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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

ANVISA - DICOL HOJE(31), às 10h, com transmissão ao vivo pela internet// rotulagem de lactose, rastreabilidade de frutas e hortaliças, entre outros temas compõem a pauta

Rotulagem de lactose regulamenta a Lei 13.305/2016, rastreabilidade de frutas e hortaliças, adequação dos estudos de Biodisponibilidade relativa / bioequivalência de processos de medicamentos gastrorresistentes, Boas Práticas de Funcionamento das Unidades de Terapia Intensiva, serão assuntos da 3ª reunião pública de 2017 da Diretoria Colegiada da Anvisa, nesta terça-feira (31/1).

Acompanhe ao vivo a reunião da Anvisa por um dos links abaixo a partir da 10h.
http://datasus.saude.gov.br/emtemporeal (utilize o Internet Explorer)
A pauta traz ainda uma proposta de consulta pública de uma Instrução Normativa Conjunta para permitir que frutas e hortaliças possam ser rastreadas ao longo da cadeia produtiva. O objetivo da proposta e melhorar o monitoramento e controle de resíduos de agrotóxicos.
Pauta da Regulação:
II. ASSUNTOS DELIBERATIVOS DE REGULAÇÃO:
2.1. Proposta de Iniciativa:
2.1.1 Relator: Fernando Mendes Garcia Neto (Direg)
Processo: 25351.558497/2016-41
Expediente: 588747/16-0
Assunto: Proposta de Iniciativa para Prorrogação de Prazo de Adequação aos Limites de Micotoxinas em alimentos (RDC 007/2011).
Não é tema da Agenda Regulatória
Relator: A sortear

2.1.2 Relator: Fernando Mendes Garcia Neto (Direg)
Processo: 25069.521702/2016-81
Expediente: 533658/16-9
Proposta de Iniciativa para Regulamentação da propaganda de produtos fumígenos derivados do tabaco.
Agenda Regulatória: Subtema 75.1 – Propaganda de produtos fumígenos
Relator: Fernando Mendes Garcia Neto (Diare)

2.1.3 Relator: Fernando Mendes Garcia Neto (Direg)
Processo: 25351.684346/2015-8
Expediente: 972593/15-8
Proposta de Iniciativa de Resolução que prevê a adequação dos estudos de Biodisponibilidade relativa / bioequivalência de processos de medicamentos gastrorresistentes.
Não é tema da Agenda Regulatória.
Relator: A sortear

2.1.4 Relator: Fernando Mendes Garcia Neto (Direg)
Processo: 25351.524806/2016-14
Expediente: 538382/16-0
Proposta de Iniciativa para alteração da RDC n° 07, de 24 de fevereiro de 2010.
Agenda Regulatória: Subtema 62.1 - Boas Práticas de Funcionamento das Unidades de Terapia Intensiva
Relator: Jarbas Barbosa da Silva Junior (Diges)

2.2. Proposta de Consulta Pública:

2.2.1 Relator: Fernando Mendes Garcia Neto (Diare)
Processo: 25351.621654/2013-22
Expediente: 890275/13-5
Proposta de Consulta Pública sobre Instrução Normativa Conjunta para a aplicação da rastreabilidade ao longo da cadeia produtiva de frutas e hortaliças frescas, para fins de monitoramento e controle de resíduos de agrotóxicos.
Área: GGTOX/Diare

2.2.2 Relator: Fernando Mendes Garcia Neto (Diare)
Processo: 25351.337955/2010-36
Expediente: 104896/17-1
Proposta de Consulta Pública para alterar o LMR de 0,5 para 2,0 mg/kg na cultura da banana, modalidade de emprego (aplicação) foliar, na monografia do ingrediente ativo A26 – AZOXISTROBINA.
Área: GGTOX/Diare

2.2.3 Relator: Fernando Mendes Garcia Neto (Diare)
Processo: 25351.003664/2014-31
Expediente: 104870/17-8
Proposta de Consulta Pública para incluir a cultura de Eucalipto, modalidade de emprego (aplicação) pós-emergência, com Limite Máximo de Resíduo (LMR) e Intervalo de Segurança (IS) não determinados por tratar-se de culturas de Uso Não Alimentar (UNA) e incluir a cultura de Pinus, modalidade de emprego (aplicação) pós-emergência, com LMR e IS não determinados por tratar-se de culturas de Uso Não Alimentar (UNA), na monografia do ingrediente ativo I22 – IODOSSULFUROM-METÍLICO-SÓDICO.
Área: GGTOX/Diare

2.2.4 Relator: Fernando Mendes Garcia Neto (Diare)
Processo: 25351.434405/2010-85
Expediente: 104898/17-8
Proposta de Consulta Pública para inclui a cultura da soja, com Limite Máximo de Resíduo e Intervalo de Segurança não determinados, na modalidade de emprego (aplicação) foliar, na monografia do ingrediente ativo S17 – SOPHORA FLAVESCENS.
Área: GGTOX/Diare

2.2.5 Relator: Fernando Mendes Garcia Neto (Diare)
Processo: 25351.337955/2010-36
Expediente: 104893/17-7
Proposta de Consulta Pública para alterar o LMR de 0,1 para 0,7 mg/kg na cultura do arroz e altera o LMR de 0,05 para 0,3 mg/kg na cultura da banana, ambas na modalidade de emprego (aplicação) foliar, na monografia do ingrediente ativo T32 – TEBUCONAZOL.
Área Responsável: GGTOX/Diare

2.3. Proposta de Resolução da Diretoria Colegiada (RDC):

2.3.1 Relator: Fernando Mendes Garcia Neto (Diare)
Processo: 25351.211596/2016-17
Expediente: 080234/16-4
Propostas de Resoluções da Diretoria Colegiada para regulamentação da Lei nº 13.305, de 2016, que dispõe sobre a rotulagem da lactose em alimentos.
Área: GGALI/Diare

2.3.2 Relator: Fernando Mendes Garcia Neto (Direg)
Processo: 25351.273973/2014-52
Expediente: 376507/14-5
Proposta de Resolução para revisão da RDC 05/2015.
Área: GGMED/Diare


ATENÇÃO ESPECIALIZADA E TEMÁTICA DA SAS/MS é reorganizada

GABINETE DO MINISTRO
PORTARIA Nº 302, DE 30 DE JANEIRO DE 2017

O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, no uso da competência que lhe foi subdelegada pela Portaria nº 1.056, de 11 de junho de 2003, da Casa Civil da Presidência da República,
resolve: Designar
CLÁUDIA SIMONE BARBOSA PACHECO, para exercer a Função Comissionada do Poder Executivo de Chefe da
Divisão de Apoio Administrativo, código FCPE 101.2, nº 30.0119, do Departamento de Atenção Especializada e Temática, da Secretaria de Atenção à Saúde, ficando exonerada do cargo que atualmente ocupa.
RICARDO BARROS

PORTARIA Nº 303, DE 30 DE JANEIRO DE 2017

O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, no uso da competência que lhe foi subdelegada pela Portaria nº 1.056, de 11 de junho de 2003, da Casa Civil da Presidência da República,
resolve: Nomear
EDUARDO DAVID GOMES DE SOUSA, para exercer o cargo de Assessor Técnico, código DAS 102.3, nº 30.0122,
da Coordenação-Geral de Atenção Especializada, do Departamento de Atenção Especializada e Temática, da Secretaria de Atenção à Saúde.
RICARDO BARROS

PORTARIA Nº 304, DE 30 DE JANEIRO DE 2017

O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, no uso da competência que lhe foi subdelegada pela Portaria nº 1.056, de 11 de junho de 2003, da Casa Civil da Presidência da República,
resolve: Nomear
SANDRO JOSÉ MARTINS, para exercer o cargo de Coordenador-Geral de Atenção Especializada, código DAS 101.4, nº 30.0121, do Departamento de Atenção Especializada e Temática, da Secretaria de Atenção à Saúde, ficando exonerado do que atualmente ocupa.
RICARDO BARROS


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

DALINVI (daratumumabe), da JANSSEN e o Novo tratamento de câncer aprovado pela Anvisa

Foi publicado, nesta segunda-feira (30/1), o registro de um novo medicamento para o tratamento do câncer. O medicamento Dalinvi® tem como princípio ativo a substância (daratumumabe) e foi aprovado para o tratamento do mieloma múltiplo. Este tipo de câncer tem início na medula óssea. Neste caso, os plasmócitos, células que normalmente produzem anticorpos, tornam-se malignos, atingindo as demais células e ossos do corpo.  
O daratumumabe foi aprovado na Anvisa para duas indicações terapêuticas específicas. Conheça: 
  • em combinação com bortezomibe e dexametasona, para o tratamento de pacientes com mieloma múltiplo que receberam pelo menos um tratamento prévio;  
  • em monoterapia, para o tratamento de pacientes com mieloma múltiplo que receberam pelo menos três linhas de tratamento prévio, incluindo um inibidor de proteassoma (IP) e um agente imunomodulador, ou que foram duplamente refratários a um IP e um agente imunomodulador 
O que é o dartumumbe? 
O daratumumabe é um anticorpo monoclonal humano IgG1 kappa que se liga à proteína CD38 expressa em nível alto na superfície de células em diversas doenças hematológicas malignas, incluindo células tumorais de mieloma múltiplo, assim como outros tipos de células e tecidos em vários níveis. A proteína CD38 tem várias funções tais como adesão mediada ao receptor, sinalização e atividade enzimática. O daratumumabe mostrou ser um inibidor potente do crescimento in vitro de células tumorais que expressam CD38. 

O Dalinvi (daratumumabe) foi registrado na Anvisa como produto biológico novo, ou seja, é um medicamento biológico inédito no país. 

Confira na íntegra a publicação do registro do Dalinvi® (daratumumbe).


Anvisa contesta Fantástico e garante: genérico é seguro

A respeito da matéria “Fantástico testa a qualidade dos genéricos mais vendidos no Brasil”, exibida pelo programa na TV Globo neste domingo (29/01), na qual foram avaliados quinze medicamentos genéricos com os princípios ativos dipirona sódica, losartana potássica e sildenafila, a Anvisa esclarece:  

O Centro de Estudos e Desenvolvimento Analítico Farmacêutico (CEDAFAR) da Universidade Federal de Minas Gerais, contratado pela produção do Fantástico para os estudos, nunca foi habilitado pela Anvisa para realizar testes em medicamentos para efeito de análise fiscal. A análise fiscal, que é efetuada em drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, destinada a comprovar a sua conformidade com a fórmula que deu origem ao registro, segue regras definidas pela Agência, garantindo-se sempre a coleta de três conjuntos de amostras do medicamento a ser analisado; a possibilidade de o teste ser acompanhado por um perito indicado pela empresa; e sua realização exclusivamente em laboratório habilitado para esse fim. Esse rigor é necessário para evitar concorrência desleal entre fabricantes, que poderiam encomendar testes em laboratórios não habilitados apenas para gerar dúvidas sobre produtos concorrentes.

O CEDAFAR é habilitado pela Agência, assim como outros laboratórios, apenas para realizar ensaios de equivalência farmacêutica visando o processo de registro de medicamento. Esses testes são, depois de realizados, analisados tecnicamente pela Anvisa, que verifica sua consistência técnica, juntamente com outros parâmetros, e decide pela concessão do registro. O CEDAFAR já teve sua habilitação para realizar esses testes suspensa pela Agência em duas ocasiões, a última delas no período de 12/09/2015 até 03/02/2016, pois nenhum de seus equipamentos, na inspeção realizada pela Anvisa, estava calibrado de acordo com as normas vigentes. A informação de que o CEDAFAR não é habilitado para realizar testes de análise fiscal foi repassada à reportagem, mas foi sonegada pelo Fantástico aos seus espectadores, dando a falsa impressão de que o laboratório é credenciado para todos os tipos de testes.

Causou espanto, também, a alegação dada pela reportagem de que o teste de bioequivalência dos medicamentos, que é, em todo o mundo, o teste mais importante e conclusivo para definir se um genérico é realmente equivalente ao medicamento de referência, não foi realizado por “questões éticas”. Isso não é verdade. Não haveria nenhum impeditivo ético para que esses testes fossem realizados, desde que cumpridas as normativas éticas vigentes de serem submetidos e aprovados por um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) credenciado no Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) do Conselho Nacional de Saúde/MS. Pelo contrário, uma vez realizados tais testes, eles poderiam fornecer uma informação conclusiva.

Testes de bioequivalência são realizados em voluntários sadios e medem a concentração do produto no sangue, possibilitando, sem nenhuma dúvida, a avaliação definitiva sobre a ação real do medicamento no organismo humano. Os testes que foram realizados pelo laboratório contratado pelo Fantástico – de teor e de dissolução do princípio ativo – são importantes, mas não suficientes. Ou seja, não são capazes de assegurar a equivalência farmacêutica dos medicamentos genéricos com os medicamentos de referência, o que é feito pelo teste de bioequivalência, que não foi realizado para a reportagem.

Essa regra de tomar o teste de bioequivalência como o definitivo para avaliar os medicamentos genéricos é utilizada pela Anvisa, assim como pelas agências de medicamentos dos Estados Unidos, Canadá e Japão e países da Europa, entre outros.
Porém, ainda que o Fantástico tenha exibido resultados de testes realizados sem o cumprimento dos requerimentos técnicos e regulatórios para uma análise apropriada, a Anvisa analisou os resultados, enviados pelo CEDAFAR, e informa que:

1 -  Todos os lotes de medicamentos com os princípios ativos sildenafila (duas amostras) e losartana potássica (oito amostras) estavam em condições sanitárias satisfatórias, ou seja, dentro dos padrões esperados. Os próprios laudos informaram que os lotes dos medicamentos testados são equivalentes aos medicamentos de referência. Esses resultados coincidem com os testes semelhantes que os produtores são obrigados a apresentar para solicitar o pedido de registro e que são, criteriosamente, analisados pela Agência antes de conceder o registro;

2 – Quatro das cinco amostras de dipirona sódica testadas estavam em condições sanitárias satisfatórias;

3 – O lote b16d1090 de dipirona sódica solução oral 500 mg/ml, da empresa Brainfarma, apresentou resultado aparentemente insatisfatório em relação ao teste de teor.  A concentração média de dipirona encontrada foi de 92,87%, valor inferior ao estabelecido como referência, que é de 95,00%. Apesar dos exames realizados por contratação do programa Fantástico não terem validade legal, a Anvisa, cumprindo sua missão de proteger a saúde da população e como o faz com qualquer denúncia sobre irregularidades em medicamentos, já iniciou os procedimentos para apurar se, nesse lote específico, existe mesmo teor inferior ao que é obrigatório. A Agência notificou a Brainfarma a prestar informações quanto ao lote analisado. Além disso, está em curso a coleta de análise fiscal do referido produto. Esses procedimentos têm regras bem definidas para que os resultados não deixem qualquer dúvida sobre sua interpretação. Serão coletadas três grupos de amostras (prova, contraprova e testemunho) e os exames serão realizados em laboratório oficial. Vale ressaltar que, em 2014, a Brainfarma, por ocasião de renovação do registro deste medicamento, apresentou à Anvisa estudo de equivalência farmacêutica, realizado por laboratório credenciado pela Agência, que concluiu pela equivalência farmacêutica da dipirona sódica. O laudo apresentado pela empresa, na ocasião, obteve resultado de teor de 104,19%. Os testes que ora a Anvisa está determinando a realização dirimirão qualquer dúvida e permitirão o esclarecimento se esse lote do medicamento se encontra regularmente dentro dos parâmetros exigidos;

4 – Sobre possível irregularidade em um lote do medicamento losartana potássica, comprimido 50 mg, da empresa EMS S/A, é preciso esclarecer que a metodologia utilizada pelo CEDAFAR foi diferente da que está autorizada e considerada como de referência pela Anvisa para testar a equivalência farmacêutica nesse medicamento. O teor médio encontrado de losartana potássica 50mg, da empresa em questão, foi de 94,82%, valor superior ao estabelecido como referência em seu registro vigente, que é de 90,00%. Utilizar metodologia diferente significa que não é possível comparar os resultados obtidos com aqueles que deveriam ser apresentados pelo produto, não havendo base técnica e científica para considerar que pode haver irregularidades;

5 -  Sobre os resultados dos testes dos perfis de dissolução dos lotes de losartana das empresas Medley, Geolab e Pratti, a Anvisa esclarece que a comparabilidade de perfil de dissolução entre o medicamento genérico e o medicamento de referência não é conclusivo para registro ou comercialização de medicamento genérico no Brasil, bem como estabelece as principais agências regulatórias do mundo;

5.1 – Na matéria do Fantástico, os especialistas que foram ouvidos não diferenciaram “dissolução” e “perfil de dissolução”, confundindo os dois conceitos. Não sabemos se por falha na edição ou por não saberem exatamente que teste havia sido realizado. Dissolução é um ensaio utilizado para controle de qualidade, enquanto o perfil de dissolução é apropriado para o desenvolvimento de formulações. Perfil de dissolução com meios farmacopeicos não tem como objetivo prever biodisponibilidade. Ou seja, não existe uma relação científica entre o desempenho de um medicamento no teste de perfil de dissolução e o comportamento que esse produto apresentará no organismo humano. A reportagem fez, portanto, afirmações completamente desprovidas de base técnica e científica. Todas as informações relativas às metodologias foram previamente prestadas pela Anvisa à reportagem. Porém, por motivos que desconhecemos, não foram utilizadas na matéria.

5.2 – Os medicamentos genéricos à base de losartana das empresas Medley, Geolab e Pratti apresentaram à Anvisa, no momento do seu pedido de registro, testes de bioequivalência satisfatórios. Portanto, são considerados equivalentes ao medicamento de referência;

6 - Diferente do que afirma a reportagem do Fantástico, a Anvisa não foi questionada sobre quantos laboratórios utilizaram metodologias próprias no registro do medicamento losartana potássica. A reportagem perguntou quais eram as metodologias específicas usadas nos registos de cada uma das losartanas potássicas analisadas pelo CEDAFAR. A Agência informou que as metodologias não famacopeicas desenvolvidas pelos fabricantes – e que foram analisadas e aprovadas durante o processo de registro - são disponibilizadas para os laboratórios oficiais quando estes realizam análise fiscal.

7 – As normas técnicas estabelecidas pela Anvisa baseiam-se sempre nas melhores evidências técnicas e cientificas disponíveis e nas melhores práticas internacionais. Dos comitês técnicos e grupos de trabalho que auxiliam a Agência na elaboração dessas normas, participam os melhores profissionais brasileiros de diversas áreas, assegurando-se sempre a ausência de qualquer conflito de interesse e a pluradidade. Assim, não há base nenhuma para a afirmação do Fantástico de que haja “divergências” entre a Agência e especialistas.

8 – A Anvisa realiza o monitoramento permanente da qualidade dos medicamentos comercializados no Brasil.  Em 2016, a Agência suspendeu a comercialização de 95 diferentes lotes de medicamentos com suspeitas de desvios de qualidade. Essa ação decorre tanto de inspeções de rotina em fábricas de medicamentos como em razão de queixas apresentadas por pacientes ou profissionais de saúde sobre suspeita de ineficácia de um determinado medicamento ou reações adversas não previstas;

9 – A Agência não recebeu nenhuma queixa de desvio de qualidade dos lotes dos medicamentos que foram “testados” no laboratório contratado pelo Fantástico e relacionados com possível ineficácia;

10 -  Para assegurar a qualidade dos medicamentos em uso no Brasil, sejam genéricos ou de referência, a Agência desenvolve um conjunto de ações complementares que incluem: a certificação da qualidade dos produtores; a análise dos registros e modificações de pós-registro; as ações de farmacovigilância; as inspeções nos fabricantes; e um programa de monitoramento da qualidade, chamado Proveme. Em 2016, 70% das amostras analisadas no âmbito desse Programa foram de medicamentos genéricos. Nenhuma dessas amostras foi considerada insatisfatória; e

11 – O consumo de medicamentos genéricos é seguro, assim como os de medicamentos de referência. É absolutamente equivocada, e perigosa para a saúde da população, a afirmação feita pela matéria de que caberia aos médicos indicar a cada paciente qual o genérico que tem qualidade. Os médicos não dispõem de meios para fazer tal afirmação. No mundo desenvolvido, são as agências regulatórias que estabelecem as normas para assegurar a qualidade, segurança e eficácia dos medicamentos. Opiniões individuais, sem qualquer base científica, podem ensejar orientações equivocadas, baseadas em preconceitos, em desinformação ou até mesmo em interesses comercias escusos. Nesse sentido, a matéria presta um desserviço à população ao fornecer informações incompletas e não oficiais sobre a qualidade de medicamentos.

12 - A Anvisa desenvolve, de forma contínua, esse conjunto de ações para garantir a qualidade, segurança e eficácia de todos os medicamentos produzidos em nosso país, sempre em convergência com as melhores práticas internacionais.

Assessoria de Comunicação da Anvisa


OPAS convida profissionais a participar de curso online de liderança em saúde

Posted: 30 Jan 2017 09:55 AM PST

Foto: Flickr/Alex Proimos (Creative Commons)

Profissionais das Américas com experiência de gerenciamento ou direção em saúde pública, relações internacionais ou áreas afins, podem se candidatar até 15 de fevereiro a participar do Programa de Líderes em Saúde Internacional Edmundo Granda Ugalde (PLSI) 2017, realizado pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).

Em quase uma década, o programa formou mais de 350 líderes em saúde da região. A edição de 2017 começará no fim de abril e terá duração de nove meses. Os candidatos selecionados participarão de atividades virtuais de aprendizagem em coordenação com o escritório da OPAS/OMS em seu país de origem, enquanto continuarão trabalhando em suas instituições.

Também haverá uma reunião presencial em Washington (Estados Unidos) com colegas e equipe acadêmica do programa. No encontro, trabalharão sobre seu projeto final, que estará relacionado a uma área prioritária de trabalho na saúde de seu país, sub-região ou região e poderá ser desenvolvido em coordenação com OPAS/OMS, autoridades nacionais e outros organismos. O programa tem vagas limitadas e não há nenhum encargo para o participante.

O cenário atual de um mundo globalizado, somado à Agenda de Saúde das Américas 2008-2017 e à estratégia de saúde universal da OPAS, à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU e a outros acordos regionais e internacionais, requerem ações inter-setoriais e globais, assim como líderes preparados para abordar novos desafios que levem em conta tratados e acordos bilaterais e multilaterais.

O programa impulsionado pela OPAS/OMS tem como objetivo formar recursos humanos para compreender o impacto das forças internacionais na saúde, o que lhes permitirá analisar, definir, advogar e projetar efetivamente os interesses de seu país em saúde, em meio a um complexo contexto global.

Diplomacia em saúde, cooperação internacional, saúde universal, desenvolvimento sustentável, migração, saúde nas fronteiras, tensões e conflitos, acesso a medicamentos e doenças não transmissíveis são alguns dos temas a serem abordados durante o programa deste ano.

No final do curso, os participantes terão incorporado ou fortalecido seus conhecimentos sobre análise do entorno, formulação de políticas e tomada de decisões, negociação e advocacy, gestão de projetos e cooperação, produção e troca de conhecimento e comunicação.

Para mais informações sobre os requisitos e o processo de aplicação, acesse: http://www.paho.org/lideres-salud-internacional.


Ministério da Saúde divulga novos dados de febre amarela


Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, São Paulo continuam com casos suspeitos da doença. Em Goiás e Distrito Federal os casos foram descartados. 

O Ministério da Saúde divulgou, nesta segunda-feira (30), novos dados de febre amarela. Os estados notificaram à pasta568 casos suspeitos da doença. Do total, 430 casos permanecem em investigação, 107 foram confirmados e 31 descartados. Dos 113 óbitos notificados, 46 foram confirmados, 64 ainda são investigados e 3 foram descartados. Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e São Paulo continuam com casos investigados e/ou confirmados. Já Goiás e Distrito Federal descartaram as notificações. Já o caso atribuído inicialmente, como local provável de infecção ao Mato Grosso do Sul, está sendo reavaliado.

Desde o início deste ano, o Ministério da Saúde tem enviado doses extras da vacina contra a febre amarela aos estados que estão registrando casos suspeitos da doença, além de outros localizados na divisa com áreas que tenham notificado casos. No total, 7,5 milhões de doses extras foram enviadas para cinco estados: Minas Gerais (3,5 milhões), Espírito Santo (1,7 milhão), Bahia (900 mil), Rio de Janeiro (700 mil) e São Paulo (700 mil). O quantitativo é um adicional às doses de rotina do Calendário Nacional de Vacinação, enviadas mensalmente aos estados, que totalizaram 650 mil no mês de janeiro.

Distribuição dos casos de febre amarela notificados até 30 de janeiro, às 11h:
UF
Notificados
Em investigação
Confirmados
Descartados
Municípios
MG2
509
391
99
19
55
ES
37
30
5
2
14
BA
7
6
0
1
3
SP
4
1
3
0
4
DF
6
0
0
6
1
GO1
3
0
0
3
3
UF do LPI em investigação3
2
2
0
0
-
Total
568
430
107
31
80

¹ Incluídos casos notificados pela SES-DF com Local Provável de Infecção em Goiás. 
² Incluídos casos notificados pelas SES da BA, ES, GO, SP, SC, PI e DF com Local Provável de Infecção em Minas Gerais. 
3 O caso notificado pela SES SC, cujo Local Provável de Infecção (LPI) foi inicialmente atribuído ao Mato Grosso do Sul, está sendo reavaliado de acordo com relato de deslocamento para outra UF. Também foi incluído caso novo notificado pela SES SC com relato de deslocamento para várias UF

Distribuição dos óbitos de febre amarela notificados até 30 de janeiro, às 11h:
UF
Notificados
Em investigação
Confirmados
Descartados
Municípios
MG2
100
58
42
0
27
ES
7
6
1
0
4
SP
3
0
3
0
3
GO1
1
0
0
1
1
DF
2
0
0
2
1
Total
113
64
46
3
36

1 Incluídos óbitos notificados pelas SES da DF com Local Provável de Infecção em Goiás. 
2 Incluídos óbitos notificados pelas SES da BA, SP e DF com Local Provável de Infecção em Minas Gerais.

DUAS DOSES - A vacinação de rotina é ofertada em 19 estados do país com recomendação para imunização. Todas as pessoas que vivem nesses locais devem tomar duas doses da vacina ao longo da vida. Também precisam se vacinar, neste momento, pessoas que vão viajar ou vivem nas regiões que estão registrando casos da doença: leste de Minas Gerais, oeste do Espírito Santo, noroeste do Rio de Janeiro e oeste da Bahia.
O Espírito Santo, Rio de Janeiro e parte da Bahia não são áreas de recomendação para vacinação contra a febre amarela, por isso a recomendação é de que sejam vacinadas as pessoas que moram próximas à divisa com o leste de Minas Gerais. Não há necessidade de corrida aos postos de saúde, já que há doses suficientes para atender as regiões com recomendação de vacinação.
O Ministério da Saúde enviou, nesta semana, uma equipe da Força Nacional do SUS para auxiliar no atendimento aos pacientes com suspeitas de febre amarela em Minas Gerais. Ao todo, são 10 profissionais que estão no estado - entre médicos, enfermeiros e assistentes – prestando assistência aos casos da doença. Os profissionais somam esforços junto às equipes de vigilância do Ministério da Saúde, que estão no estado desde o início do mês.

Confira as áreas com recomendação de vacinação neste momento:


Por Camila Bogaz, da Agência Saúde


Governo Federal libera R$ 395,4 milhões para a saúde do Rio de Janeiro

Ministro da Saúde, Ricardo Barros, e prefeito Marcelo Crivella anunciam ainda mutirão nos seis hospitais federais para reduzir filas na capital. Em 90 dias, devem ser feitos 5,4 mil atendimentos

Com a otimização dos gastos públicos, o Ministério da Saúde conseguiu liberar R$ 395,4 milhões ao estado do Rio de Janeiro. São recursos referentes a emendas parlamentares e investimentos do Governo Federal destinados ao custeio de 160 serviços e leitos que estão em funcionamento e que passam a receber contrapartida federal para habilitação ou qualificação no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, nesta segunda-feira (30) durante encontro com prefeitos e gestores de saúde na capital carioca.

Junto com o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, será anunciado ainda a união dos seis hospitais federais do Rio de Janeiro em um mutirão de cirurgias, consultas e exames pré-cirúrgicos para ajudar a desafogar as filas de maior demanda da capital. A expectativa é que em 90 dias sejam realizadas 5.460 atendimentos. A ação, uma parceria do Ministério da Saúde com o Rio de Janeiro começa no dia 1ª de fevereiro.

Confira a apresentação, anexo

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que o objetivo do mutirão é unificar a fila de regulação de todo o país para fazer com que todos os procedimentos aconteçam permanentemente de forma integrada com todos os serviços de saúde disponíveis pelo Sistema de Regulação (SISREG). “Com fila única, daremos transparência ao processo, informando ao cidadão o seu lugar. Também teremos condições de aplicar os R$ 340 milhões que temos de orçamento este ano para mutirões de cirurgias. Para isso, é preciso que conheçamos todas as filas do Brasil para fazer a distribuição dos recursos com justiça. Não há nenhuma razão para que cada estado ou instituição tenha sua própria fila”, destacou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

“Com o apoio do Ministério da Saúde, vamos fazer mais consultas, mais exames e mais cirurgias para que possamos alcançar, num curto espaço de tempo, o sonho de diminuir essa fila. Com os mutirões de cirurgias vamos ter compras únicas, centralizadas e antecipadas, inclusive dos insumos e materiais necessários, economizando recursos e organizando todo o sistema. Reforço que estamos caminhando junto com o Governo Federal para melhorar a saúde do povo carioca”, afirmou o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella.

MAIS SERVIÇOS – Ao todo, os R$ 395,4 milhões serão destinados a 160 serviços/leitos distribuídos em 37 municípios contemplados pela iniciativa. Prioridade do ministro Ricardo Barros nos primeiros 200 dias à frente da pasta, a otimização de gastos alcançou uma eficiência econômica total no país de R$ 1,9 bilhão, possibilitando aumentar a assistência à população no âmbito da rede pública de saúde.

Do total do valor liberado para o Rio de Janeiro, R$ 106,6 milhões beneficiam serviços como leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), voltados para os atendimentos de urgência e emergência, saúde bucal, saúde do trabalhador, saúde mental, rede de atenção à urgência e emergência, além do custeio de serviços hospitalares e ambulatoriais voltados à assistência especializada, incluindo os atendimentos de média e alta complexidade, como oncologia. Há ainda R$ 288,8 milhões referentes a emendas parlamentares e R$ 3,6 milhões para custeio anual de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no município de Niterói.

Além destes recursos, a pasta também está destinando mais R$ 93,2 milhões em empenhos para a construção, reforma e/ou ampliação de 50 Academias da Saúde, um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), 283 Unidades Básicas de Saúde (Requalifica UBS), duas Estratégias Rede Cegonha, qautro Unidades de Acolhimento, três Unidades de Pronto Atendimento, três Centros Especializados em Reabilitação (CER) e duas Oficinas Ortopédicas.

SAMU – Atualmente, o estado do Rio de Janeiro possui 180 ambulâncias em funcionamento, sete Centrais de Regulação e uma Motolância, com custeio federal anual de R$ 55,1 milhões. No município do Rio de Janeiro, são 74 ambulâncias em funcionamento representando investimento federal na ordem de R$ 19,3 milhões por ano.
Em todo o Brasil, são 340 novas ambulâncias, representando investimento de R$ 67,6 milhões. A renovação da frota leva em consideração o critério de tempo de uso (cinco anos de habilitação, com veículo em funcionamento e sem renovação). Os veículos doados estarão vistoriados e disponíveis para retirada na empresa, em Cajamar/SP, até o dia 17 de fevereiro de 2017. Para o Rio de Janeiro, foram doadas 37 novas ambulâncias, beneficiando seis municípios do estado, inclusive a capital. Para custear essa estrutura, a pasta investiu R$ 7,5 milhões.

MUTIRÃO DE CIRURGIAS – Antes de informar o repasse dos novos recursos para o estado, o Ministro da Saúde e o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, anunciaram a união dos seis hospitais federais do Rio de Janeiro em um mutirão de cirurgias, consultas e exames pré-cirúrgicos para ajudar a desafogar as filas de maior demanda do município. A ação inicia no dia 1º de fevereiro e terá duração de 90 dias (de segundas a sextas-feiras). Nesse período, os hospitais federais do Andaraí, Ipanema, Lagoa, Bonsucesso, Cardoso Fontes e dos Servidores do Estado realizarão 5.460 cirurgias e consultas de pacientes encaminhados pelo SISREG, o sistema de regulação do município do Rio.

Devem ser realizadas 3.160 cirurgias de média e alta complexidade, que atualmente só são realizadas em escala maior nos hospitais do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, nas áreas: pediátrica, oftalmológica de catarata, de hérnia, de vesícula, além de procedimentos cirúrgicos de dermatologia (como biopsias). Somente de catarata serão 1.400 cirurgias; 1.030 cirurgias de vesícula; 430 cirurgias de hérnia; e 300 cirurgias pediátricas. A previsão é zerar as filas de catarata, vesícula e hérnia nos hospitais federais.

O mutirão organizado pelo Departamento de Gestão Hospitalar do Ministério da Saúde (DGH) prevê 2.300 consultas nas áreas de: urologia (com exames de próstata), oftalmológica geral e para glaucoma, e dermatológica. As consultas são necessárias para o encaminhamento de pacientes para exames complexos e para cirurgias. A ação será monitorada em tempo integral, porque visa a abertura de vagas e consequente recebimento de novos pacientes, inclusive dos outros locais do estado do Rio de Janeiro, como da Baixada Fluminense, região que é uma das principais demandadoras de atendimentos de média e alta complexidade (como hospitalizações, tratamentos de câncer e hemodiálise, por exemplo) da rede federal.

AUMENTO DOS ATENDIMENTOS – A rede de hospitais federais realizou 14% a mais de atendimentos de emergência em 2016 do que no ano anterior, chegando a 106.884 atendimentos desse tipo. As cirurgias aumentaram 9% – de 41,6 mil passaram para 45,3 mil. Também ocorreram 1,8 mil internações a mais do que em 2015, chegando a 48,7 mil, e houve 759,5 mil consultas ambulatoriais.

Atualmente, 67% dos pacientes dos hospitais federais são oriundos do sistema municipal de regulação e 33% provêm do sistema estadual de regulação, o SER.


Anexo:


Cientistas e sociedade civil unem-se contra arboviroses em Minas

Movimentos sociais feministas de Minas Gerais, profissionais de saúde que atuam no Programa de Saúde da Família (PSF) e gestores de saúde do estado são os protagonistas de um projeto que vem sendo desenvolvido por meio de uma parceria entre a Universidade de York (Inglaterra), Fundação João Pinheiro e a Fiocruz Minas.

A partir de um enfoque das ciências sociais, o trabalho visa levantar e compreender as principais dificuldades enfrentadas pelos agentes comunitários, diante da tarefa de evitar a propagação das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti (dengue, zika, chikungunya, febre amarela), também conhecidas como arboviroses.

Ao final do processo, pretende-se elaborar estratégias de ação no âmbito das políticas públicas, bem como fornecer novas ferramentas que, ao refletirem as reais demandas, possam gerar uma compreensão mais aprofundada dos desafios colocados pelas epidemias.

Com o título Movimentos Sociais feministas e a resposta à síndrome de zika no Brasil: mitigando negligências por meio de abordagens centradas na comunidade, o projeto tem como um dos diferenciais o envolvimento da Articulação das Mulheres do Campo de Minas Gerais, um espaço de interlocução que envolve diferentes movimentos, organizações e redes do estado. A intenção é dar voz a essas pessoas, de forma a descobrir demandas que possam refletir as interseções entre gênero e raça, desapropriação econômica, vulnerabilidade ambiental, demandas e acessos aos serviços de saúde e formas precárias de vida ligadas à produção agrícola em meio rural e urbano que interferem nos aspectos sociais ligados à epidemia.

“Nosso objetivo é ouvir esses grupos e, mais do que isso, levar as demandas apontadas por eles a outras esferas, como a dos gestores públicos.  E, sabendo do protagonismo da mulher nas questões que envolvem a família e a comunidade, nada mais eficiente do que envolvê-las nesse debate. Certamente, temos muito o que aprender com tais grupos que, historicamente, dependem de redes de apoio e de práticas de cuidado, que ultrapassam a esfera da assistência nos serviços públicos de saúde”, afirma a pesquisadora da Fiocruz Minas, Denise Nacif Pimenta.

O projeto, que foi pensado em 2016 e recebe financiamento da Universidade de York (Inglaterra), faz parte da rede “Ciências Sociais e Humanidades frente à epidemia de zika”, coordenada pela Fiocruz no Rio de Janeiro e foi aprovado pelo Institutional Links Zika, construído em parceria entre a Fiocruz e a British Council – Fundo Newton.

O projeto inclui três etapas: levantamento das demandas; promoção de debate e articulação entre a sociedade civil, profissionais de saúde e gestores políticos; e, finalmente, elaboração de materiais educativos, bem como de um documento com os principais resultados, que possam subsidiar ações e estratégia no âmbito das políticas públicas para melhorar os aspectos identificados como problemáticos.

“O objetivo principal do projeto é estabelecer o diálogo e promover a escuta de agentes comunitários de saúde, agentes de endemias e gerentes de unidades básicas de saúde”, explica a pesquisadora da Fundação João Pinheiro, Maria Nogueira. Segundo ela, esses são atores importantes para a compreensão do cenário sociocultural da epidemia, dos aspectos relacionados à gestão e execução de atividades diretamente relacionadas à prevenção e ao controle das arboviroses, bem como ao encaminhamento e acompanhamento dos grupos afetados.

Também estão sendo entrevistadas mulheres grávidas ou que tiveram bebês recentemente. De acordo com a pesquisadora, a intenção é dar voz a essas usuárias dos serviços, uma vez que o espaço de escuta e diálogo costuma ser negligenciado.

“Os dados apontam para um cenário de medo, preocupação, falta de informação e muitas dúvidas. No caso dos agentes, os relatos nos revelam um quadro preocupante de falta de informação, pouca ou nenhuma capacitação e falta de materiais informativos e educativos para auxiliá-los no trabalho com a população”, comenta Maria Nogueira.

Workshop

O projeto prevê a realização de um workshop, com a participação dos movimentos sociais feministas, profissionais de saúde, gestores estaduais e municipais da área de saúde e pesquisadores. Será uma oportunidade de promover o diálogo entre esses diversos públicos que raramente se encontram.
“Faremos a apresentação dos dados coletados, estimulando a discussão entre os participantes. Sem dúvida, será um momento bastante produtivo, pois pessoas de campos diferentes e com papéis tão distintos poderão dialogar”, conta Denise Pimenta.

Os materiais informativos e educativos serão produzidos até o fim deste ano. O formato e o conteúdo serão definidos depois de finalizada a fase de coleta de dados, uma vez que a tônica do projeto é gerar produtos que dialoguem com a realidade sociocultural dos atores envolvidos.

“Não queremos trabalhar na lógica da produção vertical que desconsidera as especificidades dos sujeitos sociais e o contexto no qual estão inseridos. A produção compartilhada da criatividade, aspectos lúdicos e contextualização serão ingredientes fundamentais para que possamos nos comunicar de forma mais eficaz”, destaca Maria Nogueira.

Por meio de uma parceria com a TV Minas, também serão produzidos materiais audiovisuais, que poderão ser usados em atividades de ensino a distância. Outro importante produto será um documento elaborado com base nas conclusões do workshop, que poderá ser utilizado para nortear as políticas públicas relacionadas às arboviroses.


Projeto integrador

Ao promover interação entre os movimentos sociais feministas ligados à agroecologia, profissionais de saúde, pesquisadores e gestores políticos, o projeto preenche uma lacuna importante, que é promover um melhor conhecimento do contexto social das arboviroses e maior participação coletiva na definição de políticas públicas.

“Essa melhor compreensão e interação entre os diferentes atores podem contribuir para um conhecimento mais aprofundado do problema muldimensional das arboviroses, além de uma identificação mais precisa das necessidades dos grupos mais vulneráveis, permitindo assim a definição de políticas públicas mais eficazes e inclusivas”, destaca o pesquisador da Universidade de York, João Nunes.

Segundo o pesquisador, a recente epidemia de zika trouxe algumas lições importantes não apenas para os gestores, mas também para os pesquisadores na área de saúde. Para ele, a situação demonstrou, primeiramente, as insuficiências de políticas centradas no controle químico do vetor, que abordam o problema como uma questão meramente pela via biomédica, focadas no desenvolvimento e aplicação de instrumentos técnicos ou farmacológicos, independentemente do contexto político, econômico e social.

Ainda de acordo com o pesquisador, a resposta à epidemia de zika também demonstrou os limites de uma estratégia voltada para a responsabilização individual, ou seja, uma estratégia que se baseia na alteração de comportamentos individuais, sem considerar o ambiente e contexto social no qual as decisões individuais são tomadas. Para Nunes, a epidemia de zika revelou ainda até que ponto a vulnerabilidade às arboviroses é condicionada por determinantes econômicos e de gênero.

“As populações economicamente mais carentes e, principalmente, as mulheres e seus filhos em situação de extrema carência estão não apenas particularmente vulneráveis às doenças, mas também numa situação de difícil acesso aos mecanismos de resposta a estas doenças, em especial o acesso aos serviços de saúde. Essa dimensão social e política tem sido negligenciada pelas atuais políticas de controle das arboviroses, o que se repete para a epidemia de zika”, avalia.

Para a pesquisadora Denise Pimenta, as ciências biomédicas e as ciências sociais e humanas tendem a não dialogar entre si. Dessa forma, as ciências sociais têm sido sistematicamente excluídas da discussão e delineamento das políticas e campanhas de prevenção e controle das arboviroses.

“Os campos científicos não se falam nem trocam experiências, não participam dos mesmos eventos científicos, não leem nem publicam nas mesmas revistas, não participam dos mesmos comitês científicos e de delineamento de políticas públicas”, afirma. Na opinião da pesquisadora, isso agrava ainda mais a dificuldade de produção mais ampla do conhecimento social necessário para compreensão integrada da problemática da prevenção e controle das arboviroses.

“Esse projeto busca exatamente atuar nessa questão: unir esforços e conhecimento científico, bem como da ciência biomédica e das ciências sociais e humanas”, diz.

Keila Maia (Fiocruz Minas)


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