Destaques

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Especialistas cobram do governo detecção da Atrofia Muscular Espinhal pelo Teste do Pezinho

Diagnóstico precoce da doença faz diferença no tratamento, dizem debatedores

Elaine Menke/Câmara dos Deputados


Eduardo da Fonte quer garantir acesso a novas medicações para crianças com a doença

Especialistas e familiares de pacientes cobraram do Ministério da Saúde a antecipação da quinta etapa do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), para que o chamado Teste do Pezinho, que detecta doenças genéticas, possa incluir com mais rapidez a Atrofia Muscular Espinhal (AME).

Em audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara nesta terça-feira (30), a secretária de atenção especializada à saúde do Ministério da Saúde, Maira Botelho, afirmou que a inclusão da doença vai ser antecipada para a quarta fase, junto com a detecção de problemas no sistema imunológico, mas não estipulou prazo para a mudança.

Uma lei sancionada em maio do ano passado (Lei 14.154/21), que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente, amplia de 6 para 53 o número de doenças que podem ser rastreadas pelo Teste do Pezinho. A norma prevê que essa ampliação se dê em cinco fases e a Atrofia Muscular Espinhal estaria na última etapa (veja quadro abaixo).

A doença é rara, degenerativa, transmitida de pai para filho e progressiva. Atinge os neurônios motores, prejudicando, além da mobilidade, funções como a respiração e a deglutição. Não há cura, mas a detecção e o tratamento precoces dão mais qualidade de vida aos pacientes.

Tratamento
Neurologista e membro do Instituto Nacional de Atrofia Muscular Espinhal (Iname), entidade da sociedade civil, Edmar Zanoteli estima entre 260 e 470 casos da AME anualmente no Brasil e diz que mais de 50% dos casos são da forma mais grave da doença e que 90% das crianças não sobrevivem ou se tornam dependentes de ventilação mecânica para respirar.

Um medicamento já está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e outros dois, já aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), estão em processo de incorporação.

A partir de estudos científicos, o neurologista Edmar Zanoteli aponta a eficácia dos tratamentos que começam precocemente. “As crianças que receberam essas terapias numa fase pré-sintomática tiveram um desfecho extremamente favorável: todas se mantiveram vivas, fora de ventilação mecânica, sem necessidade de gastrostomia (abertura no estômago para a administração de alimentos) e adquirindo marcos motores tanto para sentar como para andar."

O deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), um dos parlamentares que pediram a realização da audiência pública, ressaltou as dificuldades de muitas famílias, que muitas vezes precisam apelar para a Justiça para conseguir a medicação. Ele se assustou ao saber que o preço do remédio atualmente é de mais de R$ 6 milhões.

“Não é só identificar a AME logo no Teste do Pezinho, é também dar acesso às crianças a essa medicação. Vamos discutir se vamos quebrar patentes, vamos discutir todas as situações, mas nós temos a obrigação de dar acesso a quem tem AME a essa medicação, (assim) como também outras doenças.”

Billy Boss/Câmara dos Deputados


Maíra Botelho diz que tamanho do país e as diferenças regionais são dificuldades para ampliação do teste

Para a presidente da Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal (SBTEIM), Tania Bachega, a antecipação da inclusão da Atrofia Muscular Espinhal no Teste do Pezinho é essencial, mas antes é preciso reduzir as diferenças regionais para a realização do exame.

Segundo ela, estados do Norte e Nordeste têm cobertura abaixo de 75%, demoram a fazer a coleta do teste na primeira consulta no bebê e têm problemas de transporte a acondicionamento das amostras.

A endocrinologista lista ainda outras dificuldades para o tratamento da Atrofia Muscular Espinhal. “Fazer a triagem neonatal é a ponta do iceberg, porque um bebê com teste de triagem neonatal positivo é um exame suspeito. Rapidamente ele precisa ser localizado e convocado para fazer um teste mais específico, que definitivamente dirá se ele tem a doença ou não. Consequentemente o outro passo é ter uma equipe multidisciplinar para atender e fornecer a medicação.”

Problemas regionais
O tamanho do País e as diferenças regionais foram elencados pela representante do Ministério da Saúde na audiência, Maíra Botelho, como dificuldades para a ampliação do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN). Ela informou que os investimentos anuais são de R$ 95 milhões e a cobertura média é de 80% dos três milhões de bebês nascidos no País.

Maíra relatou aos deputados barreiras encontradas na atuação dos estados e municípios. “Nós temos estados aqui que nós tivemos que instaurar auditoria para se implementar a triagem que há mais de dois anos não realizava, simplesmente deixou de realizar", reclamou.

Além disso, a representante do Ministério disse que há problemas com o tempo dispendido entre coleta do material e a entrega de resultados. "Problemas de coleta nas UBSs (Unidade Básica de Saúde) que não têm carro pra levar ou não disponibilizam carro pra levar e ficam lá, acondicionando um volume maior pra depois mandar”, criticou.

Durante a audiência pública, a especialista em doenças raras Vanessa Romanelli destacou a necessidade de uma equipe especializada assessorar as diversas esferas de governo na adoção de mudanças no programa e recomendou uma reorganização para a realização do Teste do Pezinho.

“Talvez se a gente elencar alguns centros específicos, alguns serviços de referência no Brasil para atender uma região um pouco mais ampla, a gente consiga fazer essa triagem de uma forma mais fácil”, sugeriu.

Testemunho de mães
No debate, Suhellen Oliveira, mãe de dois meninos com Atrofia Muscular Espinhal, relatou as diferenças nas condições de saúde da criança de 10 anos, que não teve o diagnóstico precoce, e do menino de 2 anos, que teve a doença detectada cedo e conseguiu preservar alguns movimentos.

Fátima Braga, mãe de um rapaz de 21 anos, lembrou o impacto psicológico, emocional e o estigma social e acrescentou que o orçamento doméstico também é afetado, porque habitualmente um familiar tem que abandonar o trabalho para cuidar do paciente. 



Reportagem - Cláudio Ferreira
Edição - Geórgia Moraes

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Fonte: Agência Câmara de Notícias

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Conexão Brasília com o jornalista Olho Vivo Edmar Soares

30.08.2022 – TERÇA

- Seis medidas provisórias estão na pauta do Plenário desta terça-feira

Sessão da Câmara está marcada para as 13h55

* Dentre elas, a MP 1114/22, que permite o uso do Fundo Garantidor da Habitação Popular (FGHab) para os financiamentos do programa Casa Verde e Amarela. O fundo foi criado para o programa Minha Casa, Minha Vida. Ele garante o financiamento e é utilizado para pagamento de prestações em caso de desemprego, morte ou invalidez permanente. O relatora é o deputado paranaense Marco Brasil ( PP-PR)

- Congresso derruba rol taxativo da Agência Nacional de Saúde Suplementar

*Projeto de lei determina que operadoras de saúde terão de pagar tratamentos que não constam na lista da ANS; texto foi aprovado na Câmara, no Senado e agora segue para sanção presidencial

- Após debate, Ciro Gomes ataca saúde de Lula e apaga publicação

Tuite chegou a quase 5.000 curtidas e mais de 3.500 compartilhamentos antes de ser deletado da rede social do pedetista

- Moraes fará nova reunião sobre sistema eleitoral com ministro da Defesa

*expectativa é que a nova reunião aconteça na quarta-feira, 31, às 10h, na sede do Tribunal Eleitoral.

- Petrobras anuncia redução dos preços da gasolina de aviação em 15,7%

Medida começa a valer a partir de quinta-feira, 1º; essa é a segunda queda seguida nos valores do combustível

- Bolsonaristas ironizam fala de Lula sobre ter sido absolvido pela ONU

Em abril deste ano, o Comitê de Direitos Humanos da ONU concluiu que Lula não teve um julgamento imparcial

*A afirmação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante o debate desse domingo (28/8), de que havia sido inocentado na Organização das Nações Unidas (ONU) causou um frisson nos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais

- TSE proíbe Roberto Jefferson de participar do horário eleitoral gratuito

Ex-deputado disputa o Palácio do Planalto, mas está cumprindo prisão domiciliar. Suspensão valerá até Justiça Eleitoral decidir sobre sua candidatura

- Eduardo Cunha aparece no horário eleitoral e liga campanha a Bolsonaro

A campanha de Eduardo Cunha está sub judice. Ele tenta convencer a Justiça de que houve vícios no processo que culminou na perda do mandato em 2016

- PT edita fala de Bonner e compra anúncio no Google para descolar Lula de corrupção

O partido gastou mais de R$ 100 mil em anúncios no YouTube e no Google com defesas de Lula. Na plataforma de vídeos

- Campanha de Bolsonaro em festa por um número da pesquisa Ipec

Campanha de Jair Bolsonaro celebrou aumento da rejeição do ex-presidente Lula aferido pela pesquisa Ipec

- Campanha decide que Bolsonaro irá aos próximos debates na TV

Após reunião na tarde desta segunda-feira, campanha avaliou que exposição seria benéfica ao presidente

- Mercado de trabalho gerou quase 219 mil vagas em julho, mostra Caged

O saldo em julho, decorrente do total de contrações menos demissões, é inferior ao registrado em junho e no mesmo período de 2021

- Brasil tem 34 mil vagas em 135 concursos, com salários até R$ 33 mil

O maior salário é para o cargo de procurador no certame do Ministério Público do Trabalho (MPT), em Brasília

*O concurso do Senado Federal abre 1.014 vagas para as carreiras de procurador, analista, advogado, consultor e técnico. Dentro do total anunciado, apenas 22 são imediatas, ficando as 992 restantes destinadas a compor o cadastro reserva

Justiça do Rio decreta prisão preventiva de cônsul alemão e envia seu nome para a Interpol

Uwe Hahn foi denunciado, nesta segunda-feira, pelo homicídio do belga Walter Biot, com quem morava em Ipanema

Exonerar a pedido o servidor RENATO ALENCAR PORTO do cargo efetivo de Analista Administrativo Classe S Padrão II do quadro de pessoal efetivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária

DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO

Publicado em: 30/08/2022 | Edição: 165 | Seção: 2 | Página: 119

Órgão: Ministério da Saúde/Agência Nacional de Vigilância Sanitária

PORTARIA Nº 712, DE 25 DE AGOSTO DE 2022

O Diretor-Presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no uso das atribuições que lhe confere o art. 172, VI, aliado ao art. 203, III, § 3º do Regimento Interno aprovado pela Resolução de Diretoria Colegiada - RDC nº 585, de 10 de dezembro de 2021, resolve:

Exonerar, a pedido, a partir de 8/08/2022, o servidor RENATO ALENCAR PORTO, matrícula SIAPE nº 1489666, do cargo efetivo de Analista Administrativo, Classe S, Padrão II, código de vaga nº 784291, do quadro de pessoal efetivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

ANTONIO BARRA TORRES

Este conteúdo não substitui o publicado na versão certificada.

Como a MSD está usando a impressão 3D para criar soluções inovadoras


A tecnologia 3D está ajudando a otimizar fluxos de trabalho, reduzir os tempos de resposta, reduzir custos e impulsionar a inovação

A organização 3D Technologies (3DT) da MSD está transformando a maneira como trabalhamos na descoberta, desenvolvimento e comercialização de nossos medicamentos e vacinas para a saúde humana e animal.

E, assim como a realidade virtual, a realidade aumentada e a inteligência artificial estão ganhando popularidade rapidamente, a impressão 3D chamou a atenção de equipes em nossa empresa que estão usando produtos 3DT em laboratórios, locais de fabricação e até no espaço sideral.

O que é impressão 3D?

Também conhecida como manufatura aditiva, a impressão 3D é um método de criação de um objeto tridimensional, camada por camada, usando software CAD – projeto assistido por computador. Difere da fabricação tradicional em que um projeto final é cortado de um bloco maior de material. Como resultado, a impressão 3D cria menos desperdício de material e permite maior liberdade de design.

“Esta tecnologia transformadora continuou a crescer em suas capacidades e impacto”, disse Marc Durante, diretor da 3DT. “Está realmente evoluindo para o que talvez seja uma das maiores vantagens na corrida pela inovação nas ciências da vida e além.”

Mais do que apenas imprimir: uma abordagem híbrida

A equipe de engenheiros e inventores da 3DT fornece recursos de engenharia, design e fabricação empresariais que também aproveitam tecnologias tradicionais como moldagem por injeção, usinagem, conformação térmica, fundição e corte a jato de água e laser. Essa abordagem híbrida permite que a 3DT resolva com eficiência desafios de negócios exclusivos, desde a produção de peças de fabricação difíceis de encontrar ou prototipagem de tecidos e células para novos estudos de teste até a transformação regular de ideias esboçadas em guardanapos em projetos viáveis.

“Todo mundo que vem aos nossos laboratórios pela primeira vez fica genuinamente chocado com tudo o que é possível com nosso conjunto de recursos 3DT à sua disposição. Quando eles concluíram seu primeiro projeto conosco, sua mentalidade em relação à impressão 3D mudou para sempre”, disse Durante.

De fato, Durante e sua equipe projetaram o hardware usado em um recente experimento do MSD Research Laboratories que decolou para a Estação Espacial Internacional . O dispositivo impresso em 3D, que recebeu elogios por sua facilidade de uso, foi projetado para utilizar seringas relativamente baratas para uma série de experimentos, abrindo a oportunidade para outros pesquisadores que estão investigando reações químicas de ativação no espaço

A impressão 3D impulsiona a inovação e apoia nossa pesquisa

A 3DT é um viveiro de soluções prontas para uso e inovações revolucionárias com seis a sete novas solicitações por dia - a maioria das quais são invenções completamente novas - e quase 3.500 projetos 3D concluídos (um número que continua a dobrar a cada ano ), várias patentes e quatro laboratórios em todo o mundo (Nova Jersey, Pensilvânia, Irlanda, Cingapura) com um quinto em andamento (América Latina).

“Estamos rapidamente nos tornando a linha de frente para soluções personalizadas em toda a empresa”, disse Durante.

Alguns exemplos do trabalho da equipe incluem:

Melhorar o enchimento das cápsulas

A 3DT projetou e imprimiu garras e blocos de preparação personalizados para interagir com um braço robótico para encher cápsulas usadas em ensaios clínicos de fase inicial. Isso resultou em economia de custos e melhoria no tempo de resposta e na segurança dos funcionários.

 Iluminando o impacto da droga nos peptídeos nasais

A 3DT criou moldes nasais para estudar os padrões de deposição de drogas inaladas. Os modelos anatomicamente corretos permitiram testes laboratoriais mais eficientes com maior exatidão e precisão e melhor tempo de resposta nas decisões de formulação.

Contando piolhos do mar em Vaki, Islândia

A expansão da criação de salmões e trutas na Europa, Canadá e Chile foi acompanhada pelo aumento das infestações de piolhos do mar entre os salmões. Caixa impressa em 3DT para duas câmeras de biomassa e unidades de contagem de piolhos do mar que podem suportar as pressões e temperaturas das águas geladas do Oceano Ártico com mais de 40 metros de profundidade.

'A tecnologia 3D é limitada apenas pela imaginação'

O premiado 3DT da MSD provou ser um centro de excelência em nossa empresa e também está ajudando a estabelecer novos padrões em todo o setor de ciências da vida. Olhando para o futuro, o impulso certamente continuará.

“A tecnologia 3D é a harmonização definitiva de mídias digitais e físicas, e limitada apenas pela imaginação de cada um.”

  • Marc Durante, diretor, 3DT da MSD

“Adoraríamos chegar a um ponto em que os colegas de nossa empresa sintam a liberdade de serem seus próprios inventores e olharem para o 3DT desde o início para trazer a arte do possível. No final, estamos todos trabalhando para o mesmo objetivo: levar nossos medicamentos e vacinas para aqueles que precisam deles o mais rápido possível”, disse Durante.

https://www.msd.com

8ª edição do Healthcare Innovation Show

8ª Edição Presencial e Digital!

No HIS - Healthcare Innovation Show, você vivencia conteúdo especializado e conhece fornecedores de tecnologia e inovação, que apresentam soluções e produtos para o setor de healthcare. E ainda, possibilita que você participe de reuniões com seus pares e com a indústria de saúde.

Na edição 2021, 110 grandes nomes nacionais e internacionais, divididos em 10 trilhas de conteúdo, promoveram mais de 50 horas de conversas, debates e entrevistas de alto nível. Em 2022, a 8ª edição do Healthcare Innovation Show será especial: em uma experiência híbrida, físico e digital se unem para abrir ainda mais possibilidades de participação . A jornada de conteúdo do HIS - Healthcare Innovation Show proporciona uma verdadeira imersão em tecnologia, inovação e experiências que aproximam o mercado e ajudam a construir o futuro da saúde no Brasil.


Saiba mais em:


Senado aprova obrigatoriedade de cobertura de tratamentos fora do rol da ANS

Da Agência Senado |Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária semipresencial.   Na ordem do dia, o PL 2.033/2022, projeto de lei que obriga planos de saúde a cobrir tratamentos não previstos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).   À tribuna, relator do PL 2.033/2022, senador Romário (PL-RJ), e Isaura Sarto, mãe atípica, advogada e ativista da inclusão, comemoram aprovação do projeto que acaba com o caráter taxativo do rol de procedimentos da ANS e amplia a cobertura dos planos de saúde sobre exames, medicamentos, tratamentos e hospitais. O texto vai a sanção.  Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O projeto foi relatado pelo senador Romário

Roque de Sá/Agência Senado›‹›

Proposições legislativas

PL 2033/2022

O Plenário do Senado aprovou nesta segunda-feira (29) o projeto de lei que derruba o chamado “rol taxativo” para a cobertura de planos de saúde (PL 2.033/2022). Pelo texto, os planos de saúde poderão ser obrigados a financiar tratamentos de saúde que não estejam na lista mantida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

O projeto veio da Câmara dos Deputados e foi aprovado sem mudanças. Sendo assim, ele segue agora para a sanção presidencial.

O “rol taxativo” vem de uma interpretação da lei que rege os planos de saúde (Lei 9.656, de 1998). Ela diz que a cobertura dos planos deve ser estabelecida pela ANS, que mantém o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde (Reps). Em junho, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) havia julgado que os planos só estariam obrigados a financiar tratamentos listados no Reps.

O projeto de lei apresentado em reação à decisão do STJ determina que o Reps será apenas a “referência básica” para a cobertura dos planos de saúde. Um tratamento fora da lista deverá ser aceito, desde que ele cumpra uma das seguintes condições:

tenha eficácia comprovada cientificamente;

seja recomendado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec); ou

seja recomendado por pelo menos um órgão de avaliação de tecnologias em saúde com renome internacional.

O senador Romário (PL-RJ), relator do projeto, registrou o grande público nas galerias do Plenário para acompanhar a votação. Ele destacou que a causa reuniu famílias e entidades de defesa do direito à saúde, e classificou a decisão do STJ como “injusta” e “a pior possível”.

— Hoje é um dia histórico, um dia em que a sociedade brasileira se mobiliza e vence o lobby poderoso dos planos de saúde. O rol taxativo é o rol que mata. Vidas humanas importam e a ninguém pode ser recusado um tratamento de saúde — afirmou.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, elogiou Romário pela relatoria e comemorou a aprovação do projeto. Ele também registrou a participação de cidadãos durante a votação.

— Cumprimento especialmente as mães que aqui estão, imbuídas dessa luta muito justa, muito humana e que teve o reconhecimento do Congresso Nacional.

Todos os senadores que se manifestaram falaram a favor do projeto e viram a sua aprovação como uma vitória. A senadora Zenaide Maia (Pros-RN) explicou que um dos efeitos prejudiciais do “rol taxativo” era demorar para reconhecer doenças raras.

— A maioria das doenças raras levam anos para ter uma CID [Classificação Internacional de Doenças]. Os pais estavam perdendo o tratamento dos seus filhos, com eficácia terapêutica confirmada.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que a aprovação do projeto de lei é uma resposta à pressão exercida pelos planos de saúde, que se colocavam a favor da manutenção do “rol taxativo”.

— O lobby dos planos de saúde é o mais poderoso do Congresso Nacional. Ele captura as agências que deveriam ter a responsabilidade de regulá-lo, como é o caso da ANS. Eu imagino as pressões que [o senador Romário] deve ter sofrido. A ganância deles não pode ser maior do que a vida.

O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) observou que o texto aprovado não está “liberando geral” e exigindo a cobertura de qualquer tratamento de saúde, pois há critérios para a adoção. O senador Flávio Arns (Podemos-PR) também fez essa ressalva, apontando que a decisão pelo tratamento caberá aos médicos.

— A saúde apresenta um quadro de diversidade extrema, com detalhamentos que têm que ser abordados com competência pelos profissionais da saúde que vão indicar o que de melhor pode acontecer para [o paciente] — disse Arns.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Cobertura vacinal no Brasil está em índices alarmantes

IOC/Fiocruz

Tendo em vista as sucessivas e alarmantes quedas na cobertura vacinal no Brasil, em especial, nos índices referentes à imunização infantil, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) reforça um importante recado à sociedade. Em recente vídeo, oito cientistas empenhados em conhecer melhor as doenças que afetam a saúde da população, fizeram uma pequena pausa em suas pesquisas para enfatizar a necessidade de a população estar com as doses em dia.


Aliadas na prevenção de adoecimentos e mortes, as vacinas têm a missão de proteger o corpo humano: elas 'ensinam' o sistema imunológico a combater vírus e bactérias que desafiam a saúde pública.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, a cobertura vacinal da população vem despencando, chegando em 2021 com menos de 59% dos cidadãos imunizados. Em 2020, o índice era de 67% e em 2019, de 73%. O patamar preconizado pelo Ministério da Saúde é de 95%.

Poliomielite e sarampo no centro das atenções

Até meados de 1980, a poliomielite causava paralisia em quase 100 crianças por dia no planeta, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Somente no Brasil, foram registrados quase 27 mil casos da doença entre 1968 e 1989, ano da última notificação no país. Em 1994, as Américas receberam o certificado de eliminação da doença. 

Porém, há alguns anos o Ministério da Saúde brasileiro vem alertando para um possível retorno da doença por conta dos baixos índices de vacinação. Em 2021, menos de 70% do público alvo estava com as doses em dia, frente aos mais de 98% em 2015. 

Com o sarampo a história não é diferente. Enquanto de 1990 a 2000, o Brasil registrava mais de 177 mil casos, campanhas de vacinação levaram o país a receber o certificado de eliminação da doença em 2016. 

No entanto, em 2019, o país perdeu o reconhecimento após não conseguir controlar um surto iniciado no Norte, em 2018, que se espalhou para os demais estados.

Óbitos por febre amarela e gripe

Prevenível por meio de vacinação desde o final da década de 1930, a febre amarela vitimou milhares de brasileiros nos últimos anos, com centenas de óbitos. 

Devido à baixa cobertura vacinal, o país contabilizou somente entre 2016 e 2018 mais casos do que em em 55 anos de história: foram 1.150 casos e 407 mortes de 1960 a 2015, contra 2000 notificações e 670 óbitos de 2016 a meados de 2018. 

Em relação à gripe a situação é a mesma. Mesmo com campanhas anuais de vacinação, muitas pessoas não têm comparecido aos postos de saúde para receber o imunizante. O resultado, mais uma vez, é o aumento de casos e mortes. A gripe levou à óbito mais de 1.700 brasileiros somente nos primeiros dois meses de 2022.

Vacinação no SUS

A população brasileira tem acesso gratuito a todas as vacinas recomendadas pela OMS - incluindo imunizantes direcionados a crianças, adolescentes, adultos e idosos. Ao todo, são mais de 20 vacinas com recomendações e orientações específicas para crianças, adolescentes, adultos, gestantes, idosos e indígenas. Recentemente, o país incluiu em seu calendário a imunização contra a Covid-19. 

Há quase três décadas, a Lei nº 8.069, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, torna obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias.

E, de acordo com o decreto nº 78.231 de 1976, é dever de todo cidadão submeter-se e os menores dos quais tenha a guarda ou responsabilidade, às vacinações obrigatórias definidas pelo calendário nacional de imunizações.

Fiocruz isola o vírus monkeypox e registra sua estrutura detalhada

IOC/Fiocruz

Imagem obtida por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) mostra o momento em que uma célula sofre processo de degeneração após infecção pelo vírus monkeypox.

Alteração na célula causada pela infecção viral (foto: Milene Dias Miranda, IOC/Fiocruz)

Para a captura do efeito citopático em monocamada, como é chamado cientificamente, foi realizada a inoculação da amostra clínica de um paciente infectado em células de linhagem Vero, modelo frequentemente utilizado para ensaios in vitro e isolamento viral. Este procedimento foi realizado em laboratório de biossegurança nível 3 (NBA3) do IOC/Fiocruz. 

Em outro clique, obtido em um microscópio eletrônico de transmissão, é possível visualizar de forma ampliada a ultraestrutura da célula após replicação do patógeno, mais precisamente, infectando o citoplasma, região onde se encontra o núcleo, responsável por guardar o material genético da célula.

Partículas virais se replicam no interior da célula (foto: Débora F. Barreto-Vieira, IOC/Fiocruz)

Com a ampliação da imagem em 40 mil vezes, é possível identificar mais de perto as partículas virais em processo de replicação no citoplasma da célula. 

A partir das imagens, pôde ser verificado que apesar do tamanho reduzido do vírus em relação à célula – que é 300 vezes maior – ele é capaz de infectar a estrutura e se replicar com facilidade.

A partir dos registros, estima-se que o vírus monkeypox meça 300 nanômetros, em média (foto: Débora F. Barreto-Vieira, IOC/Fiocruz)

A pesquisa Isolamento e estudos ultraestruturais do monkeypox vírus em células Vero a partir de amostras clínicas é coordenada pela chefe do Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral, Debora Ferreira Barreto Vieira, com colaboração de sua equipe (Milene Dias Miranda, Gabriela Cardoso Caldas e Vivian Ferreira), em parceria com a equipe do Laboratório de Enterovírus, chefiado por Edson Elias, que atua como referência em diagnóstico laboratorial em monkeypox para o Ministério da Saúde, e que foi o responsável pela detecção viral na amostra utilizado no estudo.

Confira as imagens em alta resolução

A reprodução das imagens está autorizada mediante citação completa da fonte:
Débora F. Barreto-Vieira, IOC/Fiocruz (para as fotografias que evidenciam as partículas virais);
Milene Dias Miranda, IOC/Fiocruz (para a imagem do microscópio invertido).

Atualização sobre análise da vacina Comirnaty para prevenção da Covid-19 em crianças a partir de 6 meses de idade

A Anvisa aguarda o envio de documentos pela Pfizer para finalizar a análise.

A Anvisa realizou, na última quinta-feira, dia 18/8, uma reunião com especialistas externos e representantes da empresa Pfizer para discutir os dados de eficácia e segurança da vacina Comirnaty. A Anvisa aguarda as últimas documentações da Pfizer para finalizar a avaliação do uso da vacina em crianças.

O grupo de especialistas externos, que envolve representantes da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), da Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) e da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) já encaminhou parecer conjunto à Anvisa em decorrência das discussões ocorridas na reunião.

A exigência técnica requerendo informações necessárias à finalização do processo foi emitida na semana passada e a Anvisa aguarda a apresentação de documentos pela Pfizer, para concluir a análise.

Atualmente, a vacina da Pfizer está registrada no Brasil com indicação para uso a partir dos 5 anos de idade. O objetivo da avaliação é ampliar o uso da vacina para crianças a partir de 6 meses de idade.

ANVISA

Vacina pentavalente protege contra cinco doenças graves

Conheça as vacinas da Campanha Nacional de Multivacinação que acontece até 9 de setembro

Ao nascer, o organismo humano não possui as defesas necessárias para combater infecções de origem externa, como vírus e bactérias. As vacinas ajudam a diminuir os riscos de doenças e possibilitam um crescimento saudável. Durante o primeiro ano de vida, o bebê recebe um número maior de vacinas, diferente de outras etapas da infância e vida adulta.

A vacina pentavalente imuniza contra cinco doenças e precisa ser aplicada no segundo mês de vida, por meio de injeção. As doenças são:

  • Difteria: causada por bactéria que atinge as amígdalas, faringe, laringe, nariz ou outras partes do corpo, como pele e mucosas e pode causar dificuldade de respirar;
  • Tétano: infecção grave causada pelo bacilo tetânico. Causa contrações musculares dolorosas e pode levar à morte;
  • Coqueluche: infecção respiratória causada por bactéria. É especialmente perigosa em bebês;
  • Hepatite B: doença que provoca mal-estar, febre, dor de cabeça, fadiga, dor abdominal, náuseas e vômitos. Em sua forma mais grave, pode causar infecções e até tumores no fígado.

A vacina também impede infecções causadas pelo Haemophilus Influenzae tipo b, que causa diferentes doenças infecciosas com complicações graves, como pneumonia, inflamação na garganta, dor de ouvido, infecção generalizada na corrente sanguínea, inflamação em uma membrana do coração, inflamação das articulações e sinusite.

Com a Caderneta da Criança, o Ministério da Saúde disponibiliza informações sobre as vacinas aplicadas em cada etapa da vida. Todos os imunizantes são oferecidos de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para toda a população. A Pasta recomenda a vacinação de todas as crianças menores de cinco anos de acordo com o Calendário Nacional de Vacinação para garantia da saúde e prevenção de inúmeras doenças.

O objetivo da Campanha Nacional de Multivacinação, que vai até 9 de setembro, é aumentar a cobertura vacinal e reduzir o número de não vacinados. Quanto maior o número de pessoas vacinadas, menor a chance dos agentes infecciosos se espalharem. Por isso, é importante verificar a situação vacinal e comparecer em um dos mais 40 mil postos de saúde para manter a proteção em dia.

Saiba mais sobre a difteria.


Saiba mais sobre o tétano.


Saiba mais sobre a coqueluche.


Saiba mais sobre as hepatites.

Tiago Souza
Ministério da Saúde

Representantes da Saúde e comissão da OMS discutem recertificação da eliminação do sarampo no Brasil

Especialistas vão definir estratégias para a eliminação do agravo da doença no País

As estratégias para a interrupção do surto de sarampo e as ações da Atenção Primária em Saúde e Saúde Indígena no enfrentamento e encerramento do surto no Brasil estão entre as pautas da Reunião Regional de Monitoramento e Reverificação da Eliminação do Sarampo e da Rubéola no Brasil. O evento ocorre a partir desta terça-feira (30) e prossegue até a sexta-feira (02/09), em Brasília/DF.

Promovido pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), o encontro contará com a presença de representantes da Pasta, dos estados e dos organismos internacionais. Os participantes vão discutir os avanços no enfrentamento do sarampo e as estratégias para a eliminação do agravo no País para, posteriormente, pleitear o certificado de eliminação do vírus na região.

A Coordenação-Geral do Programa de Imunizações da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS), vai apresentar a situação epidemiológica do sarampo, medidas de controle implementadas para casos importados e as ações promovidas para o encerramento do surto do agravo nas Américas. Os participantes vão abordar os desafios do Brasil na questão da reverificação da eliminação regional da doença, com ênfase nos impactos provocados na rede pública de saúde pela pandemia de Covid-19.

O evento dará destaque para a situação dos estados do Amapá, Roraima, Pará, Rio de Janeiro e São Paulo. Ainda serão exibidos os resultados do Inquérito Nacional de Cobertura Vacinal, realizado nas 26 capitais e no Distrito Federal.

Ao final do encontro, a Comissão Regional apresentará um relatório da missão ao Ministro da Saúde do Brasil e demais autoridades presentes.

Participarão do encontro: representantes do Ministério da Saúde; OPAS/OMS; Comissão Regional de Monitoramento e Reverificação da Eliminação do Sarampo, Rubéola e Síndrome da Rubéola Congênita; Câmara Técnica Nacional de Especialistas do Sarampo, Rubéola e SRC; representantes dos Estados do Amapá, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo e Roraima; Conselho Nacional de Secretários de Saúde; Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde; e Conselho Nacional de Saúde.

Comissão

A Comissão Regional de Monitoramento e Reverificação da Eliminação do Sarampo, Rubéola e Síndrome da Rubéola Congênita (SRC), foi criada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para avaliar a situação das doenças nos países das Américas e manter a região livre desses vírus.

A visita ao Brasil acontece para discutir a situação da doença infectocontagiosa no País e avaliar as ações realizadas, planejadas e em execução pelos estados, para a interrupção da circulação do vírus do sarampo e sustentabilidade da eliminação do vírus da rubéola, além dos próximos passos para a documentação da interrupção da circulação do vírus do sarampo para a sustentabilidade e futura reverificação da eliminação da doença no País.

Certificado

O Certificado de Eliminação do Sarampo, Rubéola e Síndrome da Rubéola Congênita (SRC) é concedido pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Para que um país alcance êxito na certificação, são exigidos alguns critérios epidemiológicos por parte da Comissão Regional, dentre eles:

  • a ausência de casos confirmados de sarampo por 12 semanas após o início da erupção do último caso confirmado;
  • classificação final de todos os casos suspeitos notificados nas últimas 12 semanas nos municípios em que o vírus circulou;
  • documentação das atividades de rastreamento de contato para todos os casos confirmados e relatados durante os últimos 21 dias do surto;
  • e notificação semanal negativa em 80% das unidades notificadoras subnacionais onde o surto foi relatado.

A Comissão também exige a busca ativa por casos suspeitos de sarampo ou rubéola em unidades de saúde e comunidades localizadas em municípios com silêncio epidemiológico em nível subnacional que notificaram casos de sarampo ou rubéola nos locais em que as ocorrências foram notificadas dentro de 12 semanas após a notificação do último caso confirmado de sarampo ou rubéola.

Números

Em 2021, foram notificados 2.328 casos de sarampo, com 676 confirmados. Este ano, entre as semanas epidemiológicas 1 a 31, foram notificados 2.069 casos suspeitos de sarampo, sendo 43 casos confirmados e 1.781 descartados. Os 245 casos restantes permanecem em investigação.

Ministério da Saúde

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