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sábado, 5 de maio de 2018

Projeto de Lei do Agrotóxico abre crise no governo - agrotóxico ou produto fitossanitário


Uma nova proposta de projeto de lei que flexibiliza as regras para fiscalização e utilização de agrotóxicos no País abriu uma crise dentro do governo, colocando o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Ibama em rota de colisão com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), além da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA).

A movimentação se intensificou devido à leitura do texto relatado pelo deputado Luiz Nishimori (PR/PR), em audiência marcada para a próxima terça-feira, 8, na Comissão Especial da Câmara que analisa o PL. De um lado, Ibama e Anvisa declaram que a proposta é inconstitucional e cercada de falhas que prejudicariam a fiscalização, ameaçando a vida das pessoas. Do outro, o Mapa e a FPA afirmam que o tema é tratado com “preconceito e ideologia” e que  precisa ser modernizado
O texto substitutivo, que foi juntado ao projeto de Lei 6.299/2002, de autoria do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, propõe mudanças profundas no setor, a começar pelo próprio nome com que esses produtos são chamados.

Pela proposta, o termo “agrotóxico” deixaria de existir. Entraria em seu lugar a expressão “produto fitossanitário”. A responsabilidade por conceder registros de novos agrotóxicos também mudaria de mãos. Hoje Ibama, Ministério da Saúde e Ministério da Agricultura tomam decisões de forma conjunta. Com a mudança, o Ministério da Agricultura concentraria todo o poder decisório.

O Ibama e o Ministério da Saúde teriam apenas a função de homologar pareceres técnicos, mas essas avaliações não seriam elaboradas por esses órgãos públicos. Caberia às próprias empresas interessadas em vender os agrotóxicos a missão de apresentar essas avaliações.

O texto também acaba com os atuais critérios de proibição de registro de agrotóxicos no País. Segundo o Ibama e a Anvisa, a proposta deixa brechas para que sejam vendidos no mercado nacional produtos já banidos em boa parte do mundo, causadores de distúrbios hormonais e danos ao sistema reprodutivo.

+ Ibama apreende 7,7 mil litros de agrotóxicos ilegais no oeste da Bahia

Inconstitucional. O Estado obteve uma nota técnica do Ibama sobre o substitutivo ao projeto de lei. O documento foi concluído na semana passada. O órgão se posiciona radicalmente contra o PL, sob a justificativa de que “são propostas excessivas simplificações ao registro de agrotóxicos, sob a justificativa de que o sistema atual está ultrapassado e de que não estão sendo atendidas as necessidades do setor agrícola”.

Na avaliação do Ibama, trata-se de mudanças “inviáveis ou desprovidas de adequada fundamentação técnica e, até mesmo, que contrariam determinação constitucional”.

A conclusão do órgão ligado ao MMA é de que as propostas “reduzirão o controle desses produtos pelo poder público, especialmente por parte dos órgãos federais responsáveis pelos setores da saúde e do meio ambiente”.

“O registro dos agrotóxicos, com participação efetiva dos setores de saúde e meio ambiente, é o procedimento básico e inicial de controle a ser exercido pelo poder público e sua manutenção e aperfeiçoamento se justificam na medida em que seja, primordialmente, um procedimento que previna a ocorrência de efeitos danosos ao ser humano, aos animais e ao meio ambiente”, informa a nota técnica. Procurado pela reportagem, o Ibama não quis comentar a análise.

Retrocesso. Presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Jarbas Barbosa afirma que a proposta em tramitação do Congresso representaria um retrocesso para o País. “O projeto muda para pior as regras de registro de agrotóxicos”, avalia.

As críticas também são feitas entre especialistas em saúde pública. A pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz de Pernambuco Aline Gurgel considera a mudança nas regras de registro de agrotóxicos um atraso que pode colocar em risco tanto a saúde da população quanto o meio ambiente. “A regra atual é moderna, equilibrada, pois dá um poder equivalente ao Ministério da Agricultura, à Anvisa e ao Ibama. É inaceitável que Anvisa e Ibama, que hoje têm poder de veto, passem a exercer apenas um mero papel consultivo”, completa a pesquisadora.

As críticas de Aline à proposta vão além da restrição do poder de veto da Anvisa e Ibama. A começar da sugestão de tratar agrotóxicos por defensivos fitossanitários. “Isso provocaria a ocultação do risco. O agrotóxico tem toxicidade. E isso precisa ficar claro para população. O termo precisa ser mantido.”

A pesquisadora é contrária também à regra que facilitaria o registro provisório de agrotóxicos. “Feitos para algumas moléculas, esses registros baseiam-se em informações que constam em processos de registro do produto em outros países, sem que haja a devida análise dos órgãos ambientais e de saúde.”

Aline rebate ainda a justificativa apresentada pelo projeto, de que regras atuais acabam levando a um processo moroso de avaliação de aprovação de novos agrotóxicos para culturas brasileiras. “A análise não pode ser simplista, movida por motivos econômicos. Estamos falando de saúde, de preservação do meio ambiente.”

Ideologia e preconceito. O Ministério da Agricultura reagiu duramente às críticas. Em resposta encaminhada ao ‘Estado’, o Mapa afirmou que, dos órgãos envolvidos na regulação de agrotóxicos no Brasil, é a Pasta, por meio da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), que de fato executa as fiscalizações federais de agrotóxicos. “São feitas mais de 1.500 ações fiscais no Brasil por ano, com atingimento de mais de 99,9% de conformidade nos produtos fiscalizados”, declarou. “Portanto, fiscalização é uma atividade realizada eminentemente pelos órgãos de agricultura no Brasil, considerando a área de agrotóxicos.”

Sobre o texto do projeto de lei e o relatório final do deputado Luiz Nishimori, o Mapa afirmou que a proposta “congrega uma série histórica de diversas demandas negligenciadas pelos órgãos federais nos últimos 20 anos”. A Pasta admitiu que “alguns pontos devem ser discutidos em função de seu contexto e origem”, mas sustenta que o relatório representa “uma iniciativa do legislativo de ajustar o marco legal e permitir a modernização da legislação nacional”.

A respeito do termo “agrotóxico”, o ministério declarou que se trata de um “neologismo brasileiro, único no planeta” e que este “reflete a intenção do legislador de comunicar o risco para produtos que possuem, naturalmente, um perigo intrínseco”. Quanto à acusação do Ibama e Anvisa de que estes perderiam funções de fiscalizar o setor, o Mapa declarou que, “no que tange ao registro e às prioridades para produtos que serão usados fundamentalmente para controle de pragas nas lavouras brasileiras, é missão indissociável do órgão federal de agricultura”.

Questionado sobre o risco de entrada de substâncias proibidas no País, o Mapa afirmou que o “alinhamento da legislação é fundamental para trazer serenidade na regulação de agrotóxicos no Brasil, diminuindo ruídos ideológicos e baseando a regulação unicamente em ciência”.

“O Mapa repudia ideias de exclusão dos entes de saúde e meio ambiente do meio regulatório, mas entende que é necessário incrementar com recursos o corpo técnico, as ferramentas de informática e os conceitos pétreos científicos para que mantenhamos a excelência e o reconhecimento internacional de produção agropecuária”, conclui o Ministério.

O relator do texto substitutivo, deputado Luiz Nishimori, respondeu por meio da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA). Em nota, a  frente esclareceu que, apesar do texto ser apensado ao PL de autoria de Blairo Maggi, a proposta base foi criada a partir do PL 3200/15, de autoria do deputado Covatti Filho (PP-RS).

Segundo a FPA, a atual avaliação de risco do agrotóxicos é “restritiva porque não leva em consideração que, sempre que usados em respeito às boas práticas agrícolas, os defensivos não oferecem riscos à saúde do agricultor, dos animais, das plantas, dos consumidores ou ao meio ambiente”.

A frente ruralista afirmou que “todos os parâmetros internacionais de avaliação de riscos aceitáveis para a saúde humana, animal e para o meio ambiente estão mantidos” e criticou a demora na emissão de registros de produtos.

“Hoje, demora-se de 8 a 10 anos para aprovar o registro de um novo produto. Muitas vezes, quando o produto é autorizado, já está defasado. Em países como EUA e Austrália, por exemplo, o prazo médio de registro é de três anos. A demora no registro de novos defensivos agrícolas no Brasil é um dos principais gargalos da legislação”, declarou.

Ideia antiga. A proposta de afrouxar as regras para agrotóxicos no País não é nova. No ano passado, o governo preparou uma Medida Provisória que facilitava o registro de agrotóxicos no País. Redigido pelo Ministério da Agricultura com a colaboração do setor produtivo, o texto criava uma brecha para o uso de defensivos que atualmente são classificados como cancerígenos, com risco de provocar má-formação nos fetos ou capacidade de provocar mutações celulares. Pelas regras atuais, qualquer produto que se encaixe nessas características é proibido de ser lançado no Brasil. No texto proposto na MP, esses empecilhos cairiam por terra. Bastaria que algumas condições fossem atendidas para reduzir os riscos desses efeitos.

Risco. A proposta em tramitação no Congresso para mudar as normas de registro de agrotóxicos colocaria em risco a saúde dos trabalhadores do campo, reduziria a segurança dos brasileiros em geral e, ainda, poderia provocar danos para a imagem de produtos brasileiros no mercado externo, afirma o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Jarbas Barbosa. “Seria muito prejudicial. Torço para não ser aprovada.”

Em entrevista ao Estado, Barbosa afirma que seria um erro retirar a Anvisa e o Ibama da análise dos pedidos de registro de agrotóxicos, como propõe o projeto. A atribuição ficaria a cargo do Ministério da Agricultura. “Mas quem vai fazer a avaliação do impacto à saúde ou ao meio ambiente? O Ministério da Agricultura não tem experiência acumulada para fazer avaliação toxicológica. Seria um retrocesso imenso.” Teoricamente, Ibama e Anvisa atuariam numa comissão criada para fazer a avaliação, mas sem poder de veto. “O Brasil vai passar a dar registro só levando em conta as necessidades da indústria agrícola?”, questiona.

Para o setor produtivo, o sistema atual é muito burocrático e lento, o que acabaria reduzindo as chances de entrada no mercado de novos produtos, mais baratos, eficientes e portanto essenciais para tornar a produção brasileira mais competitiva no mercado internacional

O presidente da Anvisa, no entanto, tem uma avaliação diferente. Ele alerta que uma mudança de regras tem impacto negativo também no mercado externo. “A ideia será a de que o País abriu mão de uma regulação mais séria”, ponderou. O impacto no mercado interno também seria significativo

André Borges e Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo


sexta-feira, 4 de maio de 2018

Reunião da Comissão Intergovernamental de HIV/AIDS do MERCOSUL, em Assunção - Paraguai


FÁBIO DA SILVA SARTORI, Analista Técnico de Políticas Sociais, em exercício no Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle de Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/AIDS e Hepatites Virais, da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, participará de Reunião da Comissão Intergovernamental de HIV/AIDS do MERCOSUL, em Assunção - Paraguai, no período de 16 a 19 de maio de 2018, inclusive trânsito.

Reunião do Comitê Coordenador do Programa para Eliminação da Oncocercose nas Américas - OEPA


ANDREIA DE PÁDUA CARELI DANTAS, Técnica da Coordenação-Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação, da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, participará de Reunião do Comitê Coordenador do Programa para Eliminação da Oncocercose nas Américas - OEPA, na Cidade da Guatemala - Guatemala, no período de 29 de maio a 2 de junho de 2018, inclusive trânsito.

SENADO VAI PRIORIZAR NA CAS a Política de Atenção Hospitalar e a contratualização dos hospitais filantrópicos no SUS


Saúde
Na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), o tema escolhido foi a Política de Atenção Hospitalar e a contratualização dos hospitais filantrópicos no SUS. A intenção da senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), presidente da comissão, é estudar em detalhes a situação das Santas Casas e dos hospitais filantrópicos, que recebem isenções fiscais do governo.

O relator será o senador Dalírio Beber (PSDB-SC), que já foi responsável por relatar um projeto aprovado em 2018 sobre o tema. O PLC 187/2017, aprovado em março, simplificou as regras para a obtenção e renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas). Esse certificado é necessário para que as entidades possam prestar serviços ao SUS.

De acordo com a norma, cada comissão permanente do Senado deve eleger uma política pública por ano para avaliação. A análise se estende aos impactos das propostas e às atividades de suporte para a sua execução, com a solicitação de informações e documentos a órgãos do Poder Executivo, Tribunal de Contas da União (TCU) e entidades da sociedade.

Ao final da sessão legislativa, a comissão apresenta relatório com as conclusões da avaliação realizada. A Consultoria Legislativa e a Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle elaboram estudos e relatórios técnicos que subsidiam os trabalhos de avaliação.



CCT do SENADO VAI PRIORIZAR EM 2018 A atuação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições


Na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), o tema escolhido  foi a atuação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública de fomento à ciência, tecnologia e inovação em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições. O responsável pela avaliação será o senador Waldemir Moka (PMDB-MS).

De acordo com a norma, cada comissão permanente do Senado deve eleger uma política pública por ano para avaliação. A análise se estende aos impactos das propostas e às atividades de suporte para a sua execução, com a solicitação de informações e documentos a órgãos do Poder Executivo, Tribunal de Contas da União (TCU) e entidades da sociedade.

Ao final da sessão legislativa, a comissão apresenta relatório com as conclusões da avaliação realizada. A Consultoria Legislativa e a Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle elaboram estudos e relatórios técnicos que subsidiam os trabalhos de avaliação.



OPAS/OMS solicita que pedidos de subsídios apoiem políticas, programas e sistemas de saúde em projetos relacionados aos ODS


A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde fez, nesta quinta-feira (3), uma nova chamada para a apresentação de propostas que visam apoiar pesquisas sobre mudanças necessárias em todo o sistema para atingir metas regionais de saúde no marco dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).  

A apresentação de pedidos de subsídios é particularmente incentivada para a Bolívia, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Nicarágua, Paraguai e Suriname. As solicitações podem ser enviadas até 15 de maio de 2018. Projetos bem-sucedidos receberão uma bolsa de pesquisa no valor máximo de US$ 30.000 (dólares dos Estados Unidos). Essas doações são para indivíduos responsáveis pela implementação de programas em uma instituição pública na América Latina e/ou Caribe. É importante ressaltar que os pedidos de universidades e instituições privadas não são elegíveis para inscrição.  

A iniciativa – Embedding Research for the Sustainable Development Goals (ER-SDG) – é organizada pela OPAS, Alliance for Health Policy and Systems Research (Alliance HPSR) e UNICEF/PNUD/Banco Mundial/Programa Especial de Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (TDR) da OMS e reconhece a necessidade de uma pesquisa integrada que fortaleça programas, políticas e sistemas de saúde na América Latina e no Caribe.  

Incorporar pesquisas em contextos do mundo real é uma parte vital de garantir sua relevância para sistemas de saúde específicos, para que agências governamentais, instituições de pesquisa, doadores e sociedade civil possam atuar de forma mais eficaz sobre recomendações e abordar lacunas sistêmicas. As questões de pesquisa devem, portanto, ser originadas daqueles que trabalham na linha de frente da prestação e implementação da saúde para assegurar que os programas, políticas e sistemas de saúde existentes possam ser melhorados de acordo com os contextos locais.  

Os candidatos devem apresentar uma nota conceitual sobre um problema relacionado ao programa, política ou sistema relacionado aos ODS. Esse problema pode ter enfoque no ODS 3 (apesar de não estar limitado a ele): garantir vidas saudáveis e promover o bem-estar para todos em todas as idades; e no ODS 10: reduzir as desigualdades dentro e entre países. Isso inclui projetos sobre temas como doenças transmissíveis, doenças crônicas não transmissíveis, saúde materna e infantil, preparação para emergências e socorro em desastres, entre outros. O financiamento não deve ser usado para pagar pessoal adicional, mas pode ser usado para cobrir os custos do tempo dos pesquisadores, atividades de coleta de dados e outras atividades de pesquisa relacionadas.  

Os beneficiários anteriores do ER-SDG incluem um programa sobre a prevenção e controle da tuberculose em população privada de liberdade; implementação de uma política de intercambiabilidade de medicamentos; e desenvolvimento de um caminho crítico para as mulheres afetadas pelo vírus zika e exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos.  

Para obter mais informações sobre a chamada, bem como informações adicionais sobre os critérios de elegibilidade, acesse o site da OPAS.  



Regulação de Fitoterápicos é tema de seminário


Evento gratuito é organizado pela Anvisa em parceria com o Sindusfarma.

No dia 10 de maio, o auditório da Anvisa, em Brasília, vai sediar o Seminário Internacional sobre Regulação de Fitoterápicos. A proposta do evento é fomentar políticas de desenvolvimento destes medicamentos no Brasil, atualizando informações sobre os cenários internacionais e nacionais de registro destes produtos.

Durante o encontro, haverá o lançamento do 1º Suplemento de Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira.

Clique aqui para conferir a programação e obter informações sobre a inscrição.
O Seminário será transmitido, ao vivo, pelo Portal da Anvisa. O link para acessar a transmissão será divulgado em breve.



quinta-feira, 3 de maio de 2018

Comissões definem políticas públicas que serão analisadas em 2018


Sete das 13 comissões permanentes do Senado já definiram as políticas públicas a serem avaliadas em 2018. A avaliação passou a ser realizada a partir de 2013 para fortalecer o papel fiscalizador do Senado. Entre as comissões que já definiram a política a ser avaliada está a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que vai se concentrar na segurança pública, tema prioritário para o Senado em 2018.

O tema já aprovado pela CAE foi proposto por seu presidente, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) é a questão orçamentária e reflexos econômicos da crise da segurança pública. No requerimento em que sugeriu o tema, o senador lembrou que o Brasil vive uma grave crise na segurança pública, que culminou com a recente intervenção federal no Rio de Janeiro. A intenção do senador é avaliar as  ações do Executivo na segurança pública e os impactos na economia.

— Não resta dúvida que a segurança pública tem sérios reflexos na economia, como a redução de atratividade de investimentos internos e externos, diminuição da capacidade de investimento público em outros setores devido ao volume demandado pela segurança e combate à criminalidade, assim como na própria saúde pública no atendimento a atingidos pela violência — explicou Tasso, que será o responsável pelo relatório.

Outro aspecto que deve ser considerado é a baixa execução de verbas orçamentárias no setor, alvo de frequentes contingenciamentos, além da desproporcionalidade na distribuição de recursos entre União, estados e municípios.

Saúde
Na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), o tema escolhido foi a Política de Atenção Hospitalar e a contratualização dos hospitais filantrópicos no SUS. A intenção da senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), presidente da comissão, é estudar em detalhes a situação das Santas Casas e dos hospitais filantrópicos, que recebem isenções fiscais do governo.
O relator será o senador Dalírio Beber (PSDB-SC), que já foi responsável por relatar um projeto aprovado em 2018 sobre o tema. O PLC 187/2017, aprovado em março, simplificou as regras para a obtenção e renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas). Esse certificado é necessário para que as entidades possam prestar serviços ao SUS.

O Programa Garantia Safra, que garante renda para a sobrevivência de agricultores de áreas atingidas por seca ou enchentes, e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que compra alimentos produzidos pela agricultura familiar, serão as políticas avaliadas pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA). A relatora será a senadora Ana Amélia (PP-RS).

Na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), o tema escolhido  foi a atuação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública de fomento à ciência, tecnologia e inovação em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições. O responsável pela avaliação será o senador Waldemir Moka (PMDB-MS).

Outros temas já definidos são a Política Nacional de Segurança de Barragens, pela Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR); o aproveitamento do potencial das vias navegáveis interiores que compõem o Subsistema Aquaviário Federal, pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI); e a erradicação do trabalho escravo, pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

Avaliação
A avaliação de políticas públicas no Senado é resultado de uma resolução aprovada em 2013 para fortalecer o papel fiscalizador da Casa. De acordo com a norma, cada comissão permanente do Senado deve eleger uma política pública por ano para avaliação. A análise se estende aos impactos das propostas e às atividades de suporte para a sua execução, com a solicitação de informações e documentos a órgãos do Poder Executivo, Tribunal de Contas da União (TCU) e entidades da sociedade.

Ao final da sessão legislativa, a comissão apresenta relatório com as conclusões da avaliação realizada. A Consultoria Legislativa e a Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle elaboram estudos e relatórios técnicos que subsidiam os trabalhos de avaliação.
Proposições legislativas: PLC 187/2017

Geraldo Magela - Agência Senado


Brasil reúne nove países para discutir políticas voltadas à alimentação saudável


Evento acontece por meio da Década de Ação pela Nutrição (2016-2025) da Organização das Nações Unidas. Redução da obesidade e do consumo de sal são temas principais dos trabalhos

Alimentar-se bem é uma das melhores maneiras de prevenir doenças crônicas. A fim de discutir e melhorar as políticas voltadas a esse tema, o Brasil comprometeu-se a participar da Década de Ação pela Nutrição (2016-2025) da Organização das Nações Unidas (ONU). Assim, nesta quinta-feira (03) e sexta-feira (04), o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, realiza, em Brasília, o primeiro Encontro Regional sobre Redes nesse âmbito com a presença de outros nove países.

Durante o evento, serão trabalhadas duas redes de debates sendo uma voltada às estratégias para redução do consumo de sal e a prevenção e controle de doenças cardiovasculares; e outra para promoção de Guias Alimentares baseados em Alimentos para prevenção da obesidade e redução das doenças crônicas. O principal objetivo dessas duas frentes é apoiar a elaboração, aprimoramento e implementação de estratégias que melhorem a saúde da população das Américas e Caribe.

Participam deste encontro representantes dos Ministério da Saúde da Argentina; Canadá; Chile; Costa Rica; Colômbia; Equador; México; Peru; e Uruguai. Além de estarem engajados com os temas centrais, os mesmos possuem trabalhos destaques nessas linhas que contribuem para a construção das políticas públicas nas nações vizinhas.

O Brasil, nesse sentido, foi um dos primeiros países a lançar um Guia Alimentar para a sua população. A primeira versão foi publicada em 2006, e a segunda em 2014, após ter sido constatado que “as principais doenças que acometem os brasileiros deixaram de ser agudas e passaram a ser crônicas”. A obesidade, por exemplo, acomete um em cada dois adultos e uma em cada três crianças brasileiras.

Mais de 100 países já desenvolveram Guias Alimentares, mas o trabalho do Brasil foi reconhecido internacionalmente por seu protagonismo na elaboração de suas recomendações, trazendo à luz discussões quanto aos sistemas alimentares, formas de produção, circunstâncias que envolvem o ato de comer e valorização da alimentação tradicional brasileira. 

Itens relacionados

Um dos temas pautados no Guia refere-se à redução das quantidades de açúcar, gorduras e sódio nos alimentos processados. Desde 2007, o Ministério da Saúde possui um acordo com a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) para melhorar o perfil nutricional dos alimentos industrializados. Na primeira avaliação desse processo, em 2010, verificou-se que houve 93,4% de alcance das metas pelas indústrias representadas pela Abia, o que representou redução estimada em 250 mil toneladas de gorduras trans nos produtos processados. O acordo foi renovado no ano passado, a meta é retirar, voluntariamente, 28,5 toneladas de sódio da alimentação dos brasileiros que ingere atualmente 12 gramas de sódio por dia, mais que o dobro do máximo sugerido pela Organização Mundial da Saúde, que é de 5 gramas.

ALIMENTAÇÃO
A Década de Ação pela Nutrição foi proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em abril de 2016, por meio da Resolução 70/259. O objetivo principal é coordenar esforços a nível global com uma efetiva participação dos países para o enfrentamento de todas as formas de má nutrição em uma perspectiva ampliada. Para isto, considera-se que o papel do sistema alimentar é central na definição do tipo e da qualidade do que as populações escolhem para se nutrir. A agenda da nutrição está permeada em seis dos dezessete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, e focada no segundo objetivo que visa acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável.

Por Ingrid Castilho, da Agência Saúde
Atendimento à imprensa – Ascom/MS


Hospital oncológico Notre Dame é inaugurado em Barretos


Unidade especializada é mantida pela mesma fundação gestora do Hospital de Amor, que atende 6 mil pessoas por dia na cidade paulista

Foto: Alan Santos/PR
Pacientes com câncer contarão com o apoio de uma nova instituição especializada, o Hospital Notre Dame, inaugurado em Barretos (SP) nesta quinta-feira (3). O Centro de Diagnóstico por Imagem do novo hospital recebeu o nome do presidente da República, Michel Temer, que compareceu ao local na manhã de hoje, acompanhado pelo ministro da Saúde, Gilberto Occhi, e parlamentares. "Fico muito feliz em receber o apreço de todos [...] São avanços tecnológicos da medicina que permitirão que o homem atinja a longevidade", atestou. 

A entidade será mantida pela Fundação Pio XII, gestora do Hospital de Amor, unidade de referência no tratamento  oncológico, que atende cerca de 6 mil pessoas diariamente na cidade paulista. Na solenidade, Temer agradeceu ao presidente da instituição, Henrique Prata. "Ele naturalmente estende seus braços sociais de saúde por quase todos os estados brasileiros. Meu desejo é que isso chegue às 27 unidades da Federação", ressaltou o chefe do Executivo. 

Hospital Notre Dame
Instalada em uma área de 5.550 metros quadrados (m²), a nova unidade de Barretos tem como objetivo oferecer um atendimento humanizado, de excelência e qualidade, além de tratamentos especializados em oncologia. O Hospital Notre Dame dispõe de setores de diagnóstico por imagem, cardiologia e radiologia intervencionada, com tecnologia de ponta, aparelhos modernos, inovação e um corpo clínico experiente e capacitado.
A instituição conta com 25 leitos para internações clínicas e cirúrgicas, oito leitos para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), quatro salas para centro cirúrgico, laboratório de análises clínicas, centro de diagnóstico por imagem, hemodinâmica, ortopedia, pronto atendimento, consultórios médicos e apoio terapêutico. 

Fonte: Planalto


Regulatory reliance: que modelo seria adequado para o Brasil?


Anvisa ainda não está preparada para as demandas do porvir

A simultaneidade de vários fatores econômicos e sociais empurra o Brasil para a decisão urgente sobre um novo modelo de vigilância sanitária – área sensível do Estado, que supervisiona mercados gigantescos como alimentos, medicamentos e defensivos agrícolas (algo em torno de 22% do PIB). O termo “urgência” não é exagero, em função do acúmulo de fatores econômicos e sociais: a oferta crescente de produtos e serviços, as transações comerciais cada vez mais rápidas e complexas decorrentes das novas tecnologias, e as travas à atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decorrentes da hesitação brasileira sobre prerrogativas e modus operandi do modelo e agências reguladoras são os fatores que nos pressionam.

A falta de revisão e renovação sobre a atuação da Anvisa reflete a mentalidade gerencial brasileira, não é algo específico contra essa agência. Mas torna-se mais crítica diante dos desafios cotidianos de saúde humana, saúde animal e sanidade ambiental, afora a necessidade de desenvolvimento econômico. Constata-se que as ferramentas e a velocidade do Estado tornam-se mais e mais diminutos frente ao mercado, no mundo inteiro. Porém, em outros países, tal conclusão levou governos a apresentarem soluções céleres para que o aparato estatal continuasse efetivo na análise, registro e fiscalização de alimentos, suplementos, fármacos e pesticidas. Tudo isso com transparência na informação e relacionamento com os consumidores, os cidadãos.

Em parte daqueles países, a mudança para melhor ocorreu com uma revisão e discussões CONCEITUAIS sobre a forma de atuação da agência de vigilância sanitária. Mais especificamente, confrontaram-se em algum momento os modelos “pré-mercado” (onde hoje se enquadra a Anvisa) e “pós-mercado”. Ambos se orientam, claro, pelo objetivo de assegurar a segurança, eficácia e qualidade dos produtos, mas divergem na interação com o mercado e com o cidadão.

Operacionalmente, no modelo pré-mercado, o esforço das autoridades é concentrado nas etapas anteriores à colocação do produto no mercado: os técnicos da agência avaliam um dossiê apresentado pelas empresas que querem colocar produtos à venda, e desse dossiê devem constar dados e informações suficientes para comprovar que, se tudo for feito daquela mesma maneira, o produto está adequado ao consumo. Resumindo muito, exige-se que as empresas executem sua produção exatamente igual ao registrado, já que só assim haverá garantia de que a população consume o produto conforme registrado e, portanto, seguindo parâmetros de segurança e eficácia.

Já no modelo pós-mercado, isso continuará sendo feito, mas de maneira mais flexível, deixando à conta dos produtores grande parte dessa responsabilidade. Porém, consequentemente, os fabricantes estarão sujeitos a uma fiscalização posterior do produto colocado no mercado, que pode ser até mais efetiva do que a executada atualmente.

Antes de relacionar as duas possibilidades de modelo à Anvisa, cabe uma ressalva crítica: o modelo pré-mercado não isenta a autoridade de avaliar o pós.

Explique-se: uma vez registrado o produto com todos os padrões de exigência em sua fabricação, será necessário, no mínimo, assegurar que as empresas seguem o processo à risca.

Significa que qualquer alteração naquele processo, por vontade ou necessidade, deve ser apresentado à Anvisa e isso pressupõe que a autoridade sanitária estará pronta para avaliar a qualquer momento todos os pedidos de alteração – do contrário o Estado poderá travar o mercado. Em outras palavras, a máquina estatal estará engessando o processo produtivo, os investimentos e lucros, e dando golpe mortal nos princípios da concorrência e inovação.

Voltemos à nossa Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Perto de completar seus 20 anos, exibe uma ficha corrida de bons serviços no sentido de dar segurança à população no consumo dos produtos e serviços por ela regulados. Saímos da época da célebre pílula de farinha para uma atualidade em que não se conhece mais fábricas de falsificação de medicamentos em território nacional. Temos total garantia que os produtos que consumimos no Brasil têm qualidade.

E observem que nos últimos anos a Anvisa tem sofrido constantes teste, lembrem-se da pílula do câncer, dos anorexígenos, das liberações de importações sem a aprovação da licenças, e outros casos menos conhecidos que acontecem cotidianamente. Mas essa lista de bons serviços é suficiente? Não, em absoluto!

Temos de admitir que a Anvisa ainda não está preparada para as demandas do porvir. Existem necessidades de várias ordens, mas a maior preocupação deve ser a matriz CONCEITUAL, o marco regulatório, o modelo de atuação. Daí decorre todo o resto. Nos países com vigilância sanitária avançada, primeiro veio a reflexão conceitual, geralmente com a decisão de mudar o grau de dependência do mercado em relação à avaliação da autoridade reguladora.

É preciso pensar numa regulação mais moderna. É de fundamental importância registrar enfaticamente que os modelos atual e passado não foram errados, talvez apenas já tenham contribuído ao máximo, chegado à exaustão. O processo de desenvolvimento de um produto mudou. Os processos produtivos mudarão. A sociedade muda. E as autoridades regulatórias devem mudar para acompanhar tudo isso. Precisamos, como autoridades sanitárias, nos juntarmos, então porque não pensar em aproveitar o trabalho uma das outras? Não se pode pensar em reconhecimentos recíprocos, como nos velhos modelos de cooperação internacional, mas pode-se aproveitar a análise feita por outra autoridade.

Neste ponto, as indagações naturais são: será que podemos migrar para um modelo pós-mercado? Será possível adotar fórmula de menor dependência da regulação da Anvisa?

Depender menos do Estado implica, entre outras coisas, contar com a população para fiscalizar todos os produtos, incluindo os aparatos de comunicação com o cidadão e ferramentas de denúncias e fiscalizações eficientes.

Ressalte-se outro questionamento: não seria possível reduzir a dependência da regulação apenas PARCIALMENTE, ou seja, reduzindo o mecanismo para aqueles segmentos de mercados equilibrados, onde há bastante concorrência entre produtos/serviços e com já consolidada qualidade e segurança? Devemos avaliar nosso processo estatal e verificar a efetividade de ficar analisando itens antes de conceder a autorização de comercialização, diante da enormidade de produtos desenvolvidos todos os dias.

Por outro lado, a avaliação do modelo de atuação pós-mercado precisa fortemente de redes de laboratórios de checagem muito eficientes. O sistema de pós-mercado é de maior custo. Mas muitas vezes surge como melhor solução diante dos gargalos terríveis criados pelo modelo pré-mercado – que cria “filas” de registro de produtos e serviços, que por vezes duram anos! E, com isso, perdem-se inovações cruciais às empresas e à sociedade…

Assim, escolher-se o modelo de pré mercado significa ter uma quadro de técnicos e modelos de análise que deem conta dessa, e assim queremos, já que está diretamente relacionada ao crescimento do país, infindável demanda. Porém todos nós também sabemos da limitação dessa gestão pelos modelos do estado brasileiro de hoje. Desde a dificuldade de ter quadros móveis de servidores, até mudanças de processos de trabalho. Neste pé, mais uma vez mostra-se necessário refletir sobre o modelo regulatório que melhor se encaixa no Brasil.

Então como escolher o modelo mais adequado? A resposta não é simples. A meu ver, passa antes por uma percepção do mercado que se regula e do atual nível de compliance do setor produtivo, além de uma necessidade de comunicação clara do modelo junto à população.

Alguns críticos poderiam ver nisso a famosa expressão do “Estado mínimo”, nome depreciativo que remete a uma suposta perda de qualidade na ação estatal. Mas façamos um raciocínio sobre o sistema de pesos e contrapesos do modelo pós-mercado, partindo do pressuposto que ele aumenta em muito a parcela de responsabilidade do empresariado sobre o processo produtivo.

Num mundo com informações cada vez mais ágeis, incluindo a imprensa, e com os possíveis efeitos manada de investidores nas bolsas de valores, quanto custaria a uma empresa a retirada de produto por desvio de qualidade? Por outro lado, os defensores do pós-mercado argumentam que esse modelo induz cada vez mais a uma auto fiscalização pelos fabricantes.

Muito mais fatores devemos considerar: o tamanho da economia, a pujança e competitividade de cada segmento de mercado, a capacidade de cada setor de desenvolver tecnologias e inovações, os índices de fiscalização dos parques fabris e o grau de compliance entre os fabricantes…

Muitas perguntas a serem respondidas, mas uma conclusão é certa: o modelo brasileiro precisa ser reavaliado urgentemente. O importante é enfrentar essa discussão! A vigilância sanitária não pode ser trava ao desenvolvimento.

O risco sanitário é eficientemente controlado hoje. Mas é preciso evoluir para continuar fornecendo essa segurança.

Renato Porto – Diretor da ANVISA


quarta-feira, 2 de maio de 2018

CIT recebe novo ministro da saúde com lista de reivindicações


A Comissão Intergestores Tripartite (CIT) do mês de abril aconteceu nesta quinta-feira (26). O CONASEMS e o CONASS apresentaram demandas pactuadas e não publicadas para o novo Ministro da Saúde, Gilberto Occhi. O Conasems divulgou o Webdoc Brasil, aqui tem SUS sobre a situação do município de Boa Vista – Roraima e um documento histórico de 1991 sobre a criação da CIT, que integra o acervo 30 anos do Conasems.

O presidente do Conasems, Mauro Junqueira, iniciou a reunião dando boas-vindas ao ministro e listando uma série de reivindicações da entidade, que já vem sendo discutidas em CIT. “Julgamos alguns pontos pendentes extremamente importantes para a gestão – a continuidade da agenda política da PNAB, aprovada em CIT. A publicação das portarias aprovadas no mês passado, que criaram a gerência da Atenção Básica e financiamento da novas equipes de AB. A garantia da continuidade do Programa Mais Médicos, que está sofrendo demora na troca de médicos, deixando os municípios desassistidos, além de estarem sofrendo suspensão do repasse por demora na substituição desses profissionais”.

Outro ponto destacado pelo presidente do CONASEMS foi a questão dos Agentes Comunitários de Saúde. “Temos no SUS uma série de profissionais de diferentes categorias, infelizmente o Congresso Nacional trata só com uma dessas categorias, aumentando salários, discutindo insalubridade, entre outros benefícios, mas os agentes não são a única categoria importante para o SUS. Precisamos apoiar esses trabalhadores, aprovamos a PNAB que os valoriza, dá oportunidade de capacitação para que ampliem o conhecimento, as ações e os atendimentos à comunidade” e complementou “Não adianta o congresso determinar um aumento de salário sem consultar se os municípios, que são quem de fato contratam e pagam, têm ou não condições de pagar. Os dados comprovam que não existe mais margem para novos recursos municipais, nem contrapartida, nem possibilidade de gastos extras”.

Liberar a adesão dos municípios ao PIUBS, recursos do PMAQ, utilização das UPAS que já foram construídas, falta de agulhas para as canetas de insulina, situação do glaucoma, entre outros tópicos estiveram na lista de reivindicações do CONASEMS (confira o documento na íntegra).

O secretário executivo do CONASS, Jurandi Frutuoso, enfatizou o problema da falta de recursos. “O contingenciamento de 22 bilhões em um orçamento de 130 bilhões deixa claro o cenário de subfinanciamento que o Sistema sofre. Por mais que o gestor seja eficiente não tem como responder a população sem o recurso”.

PACTUAÇÃO

Foi pactuada a minuta que altera a Portaria de Consolidação nº 6/GM/MS, de 28 de setembro de 2017, que dispõe sobre o financiamento e a transferência dos recursos federais para as ações de vigilância sanitária, relativas ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária do SUS. Após o empenho do CONASEMS e CONASS, com a alteração, a Anvisa simplificará o repasse de vigilância para os municípios, acabando com bloqueios burocráticos. (Confira aqui a portaria aprovada)

WEBDOC BRASIL, AQUI TEM SUS

O Conasems apresentou o webdoc Brasil, aqui tem SUS sobre a situação do município. Milhares de refugiados venezuelanos estão sendo atendidos na rede do SUS de Boa Vista – Roraima. Pela falta de imunização, se estabeleceu um surto de sarampo e várias outras doenças estão se alastrando por conta da situação de vulnerabilidade dos imigrantes. Sem recursos extras, nem contrapartida financeira do governo, a Secretaria Municipal de Saúde de Boa Vista está realizando mutirões de vacinação e oferecendo atendimento aos venezuelanos.

O ministro, após a exibição do filme, sugeriu a ida do Ministério, CONASS e CONASEMS até Roraima para analisar a situação e debater junto aos representantes locais alternativas para auxiliar nas demandas crescentes.

Confira mais fotos da reunião no link: https://www.flickr.com/photos/conasems/sets/72157695440142064



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