Ministério da Saúde fecha novo
acordo com o setor e a meta agora é ultrapassar 28 mil toneladas nos próximos
cinco anos
· A
cooperação técnica com a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação -
Abia é voluntária e se estende também a redução de açúcar e gorduras
· Será
lançado canal de comunicação com o cidadão para incentivar a mudança de hábito.
A página Saúde Brasil conscientiza sobre a importância da adoção de uma vida
mais saudável
O ministro da Saúde, Ricardo
Barros, assinou nesta terça-feira (13), novo acordo com a Associação Brasileira
das Indústrias da Alimentação (Abia) para melhorar o perfil nutricional dos
alimentos industrializados. A parceria valerá para os próximos cinco anos (2017
– 2022). A primeira cooperação com a indústria está em vigor desde 2011 e
tornou possível a retirada de 17 mil toneladas de sódio que seriam consumidas
pela população. A meta é retirar, voluntariamente, 28,5 toneladas de sódio da
alimentação dos brasileiros. Na ocasião, também foi lançado o Portal Saúde
Brasil, ferramenta digital com orientações sobre os benefícios da adoção de
hábitos saudáveis.
O brasileiro ingere atualmente
12 gramas de sódio por dia, mais que o dobro do máximo sugerido pela
Organização Mundial da Saúde, que é de 5 gramas. Desde que assumiu a Pasta, o
ministro tem implantado medidas para a promoção à saúde visando conscientizar a
população sobre os benefícios da alimentação e hábitos saudáveis. O consumo
alimentar impacta na prevalência de doenças crônicas, como hipertensão,
diabetes e obesidade que, juntas com as doenças cardiovasculares, respiratórias
e câncer respondem por 72% dos óbitos no país.
“Existe, hoje, a necessidade
de ajustar os hábitos alimentares dos brasileiros para prevenir a obesidade e
doenças como diabetes e hipertensão. Também é fundamental incentivar a
atividade física para o brasileiro ter uma vida mais saudável. Esse acordo é uma
das medidas que ajuda nesse desafio”, declarou o ministro Ricardo Barros.
A primeira categoria a reduzir
sódio em sua composição no novo acordo envolve pães, bisnaguinhas e massas
instantâneas, com metas para 2017, 2018 e, no caso dos pães, até 2020. Bem
presente na mesa dos brasileiros, os pães podem contribuir na redução de
ingestão de sódio diária. Em 2011, quatro fatias de pão por dia representavam
40% da quantidade de sódio diária (796 mg). Após o acordo, esse índice, em
2016, passou a ser 22% (450 mg). Em 2020, a expectativa é chegar a 20% (400
mg).
“É uma área importante já que
é a que mais aporta sódio, portanto, sal, na alimentação da população. A
parceria com a indústria é essencial para permitir uma redução de sódio na
composição dos alimentos”, ressalta a coordenadora-geral de alimentação e
nutrição do Ministério da Saúde, Michele Lessa.
Além da redução do sódio, o
Ministério e a Abia avançam na discussão para redução de açúcar nos alimentos
industrializados. A previsão é de lançar no segundo semestre o Plano de Redução
de Açúcar em Alimentos Industrializados, que terá formato parecido com o de
sódio e vai envolver alimentos como produtos lácteos, bebidas adoçadas,
biscoitos, bolos e achocolatados.
QUARTA ETAPA – A
cooperação técnica de redução de sódio pactuada em 2011 atingiu, durante os
cinco anos de vigência, 30 categorias de produtos da indústria de alimentos,
representando cerca de 70% do faturamento do setor. Nesta última etapa, foram
analisados rótulos de 718 produtos em 13 categorias como queijos, requeijões,
linguiças e presuntaria.
A maior redução no teor de
sódio aconteceu na categoria sopas. A quantidade caiu 65,15% em misturas para
sopas, passando de 300,3mg por 100g de alimento para 115,5mg. Nas sopas
instantâneas houve redução de 49,14% passando de 339,4mg para 170mg por 100 g.
As linguiças também tiveram
redução significativa. Na linguiça cozida a temperatura ambiente foram
registradas reduções de 15,6% no teor de sódio entre 2013 e 2016. Nas linguiças
frescal redução de 10,5% e 9,4% em linguiça cozida resfriada. Produtos
lácteos como queijos e requeijões também conseguiram retirar uma alta
quantidade de sódio de sua composição com reduções de 23,1% e 20,4%
respectivamente.
O Presidente Associação
Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), Edmundo Klotz, ressaltou a
parceria com o Ministério da Saúde que possibilitou mudanças para melhorar a
saúde do brasileiro. “Neste período já tivemos um grande avanço. Sabemos a
dificuldade e o esforço que a indústria precisa para retirar ingredientes como
o sódio e o açúcar da composição. Mas, há uma grande vontade de contribuir para
uma melhor saúde e qualidade de vida do brasileiro”, afirmou o presidente da
Abia.
CANAL COM O CIDADÃO
– Também foi lançado nesta terça-feira o Portal Saúde Brasil, disponível
no endereço www.saude.gov.br/saudebrasil, um canal exclusivo de
informação sobre promoção à saúde voltado ao cidadão. Com foco em quatro
pilares, “Eu quero parar de fumar”, “Eu quero ter um peso saudável”, “Eu quero
me exercitar” e “Eu quero me alimentar melhor”, a ferramenta reúne conteúdos,
serviços e a voz de especialistas para apoiar a população a mudar seus hábitos
em prol de uma vida mais saudável e com qualidade.
A plataforma é dinâmica, terá
novos conteúdos e funcionalidades incorporados periodicamente, e para isso
conta, inclusive, com as sugestões da população, que poderá usar um canal feito
especialmente para se manifestar, narrar suas histórias de superação e mostrar
que é possível se tornar mais saudável.
Ao lançar a plataforma Saúde
Brasil, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, informou que a ferramenta é um
ambiente de dicas e estímulo para uma vida mais saudável, além de trazer
informação simples e rápida para a população. “Má alimentação, sedentarismo,
consumo de cigarro e obesidade levam ao adoecimento. Alguns exemplos das
doenças adquiridas por esses maus hábitos são: a diabetes, a hipertensão, o
infarto e o AVC, que sobrecarregam o sistema de saúde. Só para tratar a
obesidade, por exemplo, o Sistema Único de Saúde (SUS) gasta quase meio bilhão
de reais em um ano”, enfatizou Barros.
PROMOÇÃO DA SAÚDE - O
incentivo para uma alimentação saudável e balanceada e a prática de atividades
físicas é prioridade do Governo Federal. Assim que assumiu o Ministério da
Saúde, Ricardo Barros proibiu dentro das dependências do Ministério a venda,
promoção, publicidade ou propaganda de alimentos industrializados. A pasta
também participa da portaria de Diretrizes de Promoção da Alimentação Adequada
e Saudável nos Serviço Público Federal, que orienta formas da alimentação
adequada e saudável nos ambientes de trabalho do serviço público federal.
O Ministério da Saúde também
adotou internacionalmente metas para frear o crescimento do excesso de peso e
obesidade no país; reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial
em pelo menos 30% na população adulta, até 2019; e ampliar em no mínimo de
17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente até
2019.
Outra ação que contribui para
a promoção da alimentação saudável é o Guia Alimentar para a População
Brasileira, que orienta a população com recomendações sobre alimentação
saudável.
QUEDA DA MORTALIDADE – O
conjunto de ações do Governo Federal, com expansão do acesso a serviços de
saúde, diagnóstico precoce e tratamento, além das ações de promoção da saúde,
já impacta na queda de óbitos precoce por Doenças Crônicas Não Transmissíveis.
Dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde
mostra uma redução anual de 2,6% da mortalidade prematura por doenças crônicas
entre adultos (30 a 69 anos).
Anexo:
Por Gabriela Rocha, da Agência
Saúde