Atualmente,
41.236 pacientes estão à espera de um órgão no Brasil. Saiba como acontece todo
o procedimento, desde o diagnóstico de morte encefálica até a recuperação do
paciente que recebeu um novo órgão de um doador
No ano passado, foram realizadas no Brasil 23.666
cirurgias de transplante de órgãos, sendo 95% dos procedimentos realizados pelo
Sistema Único de Saúde (SUS). Em mais da metade das operações (58%), 13.793
pacientes receberam novos corações saudáveis. Os transplantes de rim estão em
segundo lugar: foram 5.409 cirurgias em 2015, o que corresponde a 23% de todos
os procedimentos.
Apesar
do grande volume de cirurgias realizadas, a quantidade de pessoas à espera de
um novo órgão ainda é grande. Ao todo, 41.236 pacientes estão cadastrados na
lista SUS. O rim é o órgão mais demandado: 25.077 esperam por um transplante
renal. Em seguida, vêm as córneas (12.686) e o fígado (2.193)
.
Para
vencer a atual desproporção entre número de pacientes na lista e o número de
transplantes realizados, é importante conscientizar a população sobre todas as
etapas do procedimento, que começa com o diagnóstico de morte encefálica de um
potencial doador e termina na recuperação do paciente que recebeu um novo
órgão. Entre essas etapas, é preciso correr contra o tempo, levantar
informações importantes sobre o histórico do doador e do paciente e, a etapa
mais delicada, contar com a solidariedade de uma família que passa por um
momento de dor.
Entenda
todas as etapas do processo de doação de órgãos:
Diagnóstico
de morte encefálica
À
princípio, qualquer pessoa que tenha tido a morte encefálica confirmada pode se
tornar doadora. Esse é um quadro irreversível em que é diagnosticada a parada
total das funções cerebrais. São realizados testes como o eletroencefalograma e
a angiografia cerebral para certificar os médicos e a família da parada do
órgão.
Em
geral, isso ocorre após traumatismos cranianos ou acidentes vasculares.
Contudo, apesar da falência do cérebro, o coração continua batendo e é a
irrigação sanguínea que mantém os órgãos viáveis para doação. A circulação é mantida
artificialmente, por meio de aparelhos e medicamentos, enquanto a Central de
Transplantes é avisada e a família é notificada da situação.
Autorização
da família
Após
o diagnóstico de morte encefálica, a família deve ser consultada e orientada
sobre o processo de doação de órgãos. Depois de seis horas de atestada a
falência cerebral, o potencial doador passa por um novo teste clínico para
confirmar o diagnóstico. Em seguida, a família é questionada sobre o desejo de
doar os órgãos.
Mensagens
por escrito deixadas pelo doador não são válidas para autorizar a doação. Por
isso, apenas os familiares podem dar o aval da cirurgia, após a assinatura de
um termo. De acordo com o Ministério da Saúde, metade das famílias
entrevistadas não permite a retirada dos órgãos para doação.
Por
isso, é importante conversar com a família ainda em vida para deixar claro esse
desejo.
Entrevista
familiar
Depois
da confirmação da morte encefálica e de manifestado o desejo pela família de
doar os órgãos do parente, a equipe médica realiza um questionário com os
familiares para detalhar o histórico clínico do paciente. A ideia é investigar
se os hábitos do doador teriam levado ao desenvolvimento de possíveis doenças
ou infecções que possam ser transmitidas ao receptor.
Doenças
crônicas como diabetes, infecções ou mesmo uso de drogas injetáveis podem
acabar comprometendo o órgão que seria doado, inviabilizando o transplante. Por
isso, a equipe médica verifica o passado clínico do doador. A entrevista é um
guia para os médicos, que ainda realizam testes biológicos e físicos que
indicam também a possível compatibilidade com os receptores na fila do
transplante.
Retirada
de órgãos
De
um mesmo doador, é possível retirar vários órgãos para o transplante. Em geral,
as cirurgias mais recorrentes são as de coração, pulmões, fígado, pâncreas,
intestino, rins, córnea, vasos, pele, ossos e tendões. Com isso, inúmeras
pessoas podem ser beneficiadas com os órgãos de um mesmo doador. Os órgãos que
duram menos tempo uma vez fora do corpo são retirados antes.
Nos
27 centros de notificação integrados, os dados informatizados do doador são
cruzados com os das pessoas que aguardam na fila pelo órgão para que o
candidato ideal, conforme urgência e tempo de espera, seja encontrado em
qualquer parte do País.
Os
profissionais envolvidos no processo trabalham em contagem regressiva para não
ultrapassar o tempo limite para a retirada dos órgãos e também para a
preservação dos mesmos durante o transporte.
Transporte
Quando
a doação é entre pessoas de Estados diferentes, o Ministério da Saúde viabiliza
o transporte aéreo dos tecidos e órgãos. A pasta tem um acordo voluntário de
cooperação com companhias aéreas para assegurar o translado. As empresas
transportam os órgãos gratuitamente em voos comerciais.
Em
2015, o Ministério da Saúde viabilizou o transporte de 1.164 órgãos e 2.409
tecidos para transplantes por meio do termo de cooperação e ainda 110 órgãos e
219 tecidos por meio de voos fretados e transportes terrestres em parceria com
as Centrais Estaduais de Transplantes.
Para
reforçar o processo de transporte, o presidente em exercício, Michel Temer, por
meio de decreto, determinou que a Força Aérea Brasileira (FAB) também forneça
apoio ao Ministério da Saúde, especialmente em missões solicitadas pela Central
Nacional de Transplantes.
Recuperação
Depois
de transplantado, o paciente tem um pós-operatório semelhante ao de outras
cirurgias. Mas o sucesso da operação depende de vários fatores, como as
condições do órgão e o estado de saúde do paciente. No entanto, ele terá de
tomar remédios imunossupressores durante toda a vida para evitar uma possível
rejeição do corpo ao novo órgão.
A
estimativa do Ministério da Saúde é de que a sobrevida dos pacientes depois de
cinco anos da cirurgia é de 60% nos casos de transplante de fígado e pulmão;
70% para cirurgias de substituição do coração; e 80% para os transplantes de
rim.
Fonte: Portal
Brasil, com informações do Ministério da Saúde e da Adote



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