Destaques

domingo, 25 de janeiro de 2015

Análise de Mídia - CNI


A nova política econômica do governo Dilma Rousseff está no centro do noticiário das revistas que circulam neste fim de semana, identificando questões relevantes para o setor fabril. Edições trazem abordagens analíticas sobre o ajuste fiscal anunciado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e os reflexos no setor produtivo.

Semanários detalham que o pacote de medidas inclui o aumento de impostos sobre combustíveis, crédito ao consumidor e importações e mudanças no Imposto Sobre Produtos Industrializados para o setor de cosméticos. Em comum, textos advertem para os riscos de o Brasil entrar em “recessão”.

  • Reportagem de capa da CARTA CAPITAL segue essa linha e alerta que o Brasil vive “um risco seriíssimo de recessão”. Para a revista, o complicador do quadro é o ajuste fiscal baixado pelo governo. “Ninguém discute a necessidade de um ajuste, mas esse pacote fiscal, especificamente, pode ter consequências graves para a sociedade”, adverte.
  • Segundo a mesma reportagem, os apertos de crédito, acentuados pelo aumento da taxa de juros em meio ponto porcentual, para 12,25%, “agravam a situação periclitante da indústria instalada no País, desfigurada em 30 anos de crises, políticas equivocadas e desconhecimento quase absoluto, pelos diversos governos do período, do papel determinante do setor na trajetória dos países avançados ao Norte e dos emergentes bem-sucedidos no Oriente”.
  • Ainda na reportagem, CARTA CAPITAL aponta que as crises nacionais da energia e da água, “geradoras de incertezas adicionais e da postergação de investimentos, agravam a situação do País e o tornam mais vulnerável a um ajuste fiscal que atinge em cheio as parcelas mais frágeis da sociedade”.
  • MINO CARTA, em editorial na CARTA CAPITAL, sugere que “até setembro o empresariado vai pedir a Dilma que tire Joaquim Levy do Ministério da Fazenda”. “Falha gravíssima do primeiro mandato de Dilma Rousseff foi o descaso com que a indústria brasileira foi abandonada ao seu destino. Convém insistir no erro?”, questiona.
  • Também sobre a nova política econômica, ANTONIO DELFIM NETTO, na CARTA CAPITAL, destaca a necessidade de restabelecer a confiança do setor empresarial privado para que o investimento cresça. Segundo ele, é preciso, no entanto, “compreensão, sangue frio e paciência”, porque levará algum tempo até que o investimento apareça.
  • Abordagem da capa da ISTOÉ DINHEIRO aponta que “com o aumento de impostos e juros, apagões e ameaça de racionamento de água e energia, o Brasil toma um caminho delicado em busca da retomada do desenvolvimento”.
  • Reportagem destaca que o objetivo, segundo o ministro, é aumentar a confiança na economia brasileira, com uma guinada na política de expansão de gastos públicos e estímulos setoriais aplicada nos últimos anos. “Na prática, o aumento de impostos pressiona a inflação, tira renda do consumidor, reduz as vendas no comércio e faz desabar a produção da indústria”, avalia DINHEIRO.
  • Texto menciona ainda a “frustração de dezenas de empresários e dirigentes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) com o cancelamento, em cima da hora, do primeiro encontro que o setor produtivo teria com o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy”.
  • “Aumento de impostos, em todas as direções e graus de intensidade, para recompor o caixa que o próprio governo estourou. É o que resta aos brasileiros! A disciplina fiscal, o ajuste forçado, tem início, como não poderia deixar de ser, pela ponta da arrecadação”, posiciona ISTOÉ DINHEIRO, em DINHEIRO DA REDAÇÃO.
  • Em entrevista à ISTOÉ DINHEIRO, o economista e ex-presidente do Banco Central (BC) Affonso Celso Pastore afirma que os ajustes iniciados por Joaquim Levy em 2015 devem se prolongar até 2016 e há uma grande necessidade de melhorar a gestão pública para estimular os investimentos e elevar a produtividade da economia.
  • “Está claro que em 2015 teremos uma contração do PIB em relação a 2014. A economia real vai se contrair. Com isso, a inflação cai e, se o governo não fizer mais nenhuma bobagem na política fiscal e na política monetária, a economia volta a crescer com uma inflação mais baixa. Mas não é para já. Esse ajuste vai tomar todo este ano e um pedaço de 2016”, afirma Pastore.
  • Também sobre o pacote fiscal, ÉPOCA adverte que as medidas prometem fazer de 2015 “um ano duro, duríssimo. Será igual ou um pouco pior que 2014”. Reportagem posiciona que o pacote era esperado desde que Levy aceitou a missão inglória de equilibrar as finanças do governo, mas doloroso para os brasileiros.
  • “Afetará o bolso de todos nós, sem discriminação de renda. Pobres, classe média, ricos: todo mundo pagará pelos equívocos da política econômica do primeiro governo Dilma. O pacotaço inclui o aumento dos impostos de produtos importados, cosméticos e financiamentos e deverá puxar a alta dos juros do cartão de crédito e do cheque especial”, sinaliza a revista.
  • Segundo reportagem da VEJA, Levy afirmou que o país poderá ter uma recessão no início do ano e o crescimento em 2015 será próximo de zero e lembrou, contudo, que os ajustes são vitais para a retomada.
  • Nesse contexto, SUSTENTABILIDADE, na ISTOÉ DINHEIRO, afirma que o ano de 2015 não deverá ser dos mais fáceis para o setor produtivo, “afinal, as recentes medidas adotadas pelo governo federal deverão ter impacto direto no ritmo de crescimento do País”.

Entre outras abordagens com foco econômico, destaque está na ISTOÉ DINHEIRO, que publica entrevista com Armando Monteiro Netoex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

  • Na entrevista, Monteiro Neto, que assumiu neste mês o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), explica como pretende espantar a crise e estimular as exportações.
  • “Se vamos ter um ano de baixo crescimento no mercado interno, a exportação tem de ser prioridade. Assim, sustentamos a atividade industrial, mantendo a produção das empresas. Vamos lançar até fevereiro um plano tratando de questões como financiamento, equalização de juros, seguros e garantias. Temos de estimular a participação dos bancos privados no financiamento”, pontua Monteiro Neto.
  • Com foco no aumento de impostos, ISTOÉ DINHEIRO publica ainda reportagem indicando que “inovar para ganhar fatia de mercado dos concorrentes virou questão de sobrevivência para as empresas brasileiras”. O semanário traz depoimento conferido ao diretor do departamento de competitividade e tecnologia daFiesp, José Ricardo Roriz Coelho, afirmando que “os incentivos por parte do governo só serão eficazes se forem revisados” e que a “burocracia e a lentidão têm se tornado empecilho, e não solução para as empresas”.
  • “Com dois anos seguidos de pibinho, a tendência inexorável é de aumento na taxa de desemprego. Na quinta-feira 15, o IBGE divulgou que o nível de emprego industrial caiu 0,4% em novembro, a oitava queda mensal consecutiva. Apenas em São Paulo, foram 128,5 mil demissões, segundo a Fiesp”, registra mesma reportagem da DINHEIRO.
  • PODER, na ISTOÉ DINHEIRO, pontua que "o vice-presidente Michel Temer prepara, ainda para este semestre, uma viagem à Rússia, que deve incluir também países do Leste Europeu, como a Polônia. O objetivo é abrir novos mercados para os produtos brasileiros".
  • Como ponto de atenção, PODER posiciona que o balanço do mercado de trabalho formal em dezembro “foi tão ruim que o governo tentou esconder a informação”. Segundo a coluna, no mês passado, houve o fechamento de 555,5 mil postos de trabalho. “Em todo o ano passado, foram criadas apenas 396,9 mil vagas, muito menos do que nos anos anteriores. É o número mais baixo desde 1999, quando houve fechamentos de postos de trabalho”, enumera.
  • Ainda conforme PODER, “a indústria e a construção civil já fecharam vagas no ano passado, e na agricultura, mesmo com o crescimento dez vezes superior ao do PIB, o emprego ficou praticamente estável. O fim da era do pleno emprego está chegando ao fim”.
  • “Mesmo preocupados com o tamanho do ajuste fiscal, os empresários que vão se encontrar nesta semana, na sede da Fiesp, com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pretendem deixar as reclamações para depois. Eles combinaram ouvir o ministro e depois se reunir em separado para acertar a lista de reivindicações que irão levar ao governo”, afirma PODER.
  • FELIPE PATURY, na ÉPOCA, registra que “o Planalto decidiu que, além da indústria de cosméticos, os atacadistas do setor também pagarão IPI. Os industriais estimam que, até 2016, o governo arrecadará R$ 680 milhões com essa cobrança extra do IPI. Eles dizem que o aumento de receita será anulado por outros efeitos da mesma medida. Para manter os lucros, os atacadistas aumentarão os preços dos produtos, o que deve reduzir o consumo. Um estudo da Associação Brasileira da Indústria de Cosméticos mostra que 400 mil trabalhadores do setor perderão seus empregos”.

A falha no sistema elétrico nacional, que atingiu 11 estados e o Distrito Federal na última segunda-feira (19), e a falta de água em algumas regiões são itens que também ganham projeção na cobertura das revistas.

  • Reportagem de capa da VEJA adverte que um novo racionamento, se vier, vai derrubar a economia e colocar o país em recessão. Conforme a revista, a indústria já faz seus cálculos contando como certo um aumento de até 50% nas tarifas de energia neste ano e “todos terão de torcer para que haja energia suficiente para atender à demanda”.
  • Texto assinala o apagão de segunda-feira só não se repetiu nos dias seguintes porque o governo importou energia da Argentina. “As perdas para a economia de um eventual racionamento entram nos cálculos de bancos e consultorias. O PIB poderá encolher 1,5% neste ano se houver um corte obrigatório de 10% no consumo por causa de restrições na oferta”, alerta a VEJA. “A economia poderia ter crescido meio ponto porcentual a mais no ano passado se não fosse o custo mais alto da energia para o setor produtivo, estima a associação que reúne grandes consumidores industriais de energia, a Abrace.”
  • Sobre o apagão, ISTOÉ DINHEIRO define que “o quadro é grave e a falta de energia em boa parte do Brasil mostra que só as chuvas podem salvar a economia”.
  • Ainda na DINHEIRO, texto indica que a indústria têxtil eliminou 20 mil empregos, em 2015, e prevê mais quatro mil cortes para este ano. “O setor, portanto, demitiu mais do que as montadoras, que tiveram saldo negativo de 12.4 mil postos de trabalho em 2014 - a conta não inclui o efeito cascata na indústria de autopeças. A escassez de água e de energia, a alta dos juros e a desaceleração do consumo embasam a previsão de nova queda no estoque de mão de obra na cadeia de roupas e artefatos de tecidos.”
  • Já a ISTOÉ sinaliza, em tom crítico, que o “desabastecimento de energia expôs a realidade até então encoberta pelo governo para evitar desgaste, principalmente, no período eleitoral”.
  • "Relatórios de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e análises técnicas oficiais revelam as fragilidades energéticas do País. De 2011 a 2014, o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) registrou mais de 180 lapsos de fornecimento em grande escala. No apagão da semana passada, que afetou mais de três milhões de pessoas, devido ao excesso de calor e das poucas chuvas, as usinas que abastecem as regiões de maior consumo doméstico e industrial simplesmente não tiveram musculatura para atender às necessidades do mercado brasileiro", afirma a reportagem. Segundo a ISTOÉ, o episódio mostra que "o sistema energético brasileiro opera hoje no limite de sua capacidade".
  • Em entrevista à ISTOÉ, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, fala sobre os problemas do setor e aposta na modernização das redes de baixa tensão como uma das soluções para o País. "O que aconteceu foi consequência de um problema técnico em uma rede de transmissão e foram feitos desligamentos preventivos", afirma, sobre o apagão.
  • Segundo A SEMANA, na CARTA CAPITAL, o ministro Eduardo Braga disse que um problema técnico em uma linha de transmissão entre as regiões Norte e Sudeste do País teria sido a verdadeira causa do corte. "Cada vez maior, a restrição hídrica no País tem afetado os níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas, o que compromete o fornecimento e encarece as tarifas de luz. Na terça-feira 20, Braga anunciou que a Petrobras vai disponibilizar usinas térmicas que estavam em manutenção para cobrir parte do déficit", afirma a coluna.
  • FELIPE PATURY, na ÉPOCA, indica que os apagões da semana passada adiantaram em dois meses a necessidade de respostas e medidas para o setor elétrico: “Dilma convocou Braga para uma conversa nesta segunda-feira, dia 26. A presidente quer resultados. Em busca de luz, Braga reuniu os principais técnicos de sua Pasta e, juntos, foram ao gabinete da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Ficou acertado que a Agência Nacional de Águas entregará a Braga um mapa com os potenciais reservatórios que podem ser explorados para a geração de energia no país”.
  • RICARDO BOECHAT, na ISTOÉ, assinala que “após a falta de luz em 11 Estados e no Distrito Federal na semana passada, natural que se aprofunde o diagnóstico do setor. Assusta a quantidade de sociedades de propósito específico estruturada por Furnas nos últimos anos -- mais de 60, segundo comenta-se no mercado. Muitas com empreiteiras arroladas na Operação Lava Jato. Consultada, a estatal não forneceu o número exato até o fechamento da edição, na quinta-feira 22. Na Eletronorte, as SPEs são várias também. Essa privatização disfarçada, combatida pelo TCU, não tem aumentado a oferta de energia no País, devido à lentidão desses arranjos”. 
  • A SEMANA, na CARTA CAPITAL, pontua que “enquanto o governo de São Paulo desdobra-se em busca de alguma solução mágica para evitar a catástrofe do desabastecimento, os vizinhos Rio de Janeiro e Minas Gerais: enfrentar a crise hídrica. Responsável pelo Paraibuna zerou na quarta-feira 21. O Santa Branca, o Jaguari e o Funil, os outros três integrantes do sistema de abastecimento fluminense, estão, respectivamente, com 0,6%, 2% e 4% da capacidade total”. 
  • SOBEDESCE, na VEJA, registra que “desce” o Itamaraty: “O risco de apagão alcançou as embaixadas brasileiras. Com o orçamento reduzido a metade em relação a 2003, algumas estão há meses sem pagar a conta da luz”.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Transparência - Gestores devem informar gastos em saúde até março

Estados e municípios que não informarem ou não comprovarem aplicação mínima de recursos na saúde estarão sujeitos a penalidades

O Ministério da Saúde tem ampliado as ferramentas de controle e transparência para permitir que o cidadão acompanhe a aplicação dos recursos na saúde quanto aos percentuais de aplicação na área determinados pela EC 29/2000 que define que a União deve aplicar na saúde o mesmo valor destinado ao orçamento no ano anterior mais a variação nominal do PIB. Já os estados e o DF devem investir 12% de sua receita própria, enquanto os municípios devem aplicar o mínimo de 15%. Desde 2013, estados e municípios devem, obrigatoriamente, informar os gastos com saúde no Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS). Neste ano, os gestores têm até o dia 30 de janeiro para publicarem no SIOPS suas receitas e despesas em saúde para não sofrerem penalidades.

Caso os gestores não informem seus gastos referentes a 2014 até a data prevista, poderá sofrer sanções que podem ir da suspensão ao condicionamento (redirecionamento) de transferências constitucionais e voluntárias (convênios) a estados e municípios. O sistema, aberto a consultas, também facilita o monitoramento dos órgãos de controle. As sanções estão previstas na Lei Complementar 141/2012 e no decreto 7.827/2012, que definiram o SIOPS como o sistema informatizado, de acesso público para o registro eletrônico centralizado dos orçamentos dos três entes da federação.

Em casos de bloqueio de recursos, a liberação do mesmo ocorre tão logo os dados pendentes sejam publicados. Já os municípios que transmitiram, mas declararam percentual inferior ao previsto na Constituição, terão parte dos recursos de transferências constitucionais depositados em conta específica do fundo de saúde local e terão os repasses voluntários bloqueados. O procedimento só será excluído quando for reposto o recurso total que deixou de ser aplicado no ano anterior.

Os repasses que podem ser redirecionados ou suspensos são o Fundo de Participação dos Estados e do DF (FPE), Fundo de Participação dos Municípios (FPM), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI-Exportação) e Imposto sobre Propriedade Territorial Rural (ITR). No entanto, as sanções são temporárias e à medida que os gestores informarem seus gastos e confirmarem o cumprimento dos percentuais mínimos na saúde terão os recursos assegurados, inclusive, os retroativos no prazo de até três dias úteis.

Em 2014, primeiro ano de funcionamento do SIOPS, 24 municípios e 1 estado sofreram condicionamento, além de 245 municípios que tiveram as transferências voluntárias e constitucionais suspensas. Até o dia 19 de janeiro, apenas dois municípios (Candeias do Jamari-RO e Presidente Juscelino-MG) ainda continuavam com a sanção de suspensão e outros dois municípios e um estado (São Domingos do Capim-PA e Ribeirão do Pinhal-PR, além do estado do Paraná) estavam sob a penalidade do redirecionamento.

PRAZO - Apesar de o prazo legal para a entrega dos dados ser 30 de janeiro, os gestores municipais e estaduais que não declararem as informações relativas ao ano de 2014 receberão notificação com prorrogação do prazo para mais 30 dias. Sendo assim, dois de março será o limite para a publicação das informações no SIOPS.

Após este período, entre 3 e 9 de março, o Ministério da Saúde compartilhará as informações com o Ministério da Fazenda para aplicação de sanções a estados e municípios que não informaram suas receitas e despesas em saúde ou não comprovaram a execução mínima de recursos. Assim, a partir do dia 10 de março, as sanções serão aplicadas.

O Ministério da Saúde irá repassar, semanalmente, relatórios para o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (CONASS) e Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) informando quais os municípios estão com pendências.



Por: Amanda Costa, da Agência Saúde

FERNANDO MONTI É O NOVO PRESIDENTE DO CONASEMS

O secretário municipal de Bauru, Fernando Casquel Monti, foi nomeado na tarde desta quarta-feira (21) como novo presidente do CONASEMS. A decisão foi tomada por secretários municipais de saúde de todo Brasil, membros 
do CONARES que compareceram à reunião em Brasília.


Monti toma posse do cargo após o anúncio da saída de Antônio Carlos Nardi da presidência da instituição. Os dois vice-presidentes do CONASEMS, Fernando Monti (COSEMS/SP) e Raul Molina (COSEMS/BA) se colocaram à disposição para ocupar o cargo, cabendo aos 69 conselheiros do CONARES presentes a decisão do nome do novo presidente. Por uma pequena diferença de votos os secretários presentes optaram por Fernando Monti como sucessor de Nardi à frente do CONASEMS.

Banco Mundial oferece bolsas de estudo de até US$ 25 mil

O Banco Mundial está oferecendo bolsa de até US$ 25 mil para um período de seis a dez meses entre julho e dezembro de 2015 para  estudos em nível de doutorado no campo do desenvolvimento, sob a supervisão de um orientador, em instituição anfitriã localizada em um país membro do Banco Mundial. Após a conclusão do programa, os bolsistas retornarão ao seu país de origem para trabalhar.

Entre os critérios básicos de seleção estão:
  • Ter como país de origem um país em desenvolvimento membro do Banco Mundial.
  • Os candidatos que também tenham cidadania de um país desenvolvido não serão aceitos.
  • Estar matriculado em um programa de doutorado em um país membro do Banco Mundial.
  • Haver concluído todos os cursos e exames exigidos para o doutoramento.
  • Ter um diploma de mestrado.
  • Ter 35 anos ou menos.

Os interessados devem ainda cumprir um dos seguintes requisitos:

a) Estar matriculado em um programa de doutorado no país de origem e não estar empregado atualmente.

b) Estar matriculado em um programa de doutorado no país de origem ou em um país membro do Banco Mundial e estar trabalhando em uma instituição acadêmica ou de pesquisa no país de origem.

O formulário de candidatura, a ser preenchido online, está à disposição no website: www.worldbank.org/scholarships , entre 7 de janeiro e 11 de fevereiro de 2015.

Foto: internet


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

PLANALTO POSTERGA AS NOMEAÇÕES E POSSES ATÉ A DEFINIÇÃO DO PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS NO PRÓXIMO DIA 1 DE FEVEREIRO

Eleição para Presidência da Câmara dos Deputados ocorrerá, às 18 horas, no dia 1º de fevereiro. Poderá haver lançamento de candidaturas até às 17 horas do mesmo dia. No momento três candidatos pretendem disputar o mandato para o biênio 2015/2016:

Dep. Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apoiado por pelo menos 167 deputados.
Dep. Arlindo Chinaglia (PT-SP) declararam apoio PCdoB, Pros, PDT e PT, o que somaria 110 votos.
Dep. Júlio Delgado (PSB-MG), lançado com o apoio da liderança do PSDB, PV e do PPS

A abertura dos trabalhos legislativos está marcada para o dia 2 de fevereiro, às 15 horas.

PATRÍCIA OLIVEIRA PEREIRA TAGLIARI, nomeada Assessor-Chefe, da Assessoria de Assuntos Internacionais da ANVISA

PORTARIA No- 105, DE 22 DE JANEIRO DE 2015
O Diretor-Presidente Substituto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no uso das atribuições que lhe confere o Decreto de recondução de 09 de maio de 2014, da Presidenta da República, publicado no DOU de 12 de maio de 2014 e a Portaria GM/MS n° 912, de 12 de maio de 2014, e tendo em vista o disposto no inciso VI do art. 13 do Regulamento da ANVISA aprovado pelo Decreto n° 3.029, de 16 de abril de 1999, aliado ao que dispõe o inciso V do art. 164 e o inciso III, § 3º do art. 6º do Regimento Interno aprovado nos termos do Anexo I, da Portaria n° 650, de 29 de maio de 2014, publicada no DOU de 02 de junho de 2014, resolve:

Nomear a servidora PATRÍCIA OLIVEIRA PEREIRA TAGLIARI, matrícula SIAPE n° 1518435, para exercer o Cargo Comissionado de Assessoria - CA I, de Assessor-Chefe, da Assessoria de Assuntos Internacionais, ficando exonerada do cargo que ocupa atualmente.
JAIME CESAR DE MOURA OLIVEIRA

Prorrogar em 60 dias o prazo da Consulta Pública N.º 28/2014, Monografias de plantas medicinais de interesse ao SUS

SECRETARIA DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INSUMOS ESTRATÉGICOS
CONSULTA PÚBLICA No- 1, DE 22 DE JANEIRO DE 2015
O Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, no uso de suas atribuições legais, resolve:
Art. 1º Prorrogar em 60 dias o prazo da Consulta Pública N.º 28/2014, Monografias de plantas medicinais de interesse ao SUS (Renisus), publicada no Diário Oficial da União de 24 de novembro de 2014, em virtude do baixo recebimento de contribuições.
Art. 2º Esta consulta pública entra em vigor na data de sua publicação.
JARBAS BARBOSA DA SILVA JÚNIOR

A contaminação do SUS pela fragilidade da atenção básica e má formação de médicos.

“O que pensar de futuros médicos que promovem baladas em que se praticam violências contra suas colegas mulheres? Quais são as disciplinas que tratam as questões éticas, morais e humanitárias do exercício profissional? Simplesmente inexistem”, destaca o ex-ministro da Saúde.
O Sistema Único de Saúde – SUS atende a todos os brasileiros e a grande maioria tem nele o único acesso a atendimentos médicos. Mas para o ex-ministro da Saúde e diretor-executivo do Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde – ISAGS/UNASUL, José Gomes Temporão, o Sistema é muito mais do que isso.
Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, ele revisita os conceitos e princípios que balizam essa política de Saúde. Destaca que é preciso se ter clareza de que o SUS visa não só aos atendimentos, mas à promoção humanista da saúde em ações que passam pela prevenção. Mas reconhece que essa atenção básica precisa se expandir. Para assegurar eficiência, é preciso levar o princípio para toda a Esplanada dos Ministérios. “O senso comum, quando fala de saúde, pensa em médicos, hospitais, tecnologias. É preciso inverter essa equação colocando a produção de saúde na frente do processo”, pontua.
Essa revisão conceitual da política passa também pelos profissionais da área. Médicos, por exemplo, vivem o que o ex-ministro chama de “mercantilização da profissão”. Desde a sua formação, a preocupação passa a ser mais o lucro, o reconhecimento enquanto especialista, esquecendo que, num sistema como o SUS, o que está no centro é a visão de saúde “como um bem coletivo, patrimônio da sociedade”, e não como “um espaço de acumulação para fazer bons negócios”. “Do lado da saúde institucionalizada as respostas não se encontram na falta de oferta de especialistas, mas sim na fragilidade da atenção básica e na formação precária dos novos médicos frente à questão da ética profissional”, completa o médico, que ainda fala sobre corrupção e as diferenças do sistema brasileiro em relação aos países mais ricos.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Gostaria que o senhor nos recordasse os princípios básicos do Sistema Único de Saúde – SUS. Como ele funciona?
José Gomes Temporão – O SUS é resultado de um longo processo de luta da sociedade brasileira pelo direito à saúde. Ele toma forma apenas em 1988 com a promulgação da nova Constituição que contempla um capítulo específico sobre a saúde. Está escrito: “A saúde é um direito de todos e dever do Estado”. Depois, aprovou-se a Lei Orgânica da Saúde que contempla os princípios da universalização, descentralização, integralidade e controle social. Hoje, o SUS atende a todos os brasileiros, sendo que 75% da população depende única e exclusivamente do Sistema para suas necessidades em saúde.
IHU On-Line – Se lhe fosse dada a missão de rever alguns conceitos e princípios do SUS, quais seriam?
José Gomes Temporão – Penso que a descentralização ao longo destes 25 anos adotou um viés de municipalização que levou a certa fragmentação na organização de redes integradas de atenção. Precisamos resgatar nesse contexto o conceito de região. Por outro lado, as relações público-privadas deveriam ser revistas.
“Penso que a descentralização ao longo destes 25 ano [do SUS] adotou um viés de municipalização que levou a certa fragmentação na organização de redes integradas de atenção. Precisamos resgatar nesse contexto o conceito de região”
IHU On-Line – Países europeus e mesmo os Estados Unidos, muito mais ricos que o Brasil, não dispõem de um sistema público — e gratuito — de saúde como o nosso. No que o SUS poderia inspirar outros países e no que se diferencia das políticas em saúde dessas outras nações?
José Gomes Temporão – Na verdade, o Brasil se inspirou nos modelos de welfare europeus, como o da Inglaterra ou do continente americano, como o do Canadá. Mas, também, da experiência cubana e dos princípios da Conferência de Alma Ata daOMS. O cerne da diferença é se a saúde é vista como um bem coletivo, patrimônio da sociedade, ou se é vista como um espaço de acumulação para fazer bons negócios.
IHU On-Line – Como o SUS atua na medicina preventiva? Fala-se no programa Saúde da Família, mas é o único? Como funciona?
José Gomes Temporão – Todo sistema de saúde diferenciado em termos de qualidade e impacto deve ter como base uma política de atenção básica universal. Assim é na Inglaterra, por exemplo, onde todo e qualquer cidadão para ter acesso a qualquer nível do sistema deve se consultar com o médico de família. O nosso Programa Saúde da Família – PSF se inspira nesse princípio. Hoje, ele cobre cerca de 50% da população brasileira e tem impactado de forma significativa as condições de saúde das populações que se beneficiam dele.
“O cerne da diferença é se a saúde é vista como um bem coletivo, patrimônio da sociedade, ou se é vista como um espaço de acumulação para fazer bons negócios”
IHU On-Line – Recentemente, reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, denunciou um esquema de corrupção envolvendo próteses médicas. Além de colocar a saúde de pacientes em risco, médicos chegam a desviar 100 mil Reais por mês do SUS. Como o senhor recebeu essa denúncia?
José Gomes Temporão – Estarrecido, como toda a população e a grande maioria dos médicos. Será necessário regular esse mercado que a cada ano cresce de forma importante com a introdução de novas tecnologias.
IHU On-Line – Fraudes e desvios de recursos a que o SUS é exposto têm sido alvo de denúncias há muitos anos. Como preservar o Sistema para assegurar que o recurso — quase sempre escasso — não caia na teia de corrupções e desvios?
José Gomes Temporão – Os inimigos do SUS batem nessa tecla com frequência. Os mais ignorantes chegam a afirmar que não faltam recursos ao sistema público, e sim controle melhor dos recursos disponíveis. As fraudes devem ser combatidas ampliando-se a transparência, o acesso das pessoas à informação e os modelos de participação social.
“As fraudes devem ser combatidas ampliando-se a transparência, o acesso das pessoas à informação e os modelos de participação social”
IHU On-Line – Violência, criminalidade e acidentes de trânsito fazem milhões de vítimas todos os dias no Brasil. Quanto o sistema público de saúde gasta tratando vítimas dessas situações?
José Gomes Temporão – O volume de recursos financeiros gasto no tratamento e reabilitação das vítimas é fator relevante, mas menor. O custo do ponto de vista humano e societário é dramático. No Brasil o número de homicídios a cada ano gira em torno dos 50 mil. A maioria, jovens do sexo masculino e negros. Acidentes de trânsito vitimam cerca de 40 mil por ano. Vivemos uma epidemia de violência agravada pela falência do sistema prisional e da própria justiça. Mas a sociedade se nega a ver de frente as determinações estruturais dessa situação que na realidade é o modelo de sociedade que estamos construindo. O motor que produz violência está na exclusão, no preconceito, na injustiça, no abismo social entre as classes, na precariedade do sistema escolar e de saúde, na violência contra as mulheres, crianças e idosos, na homofobia, na falência das políticas de combate às drogas ditas ilegais. Sem enfrentar essa determinação, a situação só irá piorar.
IHU On-Line – Recentemente, o senhor disse que “o desenvolvimento sustentável do país requer colocar a saúde em todas as políticas, considerando suas dimensões biológica, psicológica e social para construir um ambiente facilitador à vida”. Como operacionalizar isso?
José Gomes Temporão – Deve-se começar não confundindo saúde com assistência à saúde. O senso comum, quando fala de saúde, pensa em médicos, hospitais, tecnologias. É preciso inverter essa equação colocando a produção de saúde na frente do processo. Vamos a alguns exemplos: a contaminação do ar e da água, os pesticidas usados largamente sem controle para o cultivo de alimentos, os acidentes de trânsito e de trabalho, os homicídios que se contam às dezenas de milhares por ano, na violência generalizada.
Do lado da saúde institucionalizada as respostas não se encontram na falta de oferta de especialistas, mas sim na fragilidade da atenção básica e na formação precária dos novos médicos frente à questão da ética profissional e da mercantilização da profissão. Em relação a estes, o que pensar de futuros médicos que na Universidade de São Paulo – USP promovem baladas em que se praticam violências contra suas colegas mulheres? Quais são as disciplinas que tratam as questões éticas, morais e humanitárias do exercício profissional? Simplesmente inexistem.
Mais exemplos? Vamos lá: a mortalidade materna não cai na velocidade desejada, mas não queremos enfrentar o aborto como uma de suas principais causas; a obesidade infanto-juvenil cresce em progressão geométrica, mas a publicidade de fast food e refrigerantes segue de vento em popa; a terceira causa de morte no país já são os homicídios e acidentes de trânsito e de trabalho, mas continuamos com visões simplistas e limitadas das raízes da violência e equivocadamente pedimos mais polícia para enfrentá-la; vociferamos contra o consumo das drogas ilegais (fora maconheiros!) e somos complacentes com o consumo abusivo de álcool; rangemos os dentes quanto ao desvio de verbas públicas na saúde pública e a corrupção que a acompanha, mas ingenuamente cremos quando nos vendem a ilusão de que ter um plano de saúde vai nos curar de todos esses males e também daqueles das filas do SUS.
IHU On-Line – Passado o tempo de implantação, qual a sua avaliação do programa Mais Médicos?
José Gomes Temporão – Penso que ainda é cedo para termos uma avaliação de caráter mais qualitativo e que possa medir o real impacto. Mas as informações preliminares são muito positivas.
IHU On-Line – É possível articular SUS e sistema privado de planos de saúde? Como?
José Gomes Temporão – São modelos conceitualmente distintos. Um se baseia no direito universal à saúde e no financiamento público. O outro é um negócio que obrigatoriamente deve ter equilíbrio financeiro. No primeiro temos o cidadão diante da sociedade e do Estado. No segundo é o consumidor diante do mercado.
José Gomes Temporão é médico sanitarista. Assumiu o Ministério da Saúde no Governo Lula, em 2007, e permaneceu no cargo até 2011. Hoje, é diretor Executivo do Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde.
João Vitor Santos | Publicado originalmente no portal IHU Unisinos 

Falta de melatonina causa obesidade e diabetes, aponta pesquisa

O médico José Cipolla Neto fala sobre as pesquisas de seu grupo, que mostram como o hormônio controla a síntese de insulina e a resposta do organismo à atividade física (imagens: arquivo pessoal e Wikipedia)

Além disso, o hormônio é um importante agente anti-hipertensivo, regula a resposta do organismo à atividade física aeróbica e participa da formação de neurônios durante o desenvolvimento fetal e pós-natal.
Parte dos resultados do último Temático foi publicada em 2014 no Journal of Neuroendocrinology e no Journal of Pineal Research, meses de maio e agosto.

Em entrevista concedida à Agência FAPESP, Cipolla Neto comentou os principais experimentos realizados, os fatores que podem prejudicar a síntese de melatonina e como a suplementação pode ajudar no tratamento de doenças.

Agência FAPESP – Que conclusões o senhor destaca nos estudos de seu grupo sobre o papel da melatonina na regulação do metabolismo energético? 
José Cipolla Neto – Nossos dados fundamentaram na literatura científica a importância da melatonina no controle da ingestão alimentar, do dispêndio energético pelo organismo e do armazenamento de energia nos estoques, como o tecido adiposo e o fígado. O resultado final desse balanço energético é o peso corpóreo. Podemos afirmar que a melatonina tem papel fundamental na regulação do peso corpóreo. Essa é a grande conclusão desses anos de trabalho financiados pela FAPESP.


Agência FAPESP – De que maneira essa regulação ocorre? 
Cipolla Neto – De várias maneiras. Acima de tudo, a melatonina é um poderoso regulador da secreção e da ação da insulina. Como hormônio pró-insulínico e antidiabetogênico, desempenha muitas funções no organismo. Uma das mais importantes é regular o desvio da energia ingerida para os estoques energéticos, bem como a retirada de energia desses estoques para uso nas atividades do dia a dia. Pode ser vista, portanto, como um possível coadjuvante no tratamento do diabetes do tipo 2, decorrente da resistência insulínica. Mesmo no diabetes do tipo 1, no qual há pouca produção de insulina, a melatonina poderia melhorar a ação desse hormônio pancreático. Também é um poderoso agente anti-hipertensivo. Outro aspecto fundamental, já bem conhecido na literatura, é que a melatonina é um importante cronobiótico, ou seja, regulador da ritmicidade do organismo. Há um período do dia em que acordamos, gastamos energia interagindo com o ambiente e adquirimos energia pela alimentação. Em outro período, não interagimos com o ambiente, ficamos em repouso e consumimos a energia dos estoques. Esse balanço diário do metabolismo energético é essencialmente regulado pela melatonina. Quando, em experimentos, a melatonina é retirada do animal, observamos redução na ação da insulina e desregulação no ciclo circadiano. Isso também ocorre com qualquer pessoa que, por algum motivo, passa a ter uma produção menor de melatonina. Isso leva a um distúrbio metabólico cujas consequências são obesidade, resistência insulínica e hipertensão.


Agência FAPESP – Que tipo de experimentos foram feitos para chegar a essas conclusões? 
Cipolla Neto – O experimento básico era realizar a pinealectomia (retirada cirúrgica da glândula pineal, responsável pela produção de melatonina) em ratos e observar os efeitos da falta do hormônio nos tecidos metabolicamente importantes, como adiposo, muscular, fígado, sistema nervoso central e pâncreas. Dois ou três meses depois, sem nenhuma outra mudança na rotina ou na dieta, o animal já apresentava resistência insulínica, hipertensão e princípio de obesidade. Com a reposição de melatonina, o quadro era completamente revertido. Nos grupos em que a reposição começou no mesmo dia em que a glândula foi retirada, os animais nem sequer desenvolveram distúrbios metabólicos. Em paralelo, fizemos estudos com animais idosos, condição em que sabidamente há produção menor de melatonina. A reposição eliminava as alterações metabólicas tipicamente encontradas no idoso. Também demonstramos que a melatonina é essencial para que o organismo responda aos exercícios aeróbicos. Nos animais em que a glândula pineal havia sido retirada, as adaptações metabólicas benéficas que o exercício promove desaparecem. Em outro trabalho mostramos, de forma definitiva, que em ratos com diabetes tipo 1 experimental, assim como em pacientes com diabetes do tipo 1 que produzem pouca ou nenhuma insulina, há produção menor de melatonina. Esses indivíduos sofrem, portanto, todas as consequências metabólicas relacionadas com a deficiência desse hormônio. Mostramos ainda que o agente causador da queda da produção, nesse caso, é a hiperglicemia, que altera o funcionamento de algumas enzimas na glândula pineal que são responsáveis pela síntese de melatonina. Diabéticos do tipo 1 são, portanto, fortes candidatos à reposição.


Agência FAPESP – Além da hiperglicemia, o que mais pode prejudicar a produção de melatonina? 
Cipolla Neto – A principal causa de queda na produção noturna de melatonina é a fotoestimulação. A maioria das pessoas começa a produzir esse hormônio por volta de 20 horas. Quando o indivíduo se expõe à luz durante a noite, seja vendo TV ou mexendo no smartphone ou no computador, a síntese de melatonina que deveria estar ocorrendo nesse período é bloqueada. Esse pode ser um dos fatores por trás da epidemia de obesidade da sociedade contemporânea. Também há fatores relacionados com intervenções médicas. Várias drogas usadas na clínica alteram a produção de melatonina, como os betabloqueadores, os bloqueadores de canal de cálcio e os inibidores da enzima conversora de angiotensina (as três drogas são usadas contra hipertensão). Indiscutivelmente, os mais poderosos são a poluição luminosa noturna e o trabalho no turno da noite.


Agência FAPESP – O horário em que tem início a síntese de melatonina varia entre pessoas com ritmos matutinos e vespertinos? 
Cipolla Neto – Em cerca de 75% da população o início se dá por volta de 20h. Nos indivíduos vespertinos, a produção de melatonina começa mais tarde. Nos matutinos, mais cedo. Existe uma variação de acordo com o cronotipo que também define o horário em que os níveis de melatonina no sangue ficam baixos o suficiente para o indivíduo acordar.


Agência FAPESP – Mas hoje muitas pessoas são acordadas pelo despertador. 
Cipolla Neto – Esse é um fator que também pode ser prejudicial. Os indivíduos vespertinos, por terem um perfil de produção de melatonina estendido pela manhã, ficam mais privados desse hormônio quando precisam acordar muito cedo e expor-se à luz do dia.


Agência FAPESP – Como tornar a rotina menos danosa para quem não tem a possibilidade de dormir cedo ou acordar tarde? 
Cipolla Neto – Uma das coisas que têm sido sugeridas é eliminar o comprimento de onda da luz azul, de 480 nanômetros, que controla a ritmicidade circadiana e a produção de melatonina. As empresas de iluminação já estão trabalhando nesse tema. Estudos mostraram que, se o ambiente noturno estiver com baixas intensidade de luz azul, o indivíduo pode permanecer trabalhando sem ter a ritmicidade circadiana e a produção de melatonina afetadas significativamente. Mas esse é justamente o comprimento de onda emitido pelo LED de luz azul presente em computadores, televisores e smartphones. Há empresas que vendem películas para colocar na tela e filtrar a luz azul. É uma forma de lidar com o problema.


Agência FAPESP – No caso das crianças, qual seria a recomendação? 
Cipolla Neto – O perfil da produção de melatonina e a ritmicidade circadiana de crianças é completamente diferente dos adultos, mas os efeitos da iluminação noturna são os mesmos e ainda mais graves. Crianças com menos melatonina e com distúrbios de sono são fortes candidatos a distúrbios metabólicos na vida adulta. Já tem sido observado em adolescentes o crescimento brutal da resistência insulínica. Até a puberdade, o ritmo circadiano está sendo estruturado e qualquer fator que prejudique a síntese de melatonina vai afetar uma série de funções no organismo, inclusive o desenvolvimento puberal.


Agência FAPESP – Em quais casos seria indicada a suplementação de melatonina? 
Cipolla Neto – Já há respaldo internacional de várias sociedades médicas para o tratamento de alguns tipos de insônia e também do jet lag (descompensação do ritmo circadiano causada por viagens). Também há evidências poderosas de que ela pode ser um agente terapêutico importante contra o câncer, hipertensão e um regulador do metabolismo energético. Mas para essas três condições ainda está sendo estudada a forma mais adequada de tratamento.


Agência FAPESP – O senhor acha que em breve os médicos, ao tratarem obesidade, hipertensão e diabetes, vão prescrever também a melatonina ? 
Cipolla Neto – Não tenho a menor dúvida. O tratamento com betabloqueador, por exemplo, retira do paciente um componente fisiológico importante para o combate à hipertensão. Nada mais justo que nesses indivíduos se faça reposição terapêutica de melatonina. É algo que os cardiologistas estão discutindo atualmente.


Agência FAPESP – O consumo contínuo de suplemento pode causar diminuição da produção endógena? 
Cipolla Neto – Não. A melatonina exógena que o indivíduo toma é um poderoso sincronizador dos ritmos circadianos e, portanto, ajuda a regularizar a produção endógena. Mas é crucial observar que, em qualquer circunstância, o consumo de melatonina deve ocorrer somente à noite, cerca de uma hora ou 30 minutos antes de dormir.


Agência FAPESP – Se tomado corretamente o suplemento não teria efeitos colaterais? 
Cipolla Neto – Segundo a literatura, a melatonina é um agente sem qualquer efeito tóxico. O único possível problema é a alteração da ritmicidade circadiana caso o indivíduo tome no horário ou na dose inadequada. Em crianças, os cuidados precisam ser maiores. Dependendo do uso, da quantidade, pode provocar um retardo pubertário. Mas a substância é prescrita para tratar várias doenças infantis com distúrbio de sono associado, como síndrome das pernas inquietas, síndrome de Smith-Magenis e até autismo. Ao consolidar o sono, a melatonina faz com que a vigília seja mais eficiente e atua como um agente neuroprotetor.


Agência FAPESP – A dose é calculada de acordo com o peso? 
Cipolla Neto – Não. A melatonina é um hormônio caprichoso. Cada indivíduo tem uma produção diferente. O ideal seria fazer uma avaliação prévia dos níveis produzidos, mas nem sempre isso é possível. O que se aconselha é fazer uma espécie de trial clínico. Administrar na menor dose possível e acompanhar a evolução do quadro, aumentando, se necessário. Deve-se parar quando chegar no ponto em que o indivíduo se sente bem e os sinais e sintomas tiverem sido eliminados.


Agência FAPESP – Se a melatonina não oferece riscos, por que foi proibida no Brasil? 
Cipolla Neto – A Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] proibiu há cerca de 20 anos porque estava sendo feito uso inadequado. Na época, havia propagandas na televisão com pessoas famosas dizendo “já tomei minha melatonina hoje”. Isso só traz danos. Melatonina é um hormônio e tem de haver normas de administração muito bem controladas. A literatura mundial hoje conta com evidências suficientes para liberar a venda no Brasil, mas para uso sob prescrição médica.


Agência FAPESP – O senhor pretende continuar estudando a ação da melatonina? 
Cipolla Neto – Submetemos um novo projeto para avaliação no qual pretendemos estudar as consequências de tudo que descobrimos até o momento. Do ponto de vista experimental, vamos investigar como a melatonina regula o dispêndio energético promovido pelo tecido adiposo marrom – algo que ficou muito evidente nos trabalhos anteriores. Observamos que o animal que não produz melatonina gasta menos energia. Também demonstramos que a melatonina durante a gestação regula a programação metabólica do feto. Filhotes de mães privadas de melatonina durante a gestação desenvolvem um quadro metabólico com resistência insulínica e deficiência na secreção de insulina. Queremos descobrir como exatamente a melatonina interfere nessa programação. Existe uma quantidade enorme de trabalhos mostrando que a melatonina é importante na neurogênese do sistema nervoso central. Pretendemos avaliar como estão os circuitos hipotalâmicos que regulam fome, saciedade, dispêndio energético e em que fase do desenvolvimento fetal e pós-natal a melatonina é mais importante para a neurogênese. A segunda grande parte do projeto abrange os estudos clínicos. Pretendemos iniciar um grande estudo multicêntrico – envolvendo pesquisadores da USP, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Hospital Albert Einstein – sobre o papel da melatonina na regulação do metabolismo energético humano. Em uma terceira parte do trabalho, pretendemos estudar a repercussão social de se mexer com a produção de melatonina. Para isso, vamos estudar o perfil metabólico de filhos de mulheres que trabalharam à noite durante a gestação. Nesse novo Projeto Temático proposto temos como supervisor externo o professor Russel J. Reiter, da Universidade do Texas (Estados Unidos), que acabou de ser incluído na Thomson Reuters list of The World’s Most Influential Scientific Minds.

Por Karina Toledo - Agência FAPESP

Análise Diária de Mídia - 23 de janeiro de 2015

Mídia nacional avança sobre itens específicos da agenda fabril na cobertura desta sexta-feira (23), provocando um aumento expressivo da visibilidade do setor no noticiário. Em destaque está a pesquisa Investimentos na Indústria, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O levantamento, realizado entre 4 de novembro e 12 de dezembro do ano passado com 592 empresas, mostra que 78,1% dos empresários pretendiam realizar investimentos em 2014. A perspectiva para este ano, aponta o estudo, é de que 69,3% das indústrias realizem algum tipo de investimento - menor patamar em cinco anos.

Com foco na pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), VALOR ECONÔMICO destaca que o fraco desempenho da indústria em 2014, aliado às perspectivas ruins para este ano, levou o percentual de empresas que pretendem investir ao menor nível da série histórica iniciada em 2010.

Reportagem reproduz declarações atribuídas ao gerente-executivo de Políticas Econômicas da CNI, FLÁVIO CASTELO BRANCO. Na relação investimento e emprego, o economista afirma: "Se há uma perspectiva pouco favorável em termos de investimento para 2015, isso vai se refletir em um mercado de trabalho bem mais desaquecido".

VALOR acrescenta que a pesquisa também mostra que a maioria dos empresários pretende melhorar o processo produtivo atual em vez de aumentar a capacidade. A primeira opção ficou com 36,1% das respostas, contra 25,1% da segunda opção. Em terceiro lugar vem a introdução de novos produtos, com 17,8%.

BRASIL ECONÔMICO destaca que o que mais assusta o empresariado são as incertezas econômicas, citadas por 77,4% dos entrevistados. Em seguida, aparece a reavaliação da demanda, mencionada por 45% deles, e também o custo do crédito, por 34,2%.

Reportagem publica avaliação conferida ao gerente-executivo de Políticas Econômicas da CNI, FLÁVIO CASTELO BRANCO, avaliando que o pessimismo é reflexo das dificuldades enfrentadas pelas indústrias em 2014. "O desempenho do setor foi negativo e o nível de ociosidade está elevado", afirmou, lembrando que a confiança dos empresários também está abalada.

O veículo lembra que, de acordo com a CNI, o índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) caiu 0,8 ponto em janeiro em relação a dezembro de 2014 e ficou em 44,4 pontos, o nível mais baixo desde janeiro de 1999.

BRASIL ECONÔMICO relata que analista avaliam que os ajustes que estão sendo promovidos pela equipe econômica devem gerar efeitos positivos sobre a confiança dos empresários e de fato levar à retomada dos investimentos. "Contudo, o primeiro efeito das medidas é reforçar a tendência de retração da demanda e aumento das dificuldades para a indústria".

Texto traz ainda posicionamento assumido pelo economista da CNI MARCELO AZEVEDO. Segundo ele, não foi apenas a intensidade dos investimentos que mudou desde 2014, mas também o perfil dos aportes feitos pela indústria.

"Boa parte dos investimentos realizados durante o ano não foram direcionados ao aumento da capacidade, mas à melhoria da produtividade por meio da simplificação de processos", destacou. BRASIL ECONÔMICO relata que para os próximos anos a CNI espera que as medidas adotadas pelo governo incentivem a expansão da indústria.

Em reportagem curta, O ESTADO DE S. PAULO também registra publica os dados da CNI. Jornal destaca que, segundo o levantamento, apenas 41,4% das indústrias efetivaram o total de investimentos planejado ara 2014.

ESTADÃO reproduz que, de acordo com a entidade, o principal fator que limitou os aportes foi a "feita de confiança que atinge toda a indústria" em relação à economia. "A elevada incerteza econômica se compara somente à verificada em 2009, ano influenciado pela crise financeira internacional de 2008", disse a CNI.

Ainda sobre o levantamento Investimentos na Indústria da CNI, EDITORIAL ECONÔMICO do ESTADÃO afirma que existe uma correlação entre o comportamento dos investimentos industriais e a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que reflete o conjunto dos investimentos do País.  Em geral, pontua o texto, as indústrias só pretendem continuar projetos em curso - a interrupção pode implicar custos de capital e de mercado elevados.

EDITORIAL ECONÔMICO avalia que a pesquisa da CNI justifica o esforço do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para convencer as pessoas de que a economia será estabilizada, como passo inicial para reconquistar a confiança das empresas, que se traduzirá em mais investimentos.

Ainda no ESTADÃO, PANORAMA ECONÔMICO publica frase atribuída ao gerente-Executivo de Políticas Econômicas da CNI, FLÁVIO CASTELO BRANCO: "As perspectivas não são favoráveis. Claro que o mercado de trabalho vai sentir os efeitos da atividade mais fraca em 2015".

Em outra nota, PANORAMA ECONÔMICO registra que a queda no preço do petróleo e os altos estoques de algodão da China preocupam a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção em relação ao preço da pluma. Segundo a entidade, esses fatores podem trazer impactos nas safras futuras do algodão, afetando o custo da produção a longo prazo. Técnicos explicam que o recuo do preço petróleo provoca queda no valor das fibras sintéticas derivadas da commodity e usadas na fabricação de roupas, pressionando o preço do algodão para baixo.

Reportagem no VALOR ECONÔMICO informa que a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) prevê mais um ano difícil para a indústria têxtil brasileira em 2015, com queda no faturamento de 7%, para US$ 51,5 bilhões. "No ano passado, o setor apresentou queda de 4,8%, totalizando US$ 55,4 bilhões. Em reais, a receita em 2015 está estimada em R$ 139,05 bilhões, o que representa um alta de 6,8% em relação ao ano passado, quando o setor apresentou um avanço de 3,6% sobre 2013, para R$ 130,2 bilhões".

VALOR acrescenta que, em relação à produção, a associação projeta um incremento de 0,7% na área de confecção, e de 0,3% na produção têxtil. "Em 2014, a produção têxtil apresentou queda de 5%, para 2,1 milhões de toneladas. O segmento de vestuário teve retração de 2%, para 6 bilhões de peças". Segundo o presidente da Abit, Rafael Cervone, a elevação dos custos com o encarecimento da energia e da água e o aumento da carga tributária provocarão uma pressão sobre a indústria, que enfrentará dificuldades para repassar a alta ao varejo.

Como ponto de atenção, JULIO GOMES DE ALMEIDA, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, aborda, em coluna no BRASIL ECONÔMICO, o pacote tributário anunciado pelo governo no início da semana. Texto relata que, segundo o governo, as mudanças nos tributos vão gerar R$ 20,6 bilhões este ano. Esse valor, somado aos R$ 18 bilhões de economia obtidos com o endurecimento das regras do seguro-desemprego, abono e pensões, garantiria parcela significativa do superávit primário do setor público estabelecido como meta para 2015, ou seja, R$ 66,3 bilhões (1,2% do PIB).

"Como a atualização de tarifas - que eleva prontamente a inflação - e o aumento da taxa de juros promovido pelo Banco Central - que também encarece o crédito e esfria as decisões de investir - compõe o plano de governo, este deverá diminuir o poder de compra da população, reduzindo o consumo, e derrubar ainda mais os investimentos. Não é por acaso que a CNI apurou o mais baixo índice histórico de confiança da indústria neste início de 2015", avalia GOMES DE ALMEIDA.

Dados da atividade industrial na cidade de São Paulo são abordados com destaque no VALOR ECONÔMICO. Reportagem informa que, segundo dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o espaço da indústria é cada vez mais limitado na capital.

Conforme publica o veículo, de 1999 a 2012, a participação do setor na economia do município caiu de 25,5% para 18,1%. O valor adicionado bruto da indústria paulistana atingiu R$ 73,6 bilhões em 2012. "As atividades industriais no município passaram a responder por 25,5% do setor no Estado de São Paulo, ante 32,5% registrados em 1999. Em 14 anos, a fatia da indústria paulistana na nacional encolheu de 13,3% para apenas 7,6%."

VALOR avalia que, de maneira macro, a indústria tem perdido participação no PIB do país devido à baixa competitividade. "Porém, há um conjunto de fatores específicos que influenciam a retração do setor na capital. Um deles é que os serviços avançaram em ritmo acentuado. Há também um movimento de desconcentração em curso no setor".

Reportagem publica avaliação conferida ao gerente executivo de Pesquisa e Competitividade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), RENATO DA FONSECA. "Há uma migração de indústrias, não necessariamente fechamento e reabertura, mas uma expansão rumo ao interior de São Paulo e ao resto do país para se aproximar de mercados consumidores em crescimento ou outros polos logísticos. No entanto, temos que considerar também os incentivos fiscais", diz FONSECA, indicando que existe uma tendência positiva de que a distribuição geográfica das indústrias se torne cada vez mais equilibrada no país.

Reportagem acrescenta que, de acordo com o estudo da CNI "Perfil da Indústria nos Estados", a participação do Estado de São Paulo no PIB industrial nacional caiu para 29,8% em 2012 - perda de 7,9 pontos percentuais no PIB industrial nacional em dez anos. Em contrapartida, entre 2002 e 2012, as indústrias do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco e Goiás foram as que mais ampliaram suas contribuições no PIB nacional do setor.

Em texto relacionado, VALOR registra que, na avaliação de especialistas, o grande desafio para que a economia da capital paulista não sofra reduções em seu dinamismo é que a substituição da perda de participação das indústrias ocorra com incremento mais significativo de serviços modernos, de maior valor agregado, como financeiros, os ligados à tecnologia da informação, consultorias, publicidade, marketing, atividades jurídicas etc.

Informações relacionadas ao mercado de trabalho também aparecem com algum destaque no noticiário. Como ponto de atenção, CORREIO BRAZILIENSE publica entrevista com o ministro do Trabalho, Manoel Dias. Ao jornal do DF, Dias admitiu que o estoque de empregados com carteira assinada cresceu menos de 1% em 2014. Jornal do DF relata que a pequena expansão indica que foram abertas menos de 400 mil vagas no ano passado, o pior resultado desde 1999 (saldo negativo em 196 mil postos).

Mesmo com a piora do mercado de trabalho, o ministro avalia que as medidas tomadas pelo governo, que implicaram alta de juros, de impostos e de preços de energia elétrica, colocarão o país de volta aos trilhos do crescimento econômico. Dias destacou ao CORREIO ainda que as mudanças nas regras de concessão de seguro-desemprego e abono-salarial serão importantes para reduzir a rotatividade do mercado sem retirar direitos dos trabalhadores.

Sobre o assunto, O ESTADO DE S. PAULO destaca que, em meio a um cenário de ajuste fiscal, aumento de impostos e baixo crescimento econômico, o ministro do Trabalho, Manoel Dias, avalia que haverá demissões "em alguns setores" neste ano. Ele afirma que a indústria é um exemplo de setor que passa por dificuldades. "Demissão haverá em alguns setores, como está havendo na indústria", disse o ministro.

Noticiário sobre a crise enfrentada nos sistemas de abastecimento elétrico e hídrico está em evidência na cobertura e abordagens trazem associação com o setor fabril.

PAINEL, na FOLHA DE S. PAULO, informa que, além da restrição da quantidade de água destinada à agricultura, o governo de São Paulo pediu à Sabesp que elabore estudos para um plano específico de contingenciamento de água direcionado às indústrias. "O objetivo é revisar contratos para fornecimento de água mantidos por grandes consumidores com a estatal. A ideia do governo é incentivar, paralelamente, a adoção de práticas de reúso de água pela indústria, mas os mecanismos não foram definidos".

Reportagem na FOLHA DE S. PAULO relata que a crise de abastecimento de energia só não é pior por cauda da crise na indústria, cuja produção acumula queda de 3,2% de janeiro a novembro de 2014. Texto registra que, de janeiro a novembro, o consumo industrial de energia caiu 3,4%. Já o residencial subiu 3,4%. Texto registra que o diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli, disse que "se a indústria estivesse bem, seria uma catástrofe. Já teríamos, sem dúvida, um racionamento".

Nivalde de Castro, diretor do Gesel (Grupo de Estudos do Setor Elétrico do Instituto de Economia da UFRJ), compartilha da mesma opinião: "Se a indústria estivesse a pleno vapor, estaria faltando energia no país". Reportagem da FOLHA lembra que a indústria utiliza a maior fatia da energia produzida no país, embora seu peso venha caindo ano a ano, principalmente após a crise de 2009.

Como ponto de atenção, CELSO MING, em sua coluna no ESTADÃO, escreve sobre a possível volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Segundo o jornalista, o tributo "não descansa em paz. É uma alma penada, dessas que não sossegam e sempre voltam em busca de alívio para seus tormentos".

Texto lembra que a CPMF foi extinta em 2008 por ter sido entendida como tributo de má qualidade, na medida em que incide em cascata, em cada etapa da produção, e vai sobrecarregando o produto com impostos. "Esse imposto é ruim por outra razão: porque tira a competitividade nas vendas ao exterior. Ninguém exporta imposto, e sim mercadoria. Por isso, os impostos não integram o preço final do produto exportado".

MING avalia que, se o imposto voltasse a vigorar no país, ele oneraria o produto de exportação. "É impraticável desonerar a mercadoria (ou o serviço) final do que foi arrecadado antes e devolver aos contribuintes o que já tivesse sido pago em todas as fases anteriores de produção. Além disso, nenhuma economia do mundo tem CPMF em sua cesta de impostos".

Na pauta internacional, FOLHA DE S. PAULO informa que o pacote de estímulo europeu, anunciado pelo BCE (Banco Central Europeu), que impulsionou Bolsas e moedas pelo mundo, também aumentou a chance de uma valorização do real (leia mais em ECONOMIA).

Texto relata que assessores presidenciais defendem que o Banco Central a estude uma redução em suas intervenções diárias no câmbio. "O temor é que a injeção de recursos na Europa aumente a entrada de moeda estrangeira no Brasil, valorizando o real e tirando competitividade de produtos brasileiros no exterior", informa o jornal.

FOLHA registra que uma ala do governo ligada à indústria defende que o BC poderia inclusive encerrar seu programa de venda diária desses contratos, chamados de "swap" cambial. "A equipe da presidente Dilma defende a redução das intervenções porque, além do pacote europeu, o real também pode ter tendência de valorização com os juros mais elevados no Brasil, que torna a remuneração de investimentos no país mais atraente ao investidor estrangeiro".


O caso Petrobras volta a ser protagonista da cobertura politica de hoje. Dessa forma, o noticiário com foco nos desdobramentos da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, se sobrepõe, mais uma vez, a outros temas da agenda.

Manchete do jornal O ESTADO DE S. PAULO traz detalhes de um documento entregue pela defesa do vice-presidente da Engevix Engenharia, Gérson de Mello Almada, entregue à Justiça Federal. Segundo o documento, registra o veículo, “superfaturamentos em contratos da Petrobras foram usados para bancar o ‘custo alto das campanhas eleitorais’ para que o governo federal pagasse parlamentares em toca de apoio no Congresso Nacional”.

Como ponto de atenção, ESTADÃO publica, ainda com base no documento apresentado pelo empresário, que “o esquema foi montado pelo PT como instrumento para se manter no poder”. A Engevix é uma das empreiteiras alvo da Operação lava jato.

Mídia nacional também destaca a informação divulgada na edição de ontem do Jornal Nacional, da TV GLOBO, de que a Justiça Federal do Paraná quebrou o sigilo da JD Consultoria, empresa do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

FOLHA DE S. PAULO e O GLOBO reservam principais espaços do noticiário político para o assunto. Conforme o jornal paulista, a medida judicial revelou que a JD “recebeu pagamentos de quase R$ 4 milhões de três empreiteiras investigadas na Lava Jato, que apura esquema de corrupção na Petrobras: UTC, Galvão Engenharia e OAS”.

Em outra frente do noticiário, veículos continuam a abordar as divergências dentro da base aliada do governo Dilma Rousseff e reforçam o aumento da rivalidade entre o PT e o PMDB, especialmente no âmbito da disputa para a Presidência da Câmara dos Deputados.

VALOR ECONÔMICO afirma que a disputa “já desestabiliza a relação entre a bancada do PMDB e o governo”. Segundo o texto, enquanto o candidato do PT, Arlindo Chinaglia (SP), se fortaleceu, ao oficializar o apoio do PSD, o candidato do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), “aumentou a agressividade verbal, afirmando que não vai mais negociar matérias de interesse do Palácio do Planalto com o líder do governo, Henrique Fontana (PT-RS)”.

Na mesma linha, O GLOBO publica que o deputado Eduardo Cunha, líder do PMDB na Câmara e apontado como favorito na disputa à Presidência da Casa, “rebateu via Twitter as declarações dadas no dia anterior pelo líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT- RS) e anunciou que o PMDB não reconhece mais o petista como líder da base e não participará de discussões que o tenham como interlocutor”. Segundo a reportagem, as declarações azedaram ainda mais a relação do PMDB da Câmara com o governo.

FOLHA relata que a eleição para a Câmara provocou ontem nova troca de provocações entre as campanhas de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Arlindo Chinaglia (PT-SP). “Apontado como favorito, Cunha criticou o líder do governo, Henrique Fontana (PT-RS), que reclamou do peemedebista ter dito que recebeu informações de que a Polícia Federal teria montado uma gravação para incriminá-lo no escândalo da Petrobras.”

A ameaça de um racionamento de energia toma conta das primeiras páginas dos jornais de circulação nacional nesta sexta-feira. Abordagens repercutem as declarações do ministro Eduardo Braga (Minas e Energia), que ontem admitiu que o governo pode adotar medidas para tentar reduzir o consumo, caso os níveis dos reservatórios atinjam o chamado nível “prudencial” (10%).

Enfatizando um cenário pouco favorável, mídia nacional apresenta dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), apontando que em algumas regiões o baixo volume dos reservatórios das hidrelétricas está próximo a esse percentual: 17,43% no Sudeste/Centro-Oeste e em 17,18% na região Nordeste. Contrapõe, contudo, que para o ministro o Brasil “está longe” de atingir o esse limite.

Manchete da FOLHA DE S. PAULO destaca as declarações feitas por Braga e esclarece que as medidas que podem ser efetivadas, caso os reservatórios cheguem a níveis críticos “vale tanto para que seja decretado racionamento quanto para que se inicie uma campanha de racionalização”.

VALOR ECONÔMICO informa, em manchete, que os “atrasos de usinas também explicam o risco de apagão”. Veículo resume que o “Plano Decenal de Energia (2006-2015), formulado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estatal criada no governo Lula para conceber o planejamento do setor, mostra que pelo menos 33 hidrelétricas previstas para entrar em operação até este ano não saíram do papel ou tiveram o cronograma postergado”.

Já o BRASIL ECONÔMICO, também em manchete, pontua que “os governos federal e de São Paulo anunciaram ontem restrições para a captação de água nos rios Jaguari, Camanducaia e Atibaia, que compõem parte da estrutura de abastecimento da região metropolitana de São Paulo”, para enfrentar a crise hídrica no Sistema Cantareira. Texto afirma que a medida afetará a população residente em 42 cidades de São Paulo e Minas Gerais.

A participação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), é outro assunto que está em evidência na pauta do dia.

Entre os destaques, reportagem do CORREIO BRAZILIENSE publica que a diretora-gerente do FMI, Chistine Lagarde, “deu apoio ontem ao programa de ajuste da economia brasileira conduzido” por Levy. “Depois de uma reunião a portas fechadas com o ministro, Lagarde disse que Levy é "um profissional competente" e que "tem credibilidade" para fazer as mudanças que o país exige”, relata o jornal do DF.

Cadernos econômicos também reservam espaço privilegiado para a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de injetar € 1,1 trilhão até 2016 para tentar tirar a zona do euro da estagnação e evitar deflação.

Sobre a decisão, O ESTADO DE S. PAULO ressalta que “esforço sem precedentes para acabar com oito anos de crise, a medida fez o euro atingir o valor mais baixo diante do dólar em 11 anos. No Brasil, a moeda americana fechou a R$ 2,5760, menor cotação desde 3 de dezembro. Também pesou a elevação da taxa Selic para 12,25%”.




Em tom crítico ao debate que domina a disputa sucessória na Câmara dos Deputados, FOLHA DE S.PAULO afirma que “deputados e governo, engajados nessa disputa mesquinha, apequenam a Casa legislativa que, por definição constitucional, abriga os representantes do povo”. O jornal faz referência à “intensificação da rivalidade” entre os candidatos, especialmente entre Eduardo Cunha (PMDB) e Arlindo Chinaglia (PT), o que “aumenta proporcionalmente o potencial do noticiário para constranger, deprimir e rebaixar o espírito de quem o acompanhe”.

O ESTADO DE S. PAULO afirma que “se a política [de ajuste fiscal] foi mantida com firmeza, pelo menos os fundamentos da economia serão reparados e o País terá melhores condições de voltar ao crescimento”. Segundo o jornal, “voluntarismo, populismo e erros de diagnóstico empurraram o País ladeira abaixo”.

Com foco na crise do sistema elétrico nacional, O GLOBO dispara: “Depois do apagão de segunda-feira, quando 11 estados e o Distrito Federal ficaram às escuras, a tentativa do governo Dilma Rousseff de negar a crise no setor elétrico, se já era risível, ficou patética. Agora, cabe ao senador da vez no Ministério de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB-AM) - derrotado nas eleições estaduais, substituto de outro senador na Pasta, Edison Lobão (PMDB-MA) -, dar explicações inverossímeis para a queda no fornecimento de energia”.

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