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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Finanças permite que SUS amplie exames preventivos de câncer de mama

Simone retirou a obrigatoriedade do novo exame para adequar a proposta à Lei de Responsabilidade Fiscal

A Comissão de Finanças e Tributação aprovou proposta que permite ao Sistema Único de Saúde (SUS) realizar, nas mulheres consideradas de alto risco, exames para identificação de biomarcadores, entre as ações destinadas à detecção precoce do câncer de mama.
As pesquisas de biomarcadores podem detectar riscos de mutações genéticas antes de os tumores serem clinicamente perceptíveis.

O texto aprovado é o parecer favorável da relatora, deputada Simone Morgado (PMDB-PA), com emendas ao Projeto de Lei 6759/10, do Senado, que obriga o SUS a realizar esses exames. Porém, nesses termos, segundo a relatora, a proposta conflita com disposições da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101/00), ao implicar aumento dos gastos do SUS sem que as despesas tenham as fontes de recursos devidamente indicadas. Por isso, ela preferiu retirar o caráter de obrigatoriedade dos exames.

Outra emenda apresentada pela relatora define que as despesas decorrentes da implementação da lei, se aprovada, serão financiadas com recursos do orçamento da Seguridade Social da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, conforme regulamento.

Exame mamográfico
O parecer de Morgado também foi favorável ao substitutivo da Comissão de Seguridade Social e Família, que reduz a idade para a realização de exame mamográfico de 40 para 35 anos no caso de mulheres consideradas como grupo de risco.

A proposta altera a Lei 11.664/08, que estabelece a gratuidade da assistência integral à saúde da mulher, incluindo prevenção, detecção, tratamento e controle dos cânceres do colo uterino e de mama. A lei cita especificamente o exame citopatológico do colo uterino a todas as mulheres que já tenham iniciado sua vida sexual, independentemente da idade; e o exame mamográfico a todas as mulheres a partir dos 40 anos de idade.

O Consenso para Controle do Câncer de Mama, norma atualmente adotada pelo SUS, considera como grupo de risco:
- mulheres com história familiar de pelo menos um parente de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com diagnóstico de câncer de mama, abaixo dos 50 anos de idade;
- mulheres com história familiar de pelo menos um parente de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com diagnóstico de câncer de mama bilateral ou câncer de ovário, em qualquer faixa etária;
- mulheres com história familiar de câncer de mama masculino;
- mulheres com diagnóstico histopatológico de lesão mamária proliferativa com atipia ou neoplasia lobular in situ.

Tramitação 
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, ainda será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

ÍNTEGRA DA PROPOSTAPL-6759/2010

Reportagem – Lara Haje, Edição – Natalia Doederlein, Lúcio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados


Comissão aprova critérios para dispensa de registro sanitário de vacinas, inseticidas e medicamentos

A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou o Projeto de Lei 5994/16, do deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), que fixa critérios para a dispensa de registro sanitário para vacinas, inseticidas e medicamento adquiridos pelo governo brasileiro por intermédio de organismos multilaterais internacionais.

Para o relator, Zeca Cavalcanti, o poder da Anvisa no caso pode dar margem à ação arbitrária e desproporcional do agente público

O autor explica que essa dispensa de registro hoje pode ser concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para produtos adquiridos pelo Brasil utilizando o fundo rotativo da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) da Organização Mundial de Saúde (OMS).

O fundo é destinado a viabilizar o fornecimento, pelos países membros, de produtos estratégicos para a saúde pública e de interesse internacional.

Insegurança jurídica
Hoje não há critérios para balizar essa dispensa na Lei 9.782/99, que trata do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.


Na avaliação de Pestana, a ausência de critérios objetivos abre espaço para a insegurança jurídica e é prejudicial às indústrias regularmente estabelecidas no Brasil.

A proposta altera essa lei e estabelece que a dispensa só poderá ser concedida quando não existir no Brasil outro produto devidamente registrado com os mesmos princípios ativos, em condições de suprir a demanda interna.

Comprovação de segurança
O texto também cria requisitos para que esses produtos possam ser internalizados no País após a dispensa do registro sanitário junto à Anvisa. A agência deverá avaliar e emitir parecer favorável sobre a comprovação de segurança, eficácia e qualidade do produto; deverá ser comprovado que o produto possui o registro no país de origem; e, deverá existir comprovação de que o fornecedor e o detentor do registro estão no pleno exercício de seus direitos legais.


O parecer do relator, deputado Zeca Cavalcanti (PTB-PE), foi favorável à proposta. Para ele, esse poder da Anvisa, “com margens tão largas de atuação discricionária, pode dar margem à ação arbitrária e desproporcional do agente público”. O deputado disse ainda que a regra geral de que os medicamentos só podem ser comercializados no território nacional após serem registrados “só pode ser relativizada por excepcionalidades muito restritas”.

Tramitação
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. 


ÍNTEGRA DA PROPOSTA: PL-5994/2016

Reportagem - Lara Haje, Edição - Rosalva Nunes, Billy Boss/Câmara dos Deputados



Propostas para a 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde


Essas são as propostas de diretrizes da Anvisa para a construção da Política Nacional de Vigilância em Saúde. As propostas foram elaboradas a partir da realização de três Conferências Livres, em articulação com os demais componentes do SNVS, tendo ainda como referência os resultados dos Ciclos de Debate do SNVS realizados em 2015 e o Planejamento Estratégico da Anvisa 2016-2019.
A participação da Anvisa na 1ªCNVS objetiva o fortalecimento do papel do SNVS nas políticas de Vigilância em Saúde e no Controle Social, visando a consolidação das ações de promoção e proteção à saúde da população.
1. COORDENAÇÃO DO SNVS
Definição das responsabilidades gestoras das três esferas de governo, por meio de mecanismos de articulação, coordenação e execução das ações de vigilância sanitária, de maneira integrada e consoante aos princípios do SUS, visando à consolidação do SNVS.
Justificativa: A falta de articulação entre os entes do SNVS tem sido apontada como um desafio posto à coordenação federativa do Sistema. Essa dificuldade é evidenciada na pouca uniformidade na execução das ações, nos conflitos entre regulamentos editados, na falta de clareza dos papéis das esferas de governo e na baixa harmonização de atuação. Refletir sobre os marcos vigentes de organização e gestão do Sistema, buscando definir as responsabilidades, os mecanismos de pactuação entre os gestores, as estratégias que induzam a uma maior cooperação e apoio, a harmonização de práticas, instrumentos e terminologias, dentre outros, são ações que possibilitam transformar essa realidade, produzindo ganhos de efetividade ao SNVS.

2. ARTICULAÇÃO ENTRE AS VIGILÂNCIAS EM SAÚDE
Articulação entre as distintas vigilâncias que compõem o processo de trabalho de Vigilância em Saúde, com planejamento conjunto das ações prioritárias, baseado nos problemas de saúde e demais dados do território e incidindo nos instrumentos de planejamento de governo (PPA, LDO e LOA) e de planejamento em saúde (PS, PAS).
Justificativa: A percepção de que as vigilâncias realizam ações de forma fragmentada e desarticulada estabelece o desafio de compreender e enfrentar as dificuldades de estruturação de ações no processo de trabalho. É necessário unir as peças de um “quebra-cabeça”, que envolvem atribuições e competências, dentre outras, no campo da vigilância de produtos e serviços; doenças e agravos em saúde humana; do meio ambiente e da saúde do trabalhador. A atuação das vigilâncias de forma conjunta no planejamento, execução e avaliação das ações de saúde, com foco na promoção e proteção, é determinante para os instrumentos de planejamento de governo e de planejamento em saúde.

3. TERRITÓRIO
Organização de práticas e processos de trabalho para articulação das ações de vigilância e da assistência no reconhecimento dos territórios de saúde para o ordenamento de ações que dialoguem com as realidades locais.
Justificativa: Conhecer o território em que se atua é o caminho para a integração das ações das vigilâncias e destas com a assistência, evitando conflitos e sobreposições. As práticas e os saberes específicos de cada área devem ser considerados nesse processo, sendo essencial aprofundar conceitos e propiciar a utilização de métodos e ferramentas de trabalho comuns, como a gestão do risco sanitário, a análise da situação de saúde, o território assistencial e o território de atuação das vigilâncias, os diferentes objetos de intervenção, o poder de polícia, ou seja, a implicação das diversas áreas do conhecimento no reconhecimento dos territórios e na organização e priorização de atuação das equipes nesses espaços.

4. INFORMAÇÃO PARA A GESTÃO
Definição de conjunto mínimo de dados compartilhados das ações de Vigilância Sanitária de cada ente do SNVS e disponibilização de ferramentas de análise no nível nacional, de forma a garantir a unidade, a uniformização da informação e a coordenação do Sistema.
Justificativa: As ações das Vigilâncias em Saúde requerem estrutura de coleta, alimentação e tratamento dos dados. Além disso, a integração dos sistemas de informação das três esferas de gestão é essencial para qualificar os instrumentos de trabalho das vigilâncias, propiciando o acesso a informações qualificadas que subsidiem suas ações e fornecendo dados epidemiológicos que permitam conhecer os problemas de saúde do território para o planejamento das ações.

5. GESTÃO DO TRABALHO E EDUCAÇÃO EM SAÚDE
Formação de competências e desenvolvimento profissional, com inserção de conhecimentos das vigilâncias na graduação, pós-graduação e nos processos de educação permanente, com vistas à interdisciplinaridade de práticas.
Justificativa: A formação dos profissionais de vigilância deve ser dirigida por um pensamento abrangente de atuação, que promova o conhecimento de todos os campos de atuação e o compartilhamento dos saberes. Para tanto, é importante superar a especificidade dos processos formativos em que se mantém a separação dos objetos de cada área, não possibilitando aos profissionais alcançarem a magnitude dos agravos e riscos que são instrumentos para o planejamento do trabalho, ordenando as ações e a busca de resultados positivos na proteção à saúde.

6. FINANCIAMENTO
Criação de novas fontes de receita para garantir o financiamento público do Sistema Único de Saúde (SUS), assegurando a qualidade da Atenção à Saúde e das ações de Vigilância em Saúde.
Justificativa: O financiamento do SUS, baseado nas condições sanitárias, epidemiológicas e determinantes sociais, é essencial para assegurar a execução das ações de Vigilância em Saúde, em atendimento às necessidades de saúde no território e à execução de ações programadas. Para fortalecer uma Política Nacional de Vigilância em Saúde, deve-se ter como diretriz o fortalecimento de modelos institucionais de Vigilância em Saúde nas diversas instâncias, com autonomia administrativa e financeira.

7. LABORATÓRIOS DE SAÚDE PÚBLICA
Fortalecimento da Rede Nacional de Laboratórios de Vigilância Sanitária, sob responsabilidade pública, com garantia de financiamento para as ações de suporte à regulação realizadas com qualidade e segurança.
Justificativa: Os laboratórios públicos compõem a estrutura da Vigilância Sanitária, sendo responsáveis pela avaliação da qualidade e da conformidade dos produtos e serviços oferecidos à população, por meio da realização de análises prévias, de controle e fiscais. A principal função da análise realizada pelos laboratórios oficiais é fornecer subsídios para a fiscalização e o monitoramento, qualificando a tomada de decisão da ação regulatória.

8. CONTROLE SOCIAL E RELAÇÃO COM SOCIEDADE
Criação de Instâncias Intersetoriais de Vigilância em Saúde nos Conselhos de Saúde municipais, estaduais e nacional, de acordo com Resoluções do Conselho Nacional de Saúde (CNS), e promoção do planejamento participativo em Vigilância em Saúde para envolvimento da sociedade civil organizada na definição de temas e ações prioritárias para atuação.
Justificativa: A legislação do SUS indica os processos participativos como espaços essenciais à organização e ao funcionamento do sistema, mas é necessário aumentar os investimentos nos Conselhos como espaços de fortalecimento das ações de Vigilância em Saúde. Mais especificamente, a aproximação da Vigilância Sanitária com os instrumentos de controle social poderá propiciar melhores resultados, tendo como meta apresentar com clareza o que é a Visa e como se dá sua atuação.

9. INFORMAÇÃO E EDUCAÇÃO SANITÁRIA
Ampliação da visibilidade do papel do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, em especial da Anvisa, junto à sociedade, a partir da identificação das ações de proteção e promoção à saúde da população, mediante a intervenção nos riscos decorrentes da produção e do uso de produtos e serviços sujeitos à Vigilância Sanitária, em ação coordenada e integrada no âmbito do Sistema Único de Saúde.
Justificativa: O processo de trabalho da Vigilância Sanitária envolve diversos elementos do cotidiano das relações sociais, desde a higiene pessoal até os aspectos de qualidade e eficácia relacionados a um medicamento prescrito no posto de saúde, passando pela contribuição à segurança dos alimentos. Ou seja, educar as pessoas sobre o impacto das questões sanitárias no cotidiano da população é tão importante quanto valorizar o trabalho dos profissionais de Visa. Por isso, é importante aprofundar as atividades de ampliação da consciência sanitária, a partir de uma perspectiva de valorização do trabalho da Anvisa na promoção da saúde da população, bem como na contribuição ao acesso a produtos seguros e eficazes

Definida data da 1ª Conferência Nacional de Vigilância - Evento acontecerá entre fevereiro e março de 2018.

A etapa nacional da 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde (CNVS) já tem data marcada. O evento acontecerá de 27 de fevereiro a 2 de março e contará com 140 delegados nacionais, 1354 delegados eleitos em todas as etapas estaduais, 178 convidados e 39 participantes livres.

A decisão aconteceu na tarde da última terça-feira (28/11), quando a direção do Conselho Nacional de Saúde (CNS) fez um evento de inauguração da etapa nacional. A conferência estava marcada para novembro de 2017, mas precisou ser adiada por conta de processo licitatório.

Antes da definição, algumas conferências municipais e macrorregionais já haviam sido realizadas. Elas geraram relatórios com temas sobre vigilância em saúde que poderão ser explorados no evento nacional. Confira o consolidado de propostas, em anexo.

A Anvisa organizou nove propostas, voltadas para a construção de uma política nacional que levem em consideração a extensão e a diversidade do país, para consolidar ações de proteção e promoção da saúde da população.

Acompanhe mais informações na página da Conferência no portal da Anvisa

Anexo:

Por: Ascom/Anvisa


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Controle Social realiza oficina para formação de conselheiros indígenas

O encontro reúne os 34 presidentes dos Conselhos Distritais de Saúde Indígena (Condisi) e visa capacitar lideranças para melhor entendimento de trâmites administrativos do Ministério da Saúde

Encontro conta com a presença dos presidentes dos 34 Conselhos Distritais de Saúde Indígena (Condisi). Veja galeria no Flickr

Segue até sexta-feira (30), em Brasília (DF), a última etapa da Oficina de Formação de Conselheiros de Saúde Indígena. O evento tem o objetivo de ampliar o acesso às informações sobre contratos, convênios com prestadores de serviços, acompanhamento financeiro e de obras, além da implantação de políticas públicas de saúde desenvolvidas pela Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (Sesai/MS), junto aos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

O encontro, que tem a presença dos presidentes dos 34 Conselhos Distritais de Saúde Indígena (Condisi), conta com atividades,  acompanhadas por uma antropóloga, que vão ajudar a melhorar o diálogo e compreensão dos trâmites administrativos que fazem parte das ações de saúde indígena.

Para o secretário da Sesai, Marco Antonio Toccolini, esse é o momento de ampliar a compreensão sobre como funciona a Sesai e a aplicação de seus recursos. “Essas reuniões nos ajudam na troca de experiências e capacitam para um melhor entendimento das regras que regem as ações de saúde indígena junto aos DSEIs. É dessa forma transparente que os Conselheiros e lideranças indígenas nos ajudam a fiscalizar a aplicação do orçamento, a atuação das conveniadas e a execução das políticas de saúde”, destacou.

Segundo a coordenadora executiva do Fórum de Presidentes de Condisi (FPCondisi), Lucinha Tremembé, a continuação do evento atende às solicitações das lideranças indígenas. “Estamos contentes por termos esse momento. Reunir nossos ‘parentes’ em um momento de aprendizado em conjunto. Dessa forma, consolidamos a atuação dos conselhos e cobramos as melhorias nas ações de saúde para nós, povos indígenas brasileiros”, afirmou.

Capacitação - A programação do evento conta com quatro temas importantes: introdução à aplicação do orçamento e contratos de prestação de serviço; formas de contratação (licitação, pregão e outras atividades administrativas); atuação dos convênios e formas de chamamentos públicos; e informações sobre as prestações de conta.

Para melhor entendimento, a antropóloga do DSEI Leste Roraima, Lêda Martins, trabalha como mediadora, de maneira a facilitar as discussões sobre os temas. “Estamos aqui para ajudar na participação de todos os conselheiros nos trabalhos desenvolvidos. Queremos aqui uma compreensão clara e participativa de todos para compreender e ajudar a fiscalizar as ações desenvolvidas pelos DSEIs em prol das comunidades indígenas”, ressaltou.

Ronaldo Barros, presidente do Condisi Manaus, espera “que o curso amplie o conhecimento e facilite o trabalho de acompanhamento de toda a burocracia pública e as formas corretas de aplicação dos recursos por parte dos DSEIs”.

Por Tiago Pegon, do Nucom Sesai


Em oito meses, número de cirurgias eletivas cresceu 39,1% no Brasil

Balanço da pasta mostra que em janeiro deste ano foram realizados 109.720 procedimentos eletivos. No mês de setembro, o número saltou para 152.632.

O número de cirurgias eletivas no Brasil cresceu 39,1% em oito meses este ano, passando de 109.720 em janeiro para 152.632 no mês de setembro. São procedimentos cirúrgicos de média e alta complexidade de todas as especialidades médicas, agendadas, sem caráter de urgência e emergência. Esses procedimentos fazem parte da rotina dos atendimentos oferecidos à população nos hospitais de todo o país, de forma integral e gratuita, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Os dados fazem parte do balanço apresentado pelo Ministério da Saúde durante reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), realizada nesta quinta-feira (30), em Brasília.

Em maio deste ano, o Ministério da Saúde, em uma ação conjunta com os estados e municípios, adotou modelo de lista única para cirurgias eletivas em todo país. Foi feito um levantamento inédito de toda a demanda do SUS por estado para organizar a rede de saúde, acelerar o atendimento do cidadão e reduzir o tempo de espera. Para isso, além do valor repassado mensalmente, foram garantidos R$ 250 milhões extras. Parte desse valor já foi liberado para realização de mutirões, equivalente a R$ 41,6 milhões.

“Ações como essas, em que estamos adiantando valores, são específicas, emergenciais e visam reforçar as estratégias de ampliação aos procedimentos eletivos. Queremos dar um fôlego financeiro e incentivar os gestores a diminuírem a lista de espera, mas é necessário que cada estado organize a própria regulação e utilize os recursos regulares e mensais já incorporados e repassados mensalmente para custear essas ações. O objetivo é diminuir a fila e não zerá-la, tendo em vista que sempre surgirão novas demandas”, destacou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Antes da unificação da fila, muitos pacientes estavam submetidos a espera de um único hospital de sua cidade ou mesmo entravam na fila de mais de um serviço. Com a unificação da lista, o cidadão terá um único cadastro e poderá ser atendido por todos os hospitais que prestam serviço em sua região.

DEMANDA POR CIRURGIAS ELETIVAS – Em julho deste ano, quando foi fechada a primeira lista para cirurgias eletivas no SUS, haviam 804.961 solicitações. Com base nesses dados, o Governo Federal realizou uma análise detalhada das informações recebidas e constatou algumas inconsistências, como a existência de duplicidade dos cadastros. Após a avaliação, feita pela Ouvidoria do SUS por contato telefônico, chegou-se à conclusão de que havia 667.014 pacientes aguardando por algum procedimento eletivo no país.

As três cirurgias mais demandadas são as do aparelho digestivo, órgãos anexos e parede abdominal (185.666), aparelho da visão (137.776) e aparelho geniturinário (121.205). Além dessas, também estão na lista pequenas cirurgias, cirurgias de pele, tecido subcutâneo e mucosa, das glândulas endócrinas, do sistema nervoso central e periférico, das vias aéreas superiores, da face, cabeça e pescoço, cirurgias oftalmológicas e oncológicas, do aparelho circulatório e do aparelho osteomuscular.

Os procedimentos eletivos têm financiamento garantido pelo Governo Federal por meio do repasse mensal de recursos de média e alta complexidade, enviados mensalmente, de forma regular e automática, a todos os estados e municípios brasileiros, além dos valores extras liberados pelo Ministério da Saúde.

A definição dos municípios e serviços de referência são responsabilidade dos gestores locais, estabelecendo a programação assistencial de cada serviço e fluxos de regulação para acesso das pessoas que se encontram na fila.

“A informação sobre a fila de espera compartilhada entre municípios, estados e união será, sem dúvida, um mecanismo fundamental para a execução da estratégia de ampliação de acesso em 2017, mas é necessário ter precauções em relação à dinâmica da própria fila que, entre outros fatores, se altera com as oportunidades de acesso que surgem diariamente. Dessa forma, o maior desafio neste momento é manter a integração e a articulação nos estados com o objetivo de manter a fila única de cada estado e não replicar filas nos diferentes municípios e estabelecimentos de saúde. O objetivo é que o paciente seja atendido pelo sistema e não por um hospital”, completou o ministro Ricardo Barros.

Por Gustavo Frasão, da Agência Saúde


Ministério da Saúde lança novos dados e campanha de prevenção ao HIV e aids 2017

O Ministro da Saúde, Ricardo Barros, apresenta nesta sexta-feira (1º), em Curitiba (PR), a nova Campanha de Prevenção para o HIV e Aids de 2017 e o novo Boletim Epidemiológico de HIV/Aids, com dados atualizados. As ações fazem parte das comemorações do dia 1º de dezembro – Dia Mundial de Luta contra a Aids.
Data: sexta-feira, 1º de dezembro de 2017
Horário: 15h30
Local: Curitiba, Paraná - Salão de Atos do Parque Barigui (Al. Ecológica Burle Marx, s/n, Santo Inácio)
Mais informações /Ascom-MS

OPAS e UNAIDS pedem intensificação dos esforços de prevenção ao HIV

OPAS e UNAIDS pedem intensificação dos esforços para prevenção ao HIV e oferta de todas as opções disponíveis para evitar novas infecções.

Um novo relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) mostra que ampliar o acesso a todas as opções de prevenção ao HIV disponíveis atualmente reduziria o número de novos casos do vírus na América Latina e no Caribe — que se mantêm em 120 mil por ano desde 2010.

Lançado às vésperas do Dia Mundial da AIDS, o relatório “Prevenção ao HIV em Foco — Uma Análise da Perspectiva do Setor de Saúde na América Latina e no Caribe” analisa avanços e desafios enfrentados pelos sistemas de saúde para prevenir a transmissão do HIV.

“O progresso na luta contra a AIDS na América Latina e no Caribe tem sido importante, com grandes reduções nas infecções infantis, melhoras no tratamento e diminuição do número de mortes relacionadas à doença. No entanto, ainda não alcançamos o impacto desejado em termos de novos casos entre adultos”, afirmou Carissa F. Etienne, diretora da OPAS.

“Evitar novas infecções requer a intensificação dos esforços e que as pessoas mais vulneráveis tenham acesso a todas as opções e novas tecnologias de prevenção existentes em um ambiente livre de discriminação.”

O relatório recomenda levar adiante o enfoque de prevenção combinada, que é baseado em evidência científica, respeitando os direitos humanos e a não discriminação, incluindo três elementos: a ampla oferta de intervenções biomédicas mais apropriadas aos usuários, a promoção de comportamentos saudáveis e o estabelecimento de ambientes que facilitem o acesso e a adoção de medidas de prevenção.

Segundo o relatório e os dados do UNAIDS, a maioria (64%) dos novos casos de HIV ocorrem entre gays e outros homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e seus clientes, mulheres trans, pessoas que injetam drogas e casais que fazem parte desses grupos-chave da população. Além disso, um terço das novas infecções ocorre em jovens com idade entre 15 e 24 anos.

“Reduzir as novas infecções por HIV entre os principais grupos-chaves e as populações mais vulneráveis, incluindo mulheres e jovens, exigirá ações de prevenção ao HIV específicas e de alto impacto, acesso aos testes, tratamento para todos e ações conjuntas contra a discriminação“, defendeu o diretor regional do UNAIDS para América Latina e Caribe, César Núñez. Além disso, ele acrescentou que é igualmente importante ter “um compromisso inabalável com o respeito, com a igualdade de gênero e a proteção e promoção dos direitos humanos, incluindo o direito à saúde”.

Oferta de uma variedade de métodos de prevenção
Atualmente, existem numerosas opções de prevenção cientificamente comprovadas que os serviços de saúde podem oferecer à população para prevenir a infecção e proteger sua saúde. Entre elas, o autoteste, que pode ser feito em casa, e a expansão da oferta de testes fora dos estabelecimentos de saúde.

Na América Latina, duas em cada dez pessoas com HIV e quatro em dez no Caribe não sabem que têm o vírus, o que representa uma melhoria em relação ao ano passado. O diagnóstico precoce melhora a qualidade de vida das pessoas com HIV e também contribui na prevenção de novas infecções.

Outras recomendações são o fornecimento de profilaxia pré-exposição (PrEP) para pessoas que estão em alto risco de contrair HIV e a oferta da profilaxia pós-exposição (PEP) em situações de emergência, incluindo por meio de relação sexual consentida com o(a) parceiro(a) de sorologia desconhecida ou positiva.

As Américas têm sido pioneiras na realização de pesquisas que apoiaram a recomendação de 2015 da OMS de incorporação da PrEP. No entanto, apenas três países da região a oferecem atualmente.

O relatório defende a distribuição de preservativos e lubrificantes, a oferta de teste para sífilis ao mesmo tempo em que se oferece o teste para HIV, bem como o acesso universal ao tratamento, algo que melhora significativamente a saúde das pessoas com HIV e reduz o risco de infecção de seus parceiros. O documento também recomenda a promoção de atividades de divulgação em comunidades lideradas por pares e a prestação de informações e educação sobre saúde sexual.

A publicação adverte ainda sobre a dependência dos fundos internacionais para levar adiante ações de prevenção (como educação e a provisão de preservativos e testes por ONGs) para os grupos populacionais-chave, destacando também o papel decisivo que a sociedade civil pode desempenhar para tornar a resposta ao HIV mais efetiva, particularmente na área de prevenção.

Nesse sentido, o relatório solicita que governos, sociedade civil e organizações internacionais trabalhem em parcerias para acelerar a introdução de novas tecnologias de prevenção, ampliar a disponibilidade de opções para isso e garantir o acesso universal a esses serviços para reduzir novas infecções e acabar com a epidemia de AIDS até 2030.

Epidemia de AIDS na América Latina 2016
Cerca de 1,8 milhão (de 1,4 milhão a 2,1 milhões) de pessoas viviam com HIV na América Latina em 2016. Aproximadamente 97 mil (79 mil – 120 mil) novas infecções por HIV ocorreram na região. Esse número se manteve estável entre 2010 e 2016.

Na América Latina, cerca de 36 mil pessoas (28 mil a 45 mil) morreram por doenças relacionadas à AIDS no ano passado. Entre 2010 e 2016, o número de óbitos relacionados à AIDS na região diminuiu 12%.

A cobertura do tratamento atingiu 58% (42% – 72%) de todas as pessoas que viviam com HIV na América Latina no ano passado.

Epidemia de AIDS no Caribe 2016
Cerca de 310 mil (280 mil – 350 mil) pessoas viviam com HIV no Caribe em 2016. Aproximadamente 18 mil (15 mil – 22 mil) novas infecções por HIV ocorreram na região e cerca de 9,4 mil (7,3 mil – 12 mil) morreram por doenças relacionadas à AIDS no Caribe.
Entre 2010 e 2016, o número de mortes relacionadas à AIDS no Caribe diminuiu 28%. A cobertura do tratamento atingiu 52% (41% – 60%) de todas as pessoas que vivem com HIV na região. Menos de 1 mil novas infecções por HIV ocorreram entre crianças no Caribe.

Foto: UNICEF/Noorani


Ministério da Saúde anuncia recursos para desenvolvimento de tecnologias de saúde

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, se reúne, nesta sexta-feira (1°), em São Paulo, com 150 líderes empresariais da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI). Durante o evento, o Ministério da Saúde e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC) anunciarão parceria para o desenvolvimento de tecnologias para o Sistema Único de Saúde (SUS). O encontro acontece das 10h às 12h, no escritório da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Participam também os ministros de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab; de Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira.

Atenção, jornalista: A reunião é fechada à imprensa. Ao fim do encontro, os ministros Ricardo Barros e Gilberto Kassab e o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, conversarão com a imprensa.

REUNIÃO DA MOBILIZAÇÃO EMPRESARIAL PELA INOVAÇÃO
Data:
 1° de dezembro (sexta-feira)
Horário: 10h às 12h
Local: Escritório da CNI, Rua Surubim, 504, Brooklin Novo, São Paulo (SP)
Assessor em viagem: Renato Strauss


ANVISA - ALESSANDRA SOARES, aprovada com 13 votos contra 2 da COMISSÃO DE ASSUNTOS SOCIAIS - CAS para ocupar um cargo de direção na Agencia.

Por 13 votos a 2, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprova a indicação da farmacêutica Alessandra Soares para a direção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Análise segue ao Plenário do Senado

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou nesta quarta-feira (29) a indicação da farmacêutica Alessandra Bastos Soares para a diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Também foi aprovado um pedido de urgência na análise da mensagem indicando o nome (MSF 68/2017) no Plenário do Senado.

O fato de Alessandra Soares não ter ainda qualquer experiência de gestão na área pública foi questionado pelos senadores Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e Eduardo Amorim (PSDB-SE).
Na resposta, a farmacêutica confirmou que a indicação dela tem o intuito de "ventilar o olhar da Agência, uma leitura mais ágil nos procedimentos, principalmente daqueles que requerem mais celeridade neste momento". Mas a profissional deixou claro que este viés não significa sob nenhuma hipótese comprometer "a segurança e eficácia dos medicamentos e produtos".

— Isto é indiscutível, com isso a gente não brinca. A segurança não será jamais relegada a segundo plano. Se a gente não cuida antes do que entrega aos pacientes, vamos ter que cuidar depois, e o ônus é incomensurável — afirmou Alessandra.

A indicada fez questão de ressaltar aos senadores que uma parte de seus 20 anos atuando na área se deu dentro de hospitais públicos e privados, trabalhando para planos de saúde e empresas que comercializam medicamentos e produtos. Experiências que segundo ela lhe permitiram um background direto voltado para a saúde e o bem-estar das pessoas. Alessandra Soares questão de mencionar também que "todos os brasileiros usam os serviços da Anvisa diariamente, desde a hora que acordam, pois os produtos que você usa para escovar os dentes foram inspecionados por ela".

Fosfoetanolamina
Alguns senadores questionaram Alessandra Soares sobre que tipo de atuação a Anvisa pode ter na análise da fosfoetanolamina, a pílula que supostamente teria o poder de curar o câncer. A profissional deixou claro que a Anvisa só pode avaliar a eficácia de algum produto se for solicitada pelos interessados, o que até o momento não ocorreu.

— Eu pessoalmente adoraria que ela cumprisse o que promete. Mas é preciso antes que quem controla a produção solicite à Agência a pesquisa e a obtenção do registro. Como a Anvisa vai avaliar algo que até o momento não foi exposto por quem eventualmente queira a liberação? — finalizou Soares.

Edilson Rodrigues/Agência Senado


Ex-governador de Alagoas era 'Bobão' na planilha da Odebrecht, diz Polícia Federal, Marco Fireman - SCTIE do MS era o Secretário de Infraestrutura do Estado

PF aponta prejuízo de R$ 70 milhões com pagamento de propina e superfaturamento em obras do Canal do Sertão. Houve buscas em Maceió, Salvador (BA), Limeira (SP) e Brasília.

Ex-governador de Alagoas Teotônio Vilela Filho é alvo de operação da PF

A Polícia Federal informou que o ex-governador de Alagoas Teotônio Vilela Filho (PSDB) aparece na lista de propinas da Odebrecht sob o apelido de 'Bobão'. Ele foi alvo da Operação Caribdis, deflagrada nesta quinta-feira (30) em Maceió, Salvador (BA), Limeira (SP) e Brasília para investigar fraudes em obras do Canal do Sertão.
A ação é desdobramento da Operação Lava Jato.

Além do ex-governador, também foram alvos Marco Antônio Fireman, atual Secretário da SCTIE/MS, que à época era secretário de Infraestrutura do Estado; e pessoas ligadas às empreiteiras Odebrecht e OAS.

"Na 23° fase da Operação Lava Jato, foi apreendida uma planilha e lá constavam alguns apelidos. Aqui para Alagoas eram Bobão, Faisão e Fantasma. Esses três apelidos somam a importância de R$ 2.814.000. Na oitiva dos delatores da Odebrecht eles falaram que esses valores foram pagos à cúpula passada do governo de Alagoas", disse o delegado Antônio José Lima de Carvalho, da PF.

Segundo a PF, Fantasma é o ex-secretário Marcos Antônio Fireman, que atualmente é secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, e Faisão é Fernando Nunes, ex-secretário executivo da Infraestrutura do estado.

A assessoria de Teotônio Vilela informou que o ex-governador vai se pronunciar sobre o assunto por meio de nota. A reportagem do G1 não conseguiu contato com as defesas de Fireman e nem de Nunes.

O Ministério da Saúde informou que a PF realizou buscas no gabinete do secretário Marco Fireman, mas que os policiais não levaram nenhum documento. Disse ainda que ele está à disposição da PF para prestar todos os esclarecimentos.

Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Federal de Alagoas. No estado, houve buscas na casa do ex-governador, em Maceió, no bairro da Ponta Verde, e de Fireman, no condomínio Laguna, em Marechal Deodoro. Foram apreendidos computadores e celulares.

Segundo o delegado Antônio Carvalho, Teo Vilela recebeu três parcelas de propina. A primeira de R$ 1 milhão, a segunda de R$ 906 mil e a terceira de R$ 150 mil.

Ainda de acordo com as investigações, o Tribunal de Contas da União (TCU) a obra do Canal do Sertão foi estimada inicialmente em R$ 700 milhões. Mas o pagamento de propinas e superfaturamento levou a um prejuízo de R$ 70 milhões aos cofres públicos.

“Os colaboradores da Odebrecht estiveram em Maceió em 2009, e em 2014 eles retornaram, dessa vez para discutir valores de propina. Isso aconteceu no Hotel Radisson. E segundo relatores, em um determinado momento da conversa, Teotônio foi chamado pelo então assessor Beto Jucá a se retirar da sala. E quando ele se retirou, houve o pedido de vantagem indevida. Isso aconteceu por duas vezes. Na primeira não se chegou ao valor do pagamento. Mas na segunda reunião ficou acertado o valor de 2% em cima das medições”, disse o delegado da PF.

A PF informou ainda que pediu a prisão preventiva dos investigados, mas o pedido foi negado pela Justiça.

“Solicitamos ao juiz federal mandados de prisões preventivas e também de busca e apreensão. Mas a autoridade judiciária entendeu que não era caso de prisão e concedeu a expedição dos mandados de busca e apreensão. Estamos investigando o conteúdo de smartphones apreendidos, assim como conversas no WhatsApp”, disse o delegado Antônio Carvalho.

De acordo com o delegado Carvalho, a explicação dos delatores para o pagamento da propina é que o dinheiro seria usado para saldar dívidas de campanha e custear campanhas em 2014.

“Os pagamentos ocorreram no ano de 2014. E as pessoas investigadas não participaram de eleições naquele ano. Ouvindo os colaboradores da Odebrecht, principalmente o senhor Wilbert Silva, ele me falou o seguinte ‘Se o nome da pessoa está ali na minha planilha, não é doação eleitoral. É propina. Eu não trabalho com dinheiro lícito. Só trabalho com dinheiro ilícito.

Não trabalho na tesouraria. Eu trabalhava no setor de operações estruturadas da Odebrecht’”, revelou o delegado.

As informações sobre a operação foram passadas durante uma entrevista coletiva à impressa dada pelos delegados da PF Antônio Carvalho e Daniel Silvestre, pelo superintendente da PF em Alagoas Bernardo Torres e pela procuradora da república no Estado, Renata Baptista.

Coletiva na PF em Alagoas sobre operação que investiga fraudes nas obras do Canal do Sertão (Foto: Suely Melo/G1)

Canal do Sertão

O Canal do Sertão é uma obra hídrica para minimizar os efeitos da seca e promover o desenvolvimento socioeconômico das regiões do semiárido. A obra está inserida no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal
O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a PF a utilizar provas decorrentes de colaborações premiadas de pessoas ligadas à Construtora Norberto Odebrecht. Também foi somado ao inquérito relatórios do Tribunal de Contas da União constatando sobre preço em contrato firmado entre o governo de Alagoas e a Odebrecht no montante de R$ 33.931.699,46.

A PF apurou durante a investigação que também houve acordo para a divisão dos lotes da obra com a Construtora OAS.
Todo o material recolhido será encaminhado para análise da Superintendência da PF em Alagoas. A soma das penas máximas atribuídas aos delitos investigados pode chegar a 46 anos de prisão.




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