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quarta-feira, 27 de abril de 2016

SP vai barrar ações na Justiça que pedem por medicamentos e “excentricidades”

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo decidiu criar uma comissão para conter ações na Justiça que pedem por medicamentos -em sua maioria, não cobertos pelo SUS, só vendidos no Exterior ou em fase experimental, sem a total eficácia comprovada. Hoje, o o governo do Estado de São Paulo gasta cerca de R$ 1 bilhão por ano para atender a essas demandas -valor acima de todo o atendimento do SUS em assistência farmacêutica, que é da ordem de R$ 600 milhões. Ainda, do total de receitas atendidas via ação judicial, 69% são de médicos da rede privada de saúde.

Outra justificativa para a medida, além dos altos custos, são ações que a secretária considerou serem abusivas. A ofensiva contra a judicialização vem logo após um pedido de prisão do secretário de Saúde, David Uip, por descumprimento de ação judicial que pedia o fornecimento do canabidiol, um dos princípios ativos da cannabis sativa utilizado para epilepsias graves.

O Ministério Público de Marília alegou que os pacientes corriam risco de morte, mas a secretaria disse que apenas estava cumprindo o prazo da Anvisa de importação. Veja o caso aqui.

Para combater o avanço da judicialização e o que a secretária de Saúde considerou uma medida “abusiva”, o governo criou uma parceria com a USP para que a instituição emita parecer sobre os pedidos. A universidade deverá levar em conta a conformidade das atuais políticas públicas de saúde e a eficácia dos medicamentos.

Assim, será possível comprovar, junto ao Poder Judiciário, os casos em que não há evidência clínica sobre a eficácia do medicamento reclamado em juízo. Ainda, a USP irá verificar se não há terapia alternativa prevista na lista federal da Rename (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais) ou quando as decisões tratarem de itens não ligados à terapia medicamentosa. Outras universidades, no interior do Estado, poderão ser acionadas para participar do processo.

Além de frear ações como essa, a nota da Secretária de Saúde, diz que a medida também visa conter o cumprimento de alguns mandados judiciais com pedidos que nem sempre tem conexão com o tratamento dos pacientes. Por meio de ações na Justiça, são pedidos sabão, absorventes íntimos, pilhas alcalinas, amido de milho, álcool gel, achocolatados diet e outros.

A secretária informa que são pelo menos 83 itens não ligados à terapia medicamentosa de pacientes.

Somente de fraldas são 57 tipos de marcas e tamanhos diferentes, para adultos, crianças e adolescentes.

Foto: Ingimage
Ações na Justiça atendem somente a 4% da população, segundo Secretária de Saúde do Governo do Estado.


Ofensiva na Justiça e queixas formais

A Secretaria informa que irá estreitar o diálogo com o Judiciário, mas que nos “casos de decisões arbitrárias e abusivas”, queixas formais serão realizadas pela pasta junto ao Conselho Nacional de Justiça.
Como abusiva, a secretaria citou como exemplo o pedido de prisão, que não levou em conta prazos de importação estabelecidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

“Uma juíza da região de Bauru chegou a estabelecer prazo de 48 horas, sob ameaça de pedir a prisão do secretário, caso o mesmo medicamento, que leva atualmente mais de três meses para ser importado, conforme as normas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), não chegasse para paciente do município de Ourinhos, no interior paulista”, diz a nota da secretária de Saúde.

Debates e audiências públicas

O governo paulista também irá mobilizar, via Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), todos os 27 secretários de Estado, que enfrentam o mesmo problema, para solicitar uma audiência junto ao presidente do Supremo Tribunal Federal visando tratar do problema da “judicialização”.

A Secretaria irá, ainda, solicitar ao Ministério da Saúde maior agilidade na incorporação de novos medicamentos à lista da rede pública de saúde, bem como que amplie os recursos destinados a São Paulo para a compra de medicamentos de alto custo.

Para monitorar e sistematizar as informações sobre as ações judiciais, a pasta irá modernizar o seu departamento de Demandas Estratégicas do SUS, com a contratação de novos profissionais, entre advogados e profissionais ligados à área de assistência farmacêutica.

“O problema da judicialização cresceu de forma exponencial e assustadora nos últimos anos, em todo o Brasil, desestruturando a lógica de funcionamento do SUS e suas competências. Com isso, têm comprometido importante parcela de seus recursos, que deveriam ser destinados para atendimento integral da população “, afirma David Uip, por meio de nota da assessoria da Secretaria de Saúde de São Paulo.

Números e pedidos na Justiça em SP

Desde 2010 a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo foi alvo de 79.557 ações judiciais para entrega de medicamentos, materiais e nutrição, entre outros itens.

Em 2015 o Estado recebeu 18.045 novas ações, contra 14.383 no ano anterior, 14.080 em 2013, 12.031 em 2012, 11.633 em 2011 e 9.385 em 2010. Atualmente a pasta cumpre o atendimento a aproximadamente 47 mil condenações, com gasto anual estimado em R$ 1 bilhão.

Do total de receitas atendidas via ação judicial, 69% são de médicos da rede privada de saúde. A pasta ainda atende a 482 ações de medicamentos e sem registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O que causa maior impacto é que 90% do valor despendido pelo Estado de São Paulo no custeio da judicialização atende a apenas 4% do total de medicamentos requeridos na via judicial. Isso significa que cerca de R$ 900 milhões são gastos para atendimento de uma camada muito pequena da população. O impacto maior nos custos é com a aquisição de imunobiológicos, principalmente em relação aos casos em que a condenação discrimina a marca do medicamento.

O exemplo disso é o remédio Lenalidomide, não registrado no Brasil, para tratamento de câncer, cujo medicamento de marca (Revlimid) custa 33 vezes mais na dosagem 10mg e 24,4 vezes mais na dosagem 25 miligramas.

A Secretaria estabeleceu um índice de ações por região do Estado, considerando o número de ações judiciais propostas em relação ao número de habitantes.

Os municípios que compõem a região de Barretos lideraram o Índice Paulista de Judicialização da Saúde em 2015, com 30,01 ações por 10 mil habitantes, seguidos dos da área de Ribeirão Preto, com 19,08 e de São José do Rio Preto, com 14,31, enquanto a média do Estado é de 4,06 ações por 10.000 habitantes.

Leia a matéria original aqui.



Jairnilson Paim fala sobre Desafios do SUS na Fiocruz, dia 2/5

Foto: Revista Radis
Um dos maiores estudiosos do Sistema de Saúde do Brasil estará no Museu da Vida no dia 2 de maio de 2016: Jairnilson Paim, da UFBA. Sua palestra será sobre “Desafios do Sistema de Saúde Brasileiro” e é uma aula aberta que integra a disciplina Fundamentos Teóricos da Saúde, Ciência e Tecnologia, ministrada pelo pesquisador José Noronha, do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS), do Icict.

Para saber um pouco mais sobre o tema abordado por Jairnilson Paim, acesse o e-book interativo “O que é SUS”, da Editora Fiocruz, veja as duas vídeo-aulas e baixe dois textos escritos pelo pesquisador no site do Icict, via link http://www.icict.fiocruz.br/content/jairnilson-paim

A aula aberta acontece das 9h às 12h30 e não há necessidade de inscrição. O Museu da Vida fica na Av. Brasil, 4.365, Manguinhos, no Rio de Janeiro (RJ).

O QUE É O SUS

Foi lançado pela Editora Fiocruz o e-book O que é o SUS, livro de Jairnilson Silva Paim que busca esclarecer o que é, o que não é, o que faz, o que deve fazer e o que pode fazer o Sistema Único de Saúde. A publicação é uma das mais procuradas na editora e já foi reimpressa cinco vezes.

A versão eletrônica recém-lançada busca oferecer uma nova experiência de leitura e traz novidades como vídeos, fotos, áudios, infográficos e outros recursos criados para complementar ou substituir partes do texto original.

A luta pelo direito à saúde e pela consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) tem se expressado a partir da articulação de trabalhadores das áreas da saúde, pesquisadores e militantes dos movimentos sociais nas últimas décadas. O livro O Que É o SUS - um dos títulos mais procurados da Editora Fiocruz, já tendo sido reimpresso cinco vezes - busca esclarecer o que é, o que não é, o que faz, o que deve fazer e o que pode fazer o SUS. Pela importância do tema e da obra, O Que É o SUS foi selecionado para se transformar no primeiro e-book interativo da Editora Fiocruz, no âmbito do primeiro edital da Faperj especialmente dedicado às editoras universitárias. O objetivo do projeto não era mudar o suporte do papel para a tela, mas oferecer uma nova experiência de leitura, onde vídeos, áudios, galerias de fotos, infográficos e outros recursos ora complementassem, ora substituíssem partes do texto original, criando uma nova textualidade eletrônica. O resultado é fruto de uma construção coletiva e, antes, do consentimento do autor, o professor da Ufba Jairnilson Silva Paim, que, generosamente, seguiu "o exemplo de João Ubaldo Ribeiro de não interferir na transformação de seus livros em filmes, novelas ou mini-séries, pois, além de outras linguagens, na realidade, tais iniciativas expressam novas criações", nas palavras do próprio sanitarista. Uma nova criação que, assim como o livro de 2009, busca contribuir para a consolidação, o fortalecimento e a expansão do SUS.

Fonte: Ascom/Icict/Fiocruz e Fiocruz Brasília

Comissões permanentes começam a funcionar semana que vem, garante Cunha

Matéria em análise no Plenário prevê o recálculo da proporcionalidade partidária após vários deputados mudarem de partido durante a "janela" que permitiu a troca de legenda
Presidente da Câmara garante que comissões permanentes vão começar a funcionar na próxima semana. Apesar de o Plenário não ter concluído, nesta terça-feira, a proposta (PRC 134/16) que altera as regras de composição das comissões permanentes da Câmara, o presidente da Casa, Eduardo Cunha, afirmou que os colegiados estarão em funcionamento a partir da próxima semana.
A proposta em análise no Plenário prevê o recálculo da proporcionalidade partidária após vários deputados mudarem de partido durante a "janela" que permitiu a troca de legenda, em março. Se o recálculo não for aprovado, Cunha disse que será mantida a regra atual, com base no tamanho das bancadas eleitas. No entanto, ele alertou que alguns partidos poderão ficar sem comando de comissão.
“Nós precisamos concluir a votação desse projeto de resolução. Se não concluirmos, vamos, na quinta-feira, escolher de qualquer maneira, seja com a regra atual ou não. Foi o que combinamos no Colégio de Líderes. Na quinta-feira, a gente escolhe. Elegemos na terça-feira para funcionar na quarta-feira. Já havia, mais ou menos, um acordo prévio de distribuição.”
Cunha também comentou o depoimento do lobista Fernando Soares ao Conselho de Ética da Câmara. Investigado na Operação Lava-Jato como operador do PMDB no esquema de propina envolvendo a Petrobras, Fernando Baiano, como é mais conhecido, disse ter entregue cerca de R$ 4 milhões para um funcionário do presidente da Câmara.
Cunha voltou a negar a acusação e disse que vai recorrer da postura do Conselho de Ética de tentar investigar além do que está definido na denúncia formal, assim como fizeram a Advocacia-Geral da União e deputados governistas que questionaram o alcance da análise do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
“Eu já apresentei defesa. Eu já desmenti. Ele não apresentou prova de absolutamente nada. Aliás, nem deveria estar sendo palco de objeto no Conselho de Ética. No Conselho de Ética, há uma representação específica sobre se supostamente eu menti sobre contas no exterior, do que ele disse que não tem nada a ver com isso. Eles querem fazer, como sempre, um carnaval sobre a história. Constrangedor é trazerem para cá algo que não tem nada a ver com a representação visando me constranger.”
Cunha também criticou a petição com 1,3 milhão de assinaturas online colhidas pela entidade Avaaz para pedir a sua cassação e entregue ao Conselho de Ética, nesta terça. E aproveitou para fazer novas críticas ao governo e ao PT.
“Eu fui eleito por 232 mil pessoas no estado do Rio de Janeiro. Não fui votado fora do meu estado. É normal e não vejo nenhum problema. Eu não enganei a população para poder obter um mandato pelo Brasil inteiro.”

O presidente da Câmara disse desconhecer o conteúdo de duas novas denúncias contra ele apresentadas pela Procuradoria-Geral da União e voltou a criticar o procurador Rodrigo Janot por suposta “seletividade e celeridade” nos processos que envolvem Eduardo Cunha.
Reportagem – José Carlos Oliveira

SUS é tema de debate durante conferência na Universidade de Harvard

A secretária de Gestão Estratégica e Participativa, Lenir Santos, representou o Ministério da Saúde no evento e apontou os avanços e os desafios do sistema de saúde público brasileiro  
A criação de um painel exclusivo sobre o tema 'saúde' foi a novidade da 2ª edição da ‘Brazil Conference at Harvard and MIT’, evento realizado nos dias 22 e 23 de abril, na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Dividido em dois momentos, o painel contou com a participação de professores universitários, empreendedores e nomes reconhecidos na cena da saúde pública, que apontaram os desafios, as inovações e os possíveis caminhos para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro.
A secretária de Gestão Estratégica e Participativa, Lenir Santos, representou o Ministério da Saúde na Conferência. No dia 22, a secretária foi uma das debatedoras do painel ‘Respostas do Sistema de Saúde Brasileiro e novos Desafios’, juntamente com o ex-ministro da Saúde Arthur Chioro, o representante da Organização Pan-americana da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil, Joaquín Molina, além do diretor da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), Adriano Massuda.
As discussões foram abertas pela professora da Universidade de Harvard Márcia Castro, que fez um diagnóstico da situação da saúde brasileira. Entre os temas citados, estavam o aumento nos casos de dengue este ano em relação a 2015, a epidemia de Zika e as correlações com implicações neurológicas e microcefalia de bebês recém-nascidos, os homicídios de jovens negros de classe baixa, a persistência da sífilis congênita e as doenças crônicas não transmissíveis.
Durante o debate, Lenir Santos ressaltou os avanços obtidos no campo da promoção da saúde e da criação de políticas sociais no Brasil nos últimos anos, que impactaram positivamente a saúde das pessoas. Entre as dificuldades, a secretária reconheceu o subfinanciamento da saúde como o principal responsável pelos problemas de consolidação da agenda da saúde brasileira.
O ex-ministro Arthur Chioro destacou os avanços que o Brasil conquistou nos últimos 27 anos, com a existência do SUS, especialmente nas políticas de imunização, transplantes, urgência e emergência, aids e saúde da família. Para Chioro, a obesidade, os homicídios, acidentes de trânsito e a persistência de doenças evitáveis são alguns dos maiores desafios para a saúde do país.
Já o representante da OPAS Joaquín Molina apresentou as ações do Brasil para o controle e acompanhamento do vírus Zika, com foco no controle do mosquito Aedes aegypti, na produção de gestão de conhecimento e na reorganização dos serviços de saúde para qualificar o atendimento à população afetada pela doença.
A avaliação do diretor da EBSERH, Adriano Massuda, é que o SUS trouxe inovações importantes, como a implantação de um modelo assistencial em rede que utiliza muito bem das estratégias de atenção básica. No entanto, a atenção especializada e a atenção hospitalar ainda carecem de melhorias estruturantes, segundo a opinião do diretor.
Indagados pelo moderador Rifat Atun, professor de Sistemas Globais de Saúde na Universidade de Harvard, sobre o que mudariam na saúde brasileira, os debatedores foram unânimes em reconhecer que a reforma da saúde do Brasil e o SUS precisam ser consolidados com mais financiamento e menos desigualdade social. Para os palestrantes brasileiros, sem democracia as conquistas já estabelecidas pelo SUS e as reformas necessárias estão ameaçadas.
Da Agência Saúde

Evento debate vigilância em saúde durante jogos olímpicos

Uma série de ações em saúde e vigilância sanitária já estão sendo implementadas na cidade do Rio de Janeiro visando os jogos olímpicos, que ocorrerão no mês de agosto. Todo o planejamento é realizado em conjunto com o estado e município do Rio de Janeiro, integrando atendimento e vigilância epidemiológica. O Brasil vai receber visitantes de todas as partes do mundo e cada um traz em sua bagagem também seus vírus e bactérias. Mas será que estamos preparados para fazer esse controle? Nossa Vigilância Sanitária já tomou medidas efetivamente preventivas? O que pode acontecer? Para debater essas e outras questões, o Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcellos retorna para mais um encontro, no dia 27 de abril, com o tema A atuação das vigilâncias do campo da saúde nas Olimpíadas de 2016. Marcado para 13h30, no salão internacional da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), o Centro de Estudos da Ensp conta com as participações de Cláudio Henriques (Devit/SVS), Arnaldo Lassance (Ensp/Fiocruz) e Rodolfo Nunes (Anvisa). Na ocasião, ocorrerá o lançamento do jogo educativo Vigilância Sanitária nos Eventos de Massa.

Este Centro de Estudos tem coordenação da pesquisadora da Ensp/Fiocruz Vera Pepe. Desde 2013, a unidade da Fundação vem debatendo as questões das vigilâncias nos grandes eventos, principalmente por conta da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. O assunto já foi tema de uma sessão intitulada Vigilância sanitária nos eventos de massa: a importância do voluntariado, realizada em maio de 2013, que contou com as presenças da gerente geral de Alimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Denise de Oliveira Resende; a representante da superintendência de Vigilância Sanitária da Subsecretaria de Vigilância em Saúde do Rio de Janeiro/SES-RJ, Jaqueline Toledo; e a integrante da Subsecretaria de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Marissol Figueiredo de Souza. A atividade, que recebeu pessoas que trabalharão como voluntários em grandes eventos, também foi coordenada por Vera Pepe, responsável ainda pelo Centro Colaborador em Vigilância Sanitária (Cecovisa/Ensp). Confira aqui as apresentações.

Sobre o lançamento do jogo educativo, Vera Pepe explica que Vigilância Sanitária nos Eventos de Massa trata dos riscos à saúde nos eventos de massa, com ênfase nas ações de vigilância sanitária, de forma lúdica, mas dirigido aos voluntários, à população em geral e aos profissionais da vigilância sanitária. Foi elaborado com financiamento da Faperj pelo Cecovisa/Ensp e pela Coordenação de Educação a Distância da Ensp/Fiocruz. “A ideia dele é como um gibi, um jogo de erros, contemplando os diferentes tipos de eventos de massa: esportivo e cultural”, explicou Vera.

Centro de Estudos da Ensp/Fiocruz em 2016

O Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcellos retomou suas atividades em 2016 debatendo o Estado da arte sobre a epidemia do vírus zika: o que já sabemos e o que ainda precisamos saber, com participação do coordenador da Fiocruz Mato Grosso do Sul, Rivaldo Venâncio da Cunha, da pesquisadora do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Maria Elizabeth Lopes Moreira, e da pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) Patricia Carvalho de Serqueira.

O segundo encontro do ano, que reforçou a atuação da Ensp em relação à epidemia, abordou o tema Zika: a ética em pesquisas e em questões de gênero, com participação do coordenador da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), Jorge Venâncio, e da pesquisadora da Universidade de Brasília Débora Diniz.

O Cenário atual das políticas de saúde no Brasil pautou o terceiro Centro de Estudos da Ensp de 2016. A atividade foi coordenada pelo pesquisador do Departamento de Ciências Sociais da Ensp (DCS) Nilson do Rosário Costa e recebeu como palestrantes Ligia Bahia, do Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva da UFRJ (Nesc), e Mario Roberto Dal Poz, do Instituto de Medicina Social da Uerj.

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias

MS lança campanha voltada à saúde dos homens gays e bissexuais

Esta é a quinta campanha voltada à valorização do direito à saúde de públicos específicos, como população de rua, negra e mulheres lésbicas e bissexuais
O Ministério da Saúde lançou nesta terça (26), durante a 3ª Conferência de Políticas Públicas de Direitos Humanos de LGBT, em Brasília, a campanha “Cuidar bem da saúde de cada um. Faz bem para todos. Faz bem para o Brasil”, com foco na saúde integral, atendimento humanizado e respeito para homens gays e bissexuais. O objetivo é informar e conscientizar toda a sociedade, bem como profissionais de saúde, trabalhadores e gestores do SUS sobre garantias ao atendimento, sem discriminação, considerando as especificidades de saúde dessa população. A campanha foi desenvolvida em parceria com o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, Juventude e dos Direitos Humanos.
Esta é a quinta etapa de uma série de campanhas realizadas pelo Governo Federal pela valorização do direito à saúde. Entre os grupos já contemplados estão: população de rua, população negra, mulheres lésbicas e bissexuais e saúde trans. Serão distribuídos 100 mil cartazes para unidades de saúde, secretarias estaduais, conselhos de saúde, Comitês de Saúde LGBT e para os serviços de assistência social e direitos humanos que atendem a essa população nos estados. Também serão veiculadas nas redes sociais mensagens e vídeos de sensibilização e informações sobre as necessidades de saúde e os direitos de homens gays e bissexuais.
Ao lançar a campanha o secretário substituto de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, André Bonifácio destacou a importância da promoção de ações que incluam públicos específicos. "Só há um caminho para o Brasil crescer: o do respeito à pluralidade, à diversidade. Sem isso, não há desenvolvimento possível. Neste sentido, esta campanha é fundamental para não deixar que os sentimentos e desejos de cidadania plena em nosso país sejam apagados em momento algum da história".
A ministra das Mulheres, da Igualdade Racial, Juventude e dos Direitos Humanos, Nilma Gomes, reforçou que a campanha espelha a intersetorialidade possível entre as políticas públicas e é resultado do esforço conjunto do governo e sociedade civil. "A luta LGBT transcende a militância, é preciso contemplar e incluí-los nas práticas, ações e políticas públicas em todas as áreas”, enfatizou.
A campanha contará ainda com uma cartilha contendo informações sobre a atenção integral à saúde desta população, voltada para trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo, recepcionistas e responsáveis por marcar consultas, atendentes, entre outros. A cartilha destaca o direito de todos à saúde com respeito e sem discriminação e aborda orientações aos profissionais no acolhimento a essa população.
SAÚDE DO HOMEM – Dados do Ministério da Saúde apontam que, no Brasil, os homens vivem 7,3 anos a menos que as mulheres. Eles também apresentam maior vulnerabilidade às doenças, sobretudo as crônicas, sendo as doenças do aparelho respiratório e do aparelho circulatório a segunda e terceira causas de internações entre os homens, ficando atrás apenas de lesões e outras causas externas, como acidentes de trânsito. A população masculina ainda acessa os serviços de saúde menos do que as mulheres, gerando impactos negativos em sua saúde. “A campanha busca também lembrar que a população de gays e bissexuais se insere nessas estatísticas de adoecimento e mortalidade masculina, reforçando que os cuidados de saúde estão além das questões de HIV/aids, hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis”, completa.
POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE LGBT – Desde 2011, com a Política Nacional de Saúde Integral LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), o Ministério da Saúde vem expandindo o acesso da população LGBT ao SUS, qualificando o atendimento a gays e homens bissexuais, com o respeito à orientação sexual e atenção às especificidades em saúde dessa população nos serviços de atenção básica, média e alta complexidade, bem como a inserção de gays e bissexuais nas ações de atenção à saúde do homem.
Para qualificar os indicadores de saúde e melhor planejar as ações de prevenção e promoção da saúde dessa população, foi feita a inclusão dos campos orientação sexual e identidade de gênero na Ficha de Notificação de Violência no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do SUS. Nessa mesma ficha foi ainda incluído outro campo para preenchimento de violência motivada por homofobia/lesfobofia/transfobia para dar visibilidade à violência sofrida pela população LGBT.
Além disso, o Ministério vem investindo na educação permanente dos profissionais, com curso sobre a Política de Saúde LGBT. Oferecido de forma gratuita e em plataforma de Ensino à Distância, o curso já envolveu mais de 18 mil pessoas inscritas. A previsão é que haja a abertura de uma nova turma em maio deste ano.
HIV/AIDS - Os homens gays e bissexuais estão inseridos entre os grupos considerados “populações-chave” para o controle da epidemia de HIV/Aids, no Brasil. Eles fazem parte do grupo de homens que fazem sexo com outros homens (HSH), que apresentam taxas de prevalência de HIV/Aids da ordem  de 10,5%; juntamente com as pessoas que usam drogas, com prevalência de 5,9%; e as profissionais do sexo, com prevalência de 4,9%.
Por isso, o Ministério da Saúde tem desenvolvido diversas estratégias que visam a prevenção de HIV/Aids e outras infecções sexualmente transmissíveis, bem como  reduzir o diagnóstico tardio do HIV/Aids, ampliando a testagem e incentivando o tratamento precoce, em especial para as populações-chave. Entre essas ações destacam-se: testes rápidos (TR) para a detecção do HIV/Aids realizados nas unidades básicas de saúde (UBS), nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e em locais diversificados para além dos serviços de saúde.
Além da distribuição gratuita de preservativos, outra medida de prevenção é a PEP sexual (profilaxia pós-exposição), que consiste no uso de medicamentos até 72 horas após a relação sexual, a distribuição gratuita do coquetel antiaids para todos que necessitam do tratamento e o Serviço de Assistência Especializada para tratamento e acompanhamento de pacientes com diagnóstico de HIV.
Por Gabriela Rocha, da Agência Saúde

Saúde confirma 1.198 casos de microcefalia no país

Dos 7.228 casos notificados até o momento ao Ministério da Saúde, 3.710 continuam em investigação e 2.320 foram descartados
Até o dia 23 de abril, foram confirmados 1.198 casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita, em todo o país. Ao todo, foram notificados 7.228 casos suspeitos desde o início das investigações, em outubro de 2015, sendo que 2.320 foram descartados. Outros 3.710 estão em fase de investigação. As informações são do novo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado nesta terça-feira (26), que reúne as informações repassadas pelas secretarias estaduais de saúde.
Do total de casos confirmados, 194 tiveram confirmação laboratorial para o vírus Zika.  No entanto, o Ministério da Saúde ressalta que esse dado não representa, adequadamente, a totalidade do número de casos relacionados ao vírus. Ou seja, a pasta considera que houve infecção pelo Zika na maior parte das mães que tiveram bebês com diagnóstico final de microcefalia.
Os 1.198 casos confirmados ocorreram em 435 municípios, localizados em 22 unidades da federação: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul. Já os 2.320 casos foram descartados por apresentarem exames normais, ou apresentarem microcefalias e/ou alterações no sistema nervoso central por causas não infeciosas.
No mesmo período, foram registrados 251 óbitos suspeitos de microcefalia e/ou alteração do sistema nervoso central após o parto ou durante a gestação (abortamento ou natimorto). Destes, 54 foram confirmados para microcefalia e/ou alteração do sistema nervoso central. Outros 167 continuam em investigação e 30 foram descartados.
Cabe esclarecer que o Ministério da Saúde está investigando todos os casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso central, informados pelos estados, e a possível relação com o vírus Zika e outras infecções congênitas. A microcefalia pode ter como causa, diversos agentes infecciosos, além do Zika, como Sífilis, Toxoplasmose, Outros Agentes Infecciosos, Rubéola, Citomegalovírus e Herpes Viral.
O Ministério da Saúde orienta as gestantes adotarem medidas que possam reduzir a presença do mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos, como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes.
Distribuição dos casos notificados de microcefalia por UF, até 23 de abril de 2016
Regiões e Unidades Federadas
Casos  de Microcefalia e/ou malformações, sugestivos de infecção congênita
Total acumulado1 de
casos notificados
de 2015 a 2016
Em investigação
Confirmados2,3
Descartados4
Brasil
3.710
1.198
2.320
7.228
Alagoas
83
57
140
280
Bahia
652
221
175
1.048
Ceará
238
84
134
456
Maranhão
101
99
42
242
Paraíba
382
112
370
864
Pernambuco
733
334
816
1.883
Piauí
22
74
61
157
Rio Grande do Norte
297
86
34
417
Sergipe
163
31
17
211
Região Nordeste
2.671
1.098
1.789
5.558
Espírito santo
100
7
24
131
Minas Gerais
51
2
50
103
Rio de Janeiro
288
42
85
415
São Paulo
161a
0
108
269
Região Sudeste
600
51
267
918
Acre
18
0
17
35
Amapá
2
4
1
7
Amazonas
9
4
4
17
Pará
26
1
0
27
Rondônia
4
3
5
12
Roraima
22
0
0
22
Tocantins
118
3
17b
138
Região Norte
199
15
44
258
Distrito Federal
2
4
31
37
Goiás
82
9
37
128
Mato grosso
116
15
74
205
Mato Grosso do Sul
2
2
14
18
Região Centro-Oeste
202
30
156
388
Paraná
6
2
25
33
Santa Catarina
2
0
3
5
Rio Grande do Sul
30
2
36
68
Região Sul
38
4
64
106
Fonte: Secretarias de Saúde dos Estados e Distrito Federal (dados atualizados até 09/04/2016).
1 Número cumulativo de casos notificados que preenchiam a definição de caso operacional anterior (33 cm), além das definições adotadas no Protocolo de Vigilância (a partir de 09/12/2015) que definiu o Perímetro Cefálico de 32 cm para recém-nascidos com 37 ou mais semanas de gestação e demais definições do protocolo.
2 Apresentam alterações típicas: indicativas de infecção congênita, como calcificações intracranianas, dilatação dos ventrículos cerebrais ou alterações de fossa posterior entre outros sinais clínicos observados por qualquer método de imagem ou identificação do vírus Zika em testes laboratoriais.
3 Foram confirmados 194 casos por critério laboratorial específico para vírus Zika (técnica de PCR e sorologia).
4 Descartados por apresentar exames normais, por apresentar microcefalia e/ou malformações congênitas confirmada por causas não infecciosas ou por não se enquadrar nas definições de casos.
a. Conforme informado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”, da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, 161 casos se encontram em investigação para infecção congênita. Desses, 39 são possivelmente associados com a infecção pelo vírus Zika, porém ainda não foram finalizadas as investigações.
b. Redução no valor após revisão e correção (erro de digitação, classificação
Por Alexandre Penido, da Agência Saúde


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