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quarta-feira, 22 de junho de 2016

'Pílula do câncer' falha em seu sétimo teste

Substância demonstrou resultados pouco animadores no combate ao câncer 
A fosfoetanolamina, conhecida como “pílula do câncer”, teve mais um resultado negativo na série de testes encomendada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O trabalho, divulgado em 17 de junho, mostrou que a substância não é capaz de combater câncer de pâncreas e melanomas nem em alta concentração. O composto também mostrou desempenho desanimador em células de câncer de pulmão.
Feito com fosfoetanolamina produzida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), trata-se do sétimo estudo com resultados pouco animadores sobre o potencial da substância no tratamento do câncer. O resultado foi considerado tão desanimador que, em reunião realizada com o grupo de especialistas no MCTI, foi sugerida até a interrupção dos trabalhos.
Parte dos integrantes do grupo considera necessária a realização de outros estudos para indicar se a fosfoetanolamina tem de fato algum tipo de ação no organismo. “Pode haver até uma ação anti-inflamatória ou analgésica. Mas os trabalhos mostram que, para os tipos de câncer avaliados até agora, ela não é eficaz”, afirmou um integrante do comitê, sob condição de anonimato.
Diretor-geral do Instituto de Câncer do Estado de São Paulo, o oncologista Paulo Hoff reconheceu que os resultados até agora reunidos indicam que o produto não é milagroso como alguns pacientes avaliavam ser. “O debate sobre essa substância é ainda muito carregado de emoções. Precisamos observar que estudos pré-clínicos, laboratoriais, em animais, apresentam limitações”, completou. Consultados, Ministério da Saúde e MCTI afirmaram que pesquisas com a "pílula do câncer" vão continuar e os resultados obtidos até o momento são iniciais.

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