína do SARS-CoV-2 é auto replicável. “A dose da vacina é muito menor para provocar resposta imunológica robusta e duradoura”, explica a pesquisadora.

Os resultados do ensaio clínico de fase 1, realizado com 90 voluntários, estão em avaliação pela Anvisa. A previsão é que a fase 2 dos testes, com um grupo de 330 voluntários, se inicie em março deste ano, quando será avaliada a segurança e a imunogenicidade. A fase 3, que deve envolver 4 mil voluntários, está prevista para ser realizada em 2024 e testará uma dose de concentração escolhida na fase 2. Para essa fase, o instituto de pesquisa contará com a indústria farmacêutica Cristália, que vai escalonar a produção da vacina.

A pesquisadora afirma que o apoio recebido do MCTI para a realização dos ensaios clínicos acelerou a internalização da tecnologia e o desenvolvimento clínico. Segundo ela, o Senai-Cimatec já dispõe de capacidade de produzir em escala laboratorial os dois componentes da vacina, o repRNA e a Lion (do inglês, Lidic Inorganic Nanoparticles, que tem a função de nanocarreador), e de melhorar o IFA. Isso significa que o instituto já trabalha com novas variantes do vírus, como a produção do RNA com a variante Ômicron; realiza ensaios pré-clínicos incorporando duas variantes, a chamada vacina bivalente; e está avançando para uma vacina que combata influenza e Covid-19 ao mesmo tempo.

“Tudo isso foi passível de ser feito graças à incorporação dessa tecnologia, mesmo que em escala laboratorial. E que agora será feito em escala industrial, por meio do laboratório Cristália”, afirma Bruna.


Outro passo estratégico dado pelo MCTI para sanar gargalos tecnológicos foi a constituição da Rede Pró-IFA, uma rede nacional de pesquisa, desenvolvimento e inovação em insumos farmacêuticos. A Rede foi organizada com o objetivo de articular as instituições de pesquisas com competências complementares, fortalecendo assim os grupos de pesquisa nacionais, e, indiretamente, a indústria farmoquímica nacional. A ideia é criar um ambiente que proporcione a integração de esforços e o compartilhamento de infraestruturas para o desenvolvimento e escalonamento de IFAs.

Série ‘Ciência pelo Brasil’ - Na primeira reportagem, destacou-se os avanços proporcionados pela rede Corona-Ômica, responsável pela vigilância genômica do vírus que depositou mais de 70 mil genomas no GISAID, tornou-se referência e fomentou outras redes pelo Brasil, treinou profissionais e tem como desafios atuar no sequenciamento genômico de outros vírus e bactérias.

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

MCTI divulga calendário 2023 de cursos oferecidos pelo Centro Latino-Americano de Biotecnologia


Cursos técnicos de curta duração são gratuitos e oferecidos no Brasil, Argentina, Uruguai e Colômbia nas modalidades presencial e online

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) divulgou nesta segunda-feira (30) o calendário 2023 de cursos de curta duração oferecidos pelo Centro Latino-Americano de Biotecnologia (CABBIO). Os treinamentos, nas modalidades presencial e remoto, serão executados por instituições de ensino e pesquisa no Brasil, na Argentina, no Uruguai e na Colômbia, e têm como público prioritário estudantes em nível de pós-graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado, e profissionais da área.

A biotecnologia é considerada uma tecnologia-chave para o desenvolvimento econômico e social dos países da América Latina. Pode ser aplicada em diversos setores, como agricultura, saúde, indústria alimentícia e ambiental, entre outros,  e contribuir para a solução de problemas da região. Neste sentido, o CABBIO tem como objetivo principal contribuir na implementação de projetos de biotecnologia para o desenvolvimento socioeconômico por meio de atividades de formação de recursos humanos, pesquisa científica e tecnológica, transferência de tecnologia e promoção de parcerias entre países e instituições.

“Os cursos têm como finalidade atender às necessidades acadêmicas ou industriais, complementarmente aos programas nacionais de biotecnologia, levando em consideração os interesses mútuos dos países envolvidos. Além da formação de recursos humanos, o intercâmbio de estudantes entre os países serve como ponto de partida para o estabelecimento de novas cooperações científicas entre pesquisadores, o que, no futuro, pode resultar em novos projetos desenvolvidos a partir dos conhecimentos complementares existentes em nossas instituições”, afirma o coordenador-geral de Ciências da Saúde, Biotecnológicas e Agrárias do MCTI, e ponto focal do CABBIO no Brasil, Thiago Moraes.

Por meio dos cursos ofertados pelo Centro, mais de 5,5 mil profissionais foram capacitados. Em 2023, está prevista a realização de 16 cursos, sendo oito no Brasil. Em geral, os cursos presenciais têm duração de 40 horas/aula, sendo parte teórica e parte com atividades práticas executadas em laboratórios. Todos os cursos prevêem certificado aos participantes.

Os interessados devem ficar atentos aos critérios de seleção, às orientações e aos prazos de encerramento das inscrições.Os candidatos brasileiros selecionados para os cursos presenciais terão apoio para transporte, hospedagem e alimentação.

As informações detalhadas sobre prazos para inscrições, período de realização do curso e conteúdos abordados, bem como contatos com os coordenadores para elucidar eventuais dúvidas, estão disponíveis na plataforma do CABBIO. O interessado deverá preencher um cadastro na plataforma e se inscrever no curso de interesse.
 
Veja a seguir os prazos em que se encerram as inscrições para cada curso:

24/02/2023 - Escola de fermentações: da bancada à escala piloto. Presencial na Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ);

04/03/2023 - Modelos laboratoriais transgênicos para doenças humanas: mecanismos e cuidados em animal lab - Online ministrado pelo Instituto Superior de Ciências Biomédicas da Universidade Estadual do Ceará (UECE);

24/03/2023 - Identificação de epítopos em proteínas (Spot-Synthesis, Phage Display e Análises Bioinformáticos), síntese, encapsulamento e avaliação - Presencial no Departamento de engenharia de bioprocessos e biotecnologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR);

14/04/2023 - Ferramentas biotecnológicas para a vigilância e controle de doenças transmitidas por vetores (DTVS): um olhar sobre o potencial biotecnológico do microbioma de insetos vetores  - Presencial na Universidade de Rosário, em Bogotá, Colômbia;

05/05/2023 - Nanotecnologia aplicada à microbiologia - Presencial na Faculdade de Química da Universidade da República (UdelaR), em Montevidéu, no Uruguai;

Ainda não definido - Introdução à biofotônica: conceitos e aplicações - Online executado pelo  Instituto de Física de São Carlos, Universidade de São Paulo (IFSC/USP);

01/06/2023 - Edição de genomas bacterianos por CRISPR/CAS e suas aplicações em biotecnologia e biologia sintética - Presencial na Faculdade de Ciências Químicas da Universidade Nacional de Córdoba, em Córdoba, na Argentina;

08/06/2023 - Lectinas: ferramentas em glicobiologia - Presencial na Faculdade de Química, Universidade da República (UdelaR), em Montevidéu, no Uruguai;

06/07/2023 - Microrganismos funcionais: Aplicação tecnológica em bioprodutos de interesse da indústria alimentícia e farmacêutica - Presencial no Centro de Referencia para Lactobacilos (Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas) - CERELA/CONICET, em San Miguel de Tucumán, na Argentina;

14/07/2023 - Microbiologia sintética 2.0: criando sistemas biológicos de novo -  Presencial no Instituto de Investigaciones Biológicas Clemente Estable, em Montevidéu, no Uruguai;

14/07/2023 - 2o curso de Manipulação e avaliação de folículos pré-antrais isolados e inclusos em tecido ovariano de diferentes espécies: metodologias histológicas com uso de sondas fluorescentes e corantes vitais - Presencial no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Rio Grande (FURG);

14/07/2023 - Plataformas de expressão de proteínas recombinantes aplicadas ao estudo de venenos animais - On line e dividido em sete módulos. É executado pela Escola Superior do Instituto Butantan, em São Paulo (SP);

21/07/2023 - Abordagens em proteômica comparativa gel-free shotgun aplicada às pesquisas em biotecnologia vegetal - Presencial no Centro de Biociências e Biotecnologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), em Campos dos Goytacazes (RJ);

04/08/2023 - Fisiopatologia das interações planta-patogênio - Presencial no Instituto de Fisiologia Vegetal e Recursos Genéticos, Centro de Pesquisas Agropecuárias (IFRGGV, CIAP, INTA), em Córdoba, Argentina;  

09/09/2023 - Ferramentas de genética e genômica aplicadas à aquicultura e pesca - Presencial na Faculdade de Ciências Bioquímicas e Farmacêuticas da Universidade Nacional de Rosario, em Rosário, Argentina;

21/08/2023 - Da teoria à prática: celulose bacteriana como matriz de liberação de probióticos - Presencial na Universidade de Araraquara (UNIARA), em Araraquara (SP).

terça-feira, 13 de setembro de 2022

Desenhada para induzir imunidade contra variantes da Covid-19, vacina SpiN-Tec-MCTI-UFMG aguarda autorização para ensaios clínicos

Eficácia do imunizante em testes pré-clínicos foi demonstrada em artigo publicado pela revista Nature neste mês; pesquisa é financiada pela RedeVírus MCTI


Os resultados de eficácia em testes pré-clínicos da vacina SpiN-Tec-MCTI-UFMG, desenvolvida integralmente no Brasil e liderada pelo Centro de Tecnologia de Vacinas, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foram publicados no mês de agosto pela revista Nature Communications.  

O artigo ‘Promotion of neutralizing antibody independent immunity to wild-type and SARS-CoV-2 variants of concern using an RBD-Nucleocapsid fusion protein’, assinado por 33 pesquisadores brasileiros, demonstra que o imunizante pode induzir altas taxas de imunogenicidade que protejam contra as variantes da Covid-19, como a Delta e a Ômicron, esta registra pelo menos 30 mutações na proteína S.

A vacina recebeu a autorização da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e aguarda a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão regulador brasileiro, para iniciar os ensaios clínicos de fase 1 e 2.

O desenvolvimento da SpiN-Tec foi financiado pela RedeVírus do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), e também contou com recursos das fundações estaduais de pesquisa de Minas Gerais e de São Paulo, assim como da Prefeitura de Belo Horizonte.  Em 2020, o MCTI apoiou financeiramente, dez projetos nacionais de desenvolvimento pré-clínico de vacinas contra a Covid-19, com 15 diferentes estratégias. Cinco desses projetos, incluindo a SpiN-Tec e a Cimatec/HDT – esta se encontra em testes clínicos de fase 1-, foram selecionados para receber financiamento para as fases de ensaios clínicos 1 e 2.

O antígeno da SpiN-Tec inclui duas proteínas do vírus SARS-CoV-2. Uma é a proteína Spike (S), que está expressa na superfície do vírus, sofre constantes variações, e é alvo de anticorpos. A outra parte é o nucleocapsídeo (N), parte interna do vírus e que se mantém praticamente inalterado em relação às cepas variantes. O nucleocapsídeo é alvo dos linfócitos T - que conseguem reconhecer pequenos fragmentos das proteínas do vírus. Por isso o nome SpiN.

Para a vacina, as duas proteínas passaram por processo de fusão, por meio de manipulação gênica (biologia molecular), e formaram uma proteína artificial, que tecnicamente é denominada de quimérica.

A fusão é importante para a indústria farmacêutica, à medida que facilita, otimiza e reduz tempo e custos de produção. Além de ser uma única proteína, é produzida em bactéria, que é uma plataforma mais econômica. O Brasil possui infraestrutura para produzir vacina a partir dessa tecnologia.

Outro componente da SpiN-Tec é o adjuvante, cuja função é estimular o sistema imunológico humano que para que reconheça mais rapidamente e com mais eficiência o vírus, além de manter a resposta imune por mais tempo no organismo.

De acordo com o coordenador da pesquisa e do CT Vacinas, o imunologista Ricardo Gazzinelli, que também é pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a vacina SpiN-Tec foi pensada como dose de reforço, considerando que a maior parte da população brasileira já foi vacinada, para proteger principalmente contra as variantes do SARS-CoV2.

Diferença tecnológica - As vacinas em uso produzem anticorpos contra a proteína S, impedindo a entrada do vírus nas células, o que é conhecido como resposta humoral. Mas o surgimento de novas variantes do vírus, em especial após a Ômicron, apresentaram muitas mutações na proteína S, reduzindo o reconhecimento do antígeno. A maioria das vacinas de covid induzem os anticorpos neutralizantes, que miram o vírus e não permitem sua entrada nas células

Com o acréscimo da proteína N, que é muito imunogênica e praticamente não muda, a expectativa é que a SpiN-Tec possa reforçar a proteção contra variantes do Sars-CoV-2 com maior número de mutações na proteína S.

Segundo o pesquisador, que também é professor visitante da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, a expectativa é que a utilização de proteínas combinadas possa induzir resposta imune que combata melhor as variantes. Os testes prévios, que incluíram aplicação em células de pessoas convalescentes e vacinadas, indicaram que reagem positivamente com a SpiN-Tec.

No artigo da revista Nature Communications, os pesquisadores apontam que essa vacina poderia ser utilizada preferencialmente para indivíduos com morbidades que afetam as respostas de anticorpos, bem como por crianças.

O protocolo para os ensaios clínicos de fase 1 e 2 está pronto e pode ser iniciado imediatamente após a autorização da Anvisa. De acordo com o coordenador, a fase 1 avaliará a segurança em humanos e selecionará uma das dosagens. Serão testadas três diferentes dosagens em voluntários de até 60 anos. A fase 2 testará a capacidade de induzir a resposta imune em humanos contra as variantes e será aplicada em voluntários incluindo pessoas acima de 60 anos.

Além da vacina para Covid-19, o CT Vacinas conduz pesquisas para outras doenças como leishmaniose, malária, doença de Chagas, e mais recentemente monkeypox. A vacina contra malária, que também conta com apoio do MCTI, está em fase mais avançada e aguarda a realização dos testes de segurança, um dos últimos pré-requisitos antes dos ensaios clínicos.

Ministério da Ciência Tecnologia e Inovações

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Brasil recebe vírus-semente para iniciar desenvolvimento de vacina contra monkeypox

Centro Tecnologia em Vacinas da UFMG recebe nesta segunda-feira (06) o Vírus Vaccínia Ankara Modificado (MVA) doado pelo Instituto Nacional de Saúde dos EU

Foto: Raphaella Dias | UFMG


Duas alíquotas-semente do Vírus Vaccínia Ankara Modificado (MVA) foram entregues nesta segunda-feira (05/9) no Centro de Tecnologia de Vacinas (CT Vacinas) na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O material biológico chegou Brasil na sexta-feira (02), no aeroporto de Confins, em Minas Gerais. A ação é apoiada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) por meio da RedeVírus MCTI. Esse é um primeiro passo para que o Brasil possa iniciar a pesquisa para produção em território nacional de uma vacina antivariólica, que tem ação para monkeypox.

O CT Vacinas está em processo para ser transformado em um Centro Nacional de Tecnologias em Vacinas MCTI, decorrente de um acordo firmado em 2021 entre a pasta ministerial e a UFMG. A medida ampliará a capacidade brasileira no desenvolvimento de vacinas.


O material biológico foi doado pelo Instituto Nacional de Saúde (National Institutes of Health - NHI), agência de pesquisa médica dos Estados Unidos, ao CT Vacinas da UFMG por meio de um Acordo de Transferência de Material Clínico (CMTA - Clinical Material Transfer Agreement).

As sementes do vírus vacinal, como são chamadas tecnicamente, serão utilizadas para a produção de lotes de vacina para a realização de testes pré-clínicos e clínicos no Brasil. As etapas fazem parte do processo de desenvolvimento de vacina. O material também é ponto de partida para o desenvolvimento nacional do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), que é a matéria-prima para a produção vacinas, contra a varíola símia (monkeypox). Os estudos clínicos que serão realizados no País também contribuirão para confirmar a eficácia do uso do MVA como vírus vacinal para seres humanos no contexto do surto de monkeypox.

O CTVacinas receberá o lote e trabalhará em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Biomanguinhos). Cada alíquota contém 0,2ml do vírus ultrapuro que foi produzido em boas práticas de fabricação e de laboratório, ou seja, apto para servir de base para produção de material que possa ser inoculado em seres humanos.

Os pesquisadores especialistas em varíola e responsáveis pelas pesquisas das duas instituições integram a RedeVírus MCTI e utilizarão o material biológico para iniciar pesquisas para avaliar a utilização da vacina contra o vírus monkeypox. O trabalho conjunto envolve a definição de protocolos e processos.

A iniciativa é uma das ações definidas como prioritária pelos pesquisadores brasileiros que integram a CâmaraPOX MCTI. Constituída em maio deste ano, o grupo formado por oito pesquisadores brasileiros especialistas em varíola e outros poxvírus assessora o MCTI sobre o assunto em relação à pesquisa, desenvolvimento e inovação.

O apoio da RedeVírus MCTI, por meio do financiamento pretérito que fomenta a pesquisa na área de vírus emergentes e reemergentes desde 2020, permitiu estabelecer as condições para que os integrantes da CâmaraPOX pudessem requisitar o vírus, incorporação, negociações para a produção no Brasil.

Varíola – A varíola humana foi erradicada no mundo na década de 1970 por meio da ação vacinal coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). À época, o MVA, que é uma espécie de ‘primo’ da varíola humana, foi um dos vírus utilizados nos programas de imunização. De acordo com os especialistas, são poucos laboratórios no mundo possuem esse vírus que é base para vacinas de 3ª geração. O MVA foi modificado na Alemanha por meio de ‘passagens’, pelo menos 500 vezes, em ovos de galinha de modo a ficar completamente atenuado, ou seja, sofreu mutações capazes de deixar o vírus adaptado ao hospedeiro aviário, mas que o tornou incapaz de se replicar produtivamente em seres humanos e outros mamíferos. Essas alterações permitem que ao ser aplicado no corpo humano no formato de vacina, o vírus produção de antígenos (induz resposta imunológica), mas não consegue se replicar. É o mesmo princípio da vacina que utiliza como base o adenovírus, utilizado para a produção de vacinas de combate à Covid-19.

RedeVírus MCTI – A RedeVírus MCTI foi instituída em fevereiro de 2020, antes mesmo de a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar pandemia do coronavírus. O comitê presta assessoramento técnico-científico ao MCTI sobre as estratégias e necessidades na área de ciência, tecnologia e inovação necessárias na área de saúde. A Rede está organizada em subredes que contemplam desenvolvimento de testes para diagnóstico, sequenciamento e monitoramento genômico, desenvolvimento de vacinas, monitoramento epidemiológico de animais e em águas residuais.

CT Vacinas - O CT-Vacinas é um centro de pesquisas em biotecnologia voltado para o desenvolvimento de novas tecnologias ligadas à produção de kits de diagnóstico e vacinas contra doenças humanas e veterinárias. É também a sede do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas.

O CT Vacinas conduz pesquisas para desenvolver vacinas contra doenças como leishmaniose, malária, doença de Chagas e Covid-19. A vacina contra Covid-19, SpiN-Tec, que recebeu financiamento do MCTI, aguarda autorização do órgão regulador brasileiro para iniciar os testes clínicos. A vacina contra malária, que também conta com apoio do MCTI, aguarda a realização dos testes de segurança, um dos últimos pré-requisitos antes dos ensaios clínicos.

Ministério da Ciência Tecnologia e Inovações

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Chamada Pública de R$37 milhões vai financiar pesquisas para enfrentamento da resistência antimicrobiana

O edital envolve seis linhas temáticas de pesquisa; Data limite para submissão de propostas é 26 de setembro


O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), publicou na quinta-feira (11) a ‘Chamada CNPq/MCTI/CT-Saúde Nº 52/2022 - Ações em ciência, tecnologia e inovação para o enfrentamento da resistência antimicrobiana’. As propostas de projetos deverão ser submetidas até 26 de setembro de 2022. O valor global do edital é de R$37 milhões. Os recursos são do Fundo Setorial de Saúde do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

O objetivo é apoiar projetos de pesquisa que contribuam com o avanço do conhecimento na área, além de gerar dados que possam servir de subsídio para o enfrentamento da resistência antimicrobiana no âmbito do sistema de saúde brasileiro.

A chamada estabelece que cada proposta deverá ser apresentada para apenas uma das seis linhas temáticas de pesquisa previstas.

A linha temática 1 aborda a prevenção de infecções por micro-organismos resistentes e prevê apoio para pesquisas por meio do desenvolvimento de novos equipamentos de proteção individual e ou coletiva, bem como novas tecnologias para sanitização de ambientes hospitalares ou agropecuários.

A segunda linha temática abrange o apoio a pesquisas que melhorem o entendimento sobre como ocorre da resistência antimicrobiana, para expandir o conhecimento básico e tecnológico. Na linha 3 o objetivo é apoiar pesquisas sobre o entendimento do ecossistema de transmissão de resistência antimicrobiana com foco no papel dos sistemas agropastoris. A quarta linha temática tem foco na melhor compreensão da transmissão em ambientes hospitalares.

A chamada estabelece para a linha temática 5 ensaios clínicos de fase I para o desenvolvimento de novos antibióticos e/ou aprimoramento de antibióticos já existentes. O foco está em antibióticos novos ou aprimorados e que possam ser escalonados e produzidos em escala industrial. Serão priorizadas propostas que apresentem parcerias com indústrias e empresas do setor farmacêutico.

A sexta linha temática tem por objetivo apoiar o estabelecimento de redes de pesquisa para monitoramento e sequenciamento de cepas resistentes em todo o território nacional, incluindo bactérias, fungos, vírus e protozoários.

De acordo com a Chamada Pública, cada projeto aprovado em uma das quatro primeiras linhas poderá receber financiamento de até R$2 milhões. Na linha cinco, que envolve ensaios clínicos, cada projeto poderá obter financiamento de até R$ 8 milhões.  Projetos aprovados na linha seis, que envolve redes de pesquisa, poderão obter até R$5 milhões em financiamento cada.  

Resistência antimicrobiana (RAM) – Trata-se de um fenômeno que ocorre quando bactérias, fungos, vírus e parasitas sofrem mutações genéticas e adquirem resistência aos medicamentos, diminuindo ou eliminando a eficácia desse medicamento para curar ou prevenir infecções.

As resistências afetam o tratamento de infecções adquiridas na comunidade. Infecções urinárias por Escherichia coli ou infecções respiratórias por Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae podem não responder aos antibióticos usados ​​rotineiramente, por exemplo, e exigir o uso de tratamentos mais complexos e de maior custo.

O fenômeno não é recente, mas tornou-se um problema crítico de saúde pública à medida que tem se acelerado e agravado a partir do uso impróprio de medicamentos antimicrobianos, de programas de prevenção e controle de infecções inadequados ou inexistentes, entre outros fatores. Estima-se que a resistência aos antibióticos foi diretamente responsável por cerca de 1,27 milhão de mortes em todo o mundo e associada a cerca de 4,95 milhões de mortes em 2019. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2050 cerca de 10 milhões de óbitos anuais poderão ser atribuídos à resistência antimicrobiana. Sem uma mudança de abordagem para conter o problema, até 2050, a resistência antimicrobiana poderá causar mais mortes que o câncer.

Acesse a íntegra da Chamada Pública neste link.

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Acesso aos sistemas do CNPq vai mudar

A partir do dia 16 de maio, as páginas de acesso aos sistemas Diretório de Grupos de Pesquisa (DGP), Currículo Lattes e Plataforma Integrada Carlos Chagas (PICC) irão mudar.

 A partir do dia 16 de maio, as páginas de acesso aos sistemas Diretório de Grupos de Pesquisa (DGP), Currículo Lattes e Plataforma Integrada Carlos Chagas (PICC) irão mudar.

Será criada, apenas, uma nova alternativa de Login para esses usuários. Não haverá qualquer mudança interna aos sistemas ou às suas bases de dados que, atualmente, são replicadas e possuem várias cópias de segurança em diferentes dispositivos de armazenamento. Será implementada, também, uma nova interface para o Login do CNPq, com o objetivo de ampliar a segurança no acesso aos sistemas.

A página para login terá, agora, um novo visual:

Para o primeiro acesso, as credenciais serão as mesmas já utilizadas no Currículo Lattes.

Estrangeiros sem CPF permanecem com a possibilidade de acesso via e-mail.

E o que vai mudar?

1.      Ao fazer o primeiro acesso, o usuário será obrigado a trocar para um padrão mais seguro.

2. Com a mudança, será possível acessar, também, pelo login gov.br

2.      Quem não tiver cadastro, ainda, poderá fazer uma conta.

A mudança visa oferecer um ambiente mais seguro e mais praticidade com a possibilidade de login único vinculado à plataforma Gov.br

https://www.gov.br/cnpq

Calendário Agenda