Destaques

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Campanha brasileira de vacinação contra o HPV é destaque em Simpósio

Desde quarta-feira (21), especialistas em imunizações, autoridades da Saúde Pública, epidemiologistas de todo o mundo, entre outros, estão reunidos em Brasília para conhecer e debater o desenvolvimento, aplicação e evolução das  vacinas no X Symposium for Latin American Experts. Um dos destaques do encontro foi  a experiência do Brasil  na vacinação contra o HPV  para as meninas de 9 a 13 anos,   tanto nas unidades básicas de saúde como nas escolas públicas e privadas do país.

“As coberturas vacinais alcançadas pelo Brasil na primeira dose da implantação da vacina foi um sucesso, atingindo 100% da população alvo em apenas quatro meses, a partir da utilização dessa estratégia,  podendo ser uma das principais lições aprendidas para os demais países que estão participando do evento”. A imunização é uma prioridade do governo brasileiro.  Não é à toa que o Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde tem  o reconhecimento internacional pelo trabalho desenvolvido por todo o país. “É a ser um exemplo a ser seguido por outros países”,  ressalta a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Carla Domingues.

A vacinação contra o HPV foi incorporada ao Sistema Único de Saúde em todo o Brasil no ano de 2014, mas em 2013 o Distrito Federal e o Amazonas já tinham  começado a imunizar as meninas desses estados.  A estratégia de vacinação brasileira tem  o objetivo de reduzir casos e mortes ocasionados pelo câncer do colo do útero, terceiro tipo mais frequente na população feminina e quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil,  principal motivo para que hoje a vacinação na rede pública de saúde seja restrita ao sexo feminino. Os vírus HPV 16 e 18 são responsáveis por 70% dos casos do câncer de colo do útero.

Atualmente,  a vacina é licenciada em mais de 130 países e utilizada como estratégia de saúde pública em mais de 60 países, por meio de programas nacionais de imunização. Estimativas indicam que, até 2013, foram distribuídas cerca de 200 milhões de doses da vacina em todo o mundo. A segurança da imunização  é reforçada pelo Conselho Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas da Organização Mundial de Saúde (OMS). Além disso, as sociedades brasileiras e Imunizações (SBIm), de Infectologia (SBI), de Pediatria (SBP) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) divulgaram uma carta aberta à população reforçando a importância da vacinação e orientando os pais a não deixar de levar as filhas de 9 a 13 anos a um posto de vacinação para tomar a primeira ou segunda dose contra HPV. Esse é o público alvo da Campanha de Vacinação contra o HPV hoje. Essa faixa etária foi definida porque a produção de anticorpos é duas vezes maior nesta população, quando comparada a população de 15 a 26 anos, portanto, é a população que será mais beneficiada com a vacinação, podendo até ser a primeira geração livre do câncer do colo do útero.  

A vacinação mesmo direcionada ao público feminino também atinge o universo masculino, na ação conhecida como “imunidade de rebanho”. Isto ocorre quando um grande número de pessoas está imunizado e acaba funcionando como uma barreira para aqueles que não foram vacinados. Estudos publicados na revista The Lancet comprovam que os meninos menores de 20 anos passam a ser protegidos indiretamente com a vacinação no grupo feminino, havendo uma determinante redução na transmissão de verrugas genitais entre homens após a implantação da vacina contra o HPV.

Por entender os desafios que envolvem a vacinação dos adolescentes é que, para que os resultados fossem alcançados, o Ministério da Saúde convocou os gestores locais de saúde que articulassem junto às secretarias de educação dias de vacinação nas escolas, de forma a ter um impacto maior nos índices de cobertura.

No evento, Carla Domingues destacou que a parceria com as escolas públicas e privadas no país é um dos principais fatores que contribuíram para que a estratégia de vacinação fosse efetiva. “ A literatura já mostrava, a exemplo da Escócia e da Austrália, que a vacinação teria uma  elevada cobertura vacinal se a vacinação fosse realizada nas escolas, além de contribuir para a discussão das ações da prevenção do HPV e outras doenças. Para nós, foi uma estratégia para o Ministério da Saúde ampliar a comunicação com esse público que geralmente não vai as unidades de saúde”, explica a coordenadora.

Quem também esteve presente no evento e elogiou a iniciativa do MS  foi a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabella Ballalai. Ela relembrou que, em 2015, as Sociedades científicas como a Sbim, a Febrasgo e a SBP somaram esforços com o PNI visando atingir a população adolescente, fazendo um importante trabalho de comunicação com o uso da internet e de influenciadores digitais. O médico é apontado na literatura como o principal influenciador para que o paciente se vacine, mas nós estamos falando de um grupo que não vai ao médico rotineiramente, então como que o médico vai poder fazer a prescrição? Então cada vez mais o uso da internet é uma via rápida que vais chegar no adolescente “, relembrou.

No SUS, essa vacina está disponível durante todo o ano nas mais de 36 mil salas de vacinação espalhadas por todo o Brasil para meninas nessa faixa etária, com o esquema vacinal de duas doses, sendo a segunda dose seis meses após a primeira. Também podem tomar essa vacina no SUS meninas e mulheres vivendo com HIV/Aids de 9 a 26 anos, com o esquema vacinal de três doses, sendo a segunda e a terceira doses, administradas respectivamente, dois e seis meses após a primeira.“ Realizar a vacinação contra HPV nas escolas não é uma tarefa fácil, há necessidade de um ampla articulação do setor saúde com o da educação, envolvendo as esferas nacionais, estaduais e municipais,  incluindo a realização de capacitações dos profissionais de saúde  e da educação para que a ação fosse realizada de forma bem sucedida”, afirma Carla Domingues.

O HPV é o responsável por 99% dos casos de câncer do colo do útero. Todo ano no Brasil, mais de 16 mil ocorrências são notificadas, sendo esse o terceiro câncer que mais atinge as mulheres. Por isso, a relevância de se prevenir por meio da vacina, que protege contra os tipos mais cancerígenos do vírus. Para ser imunizada de fato é importante que a jovem receba as duas doses, com um intervalo mínimo de seis meses.
Saiba mais sobre a CampanhaContra o HPV.

Gabi Kopko, para o Blog da Saúde


0 comentários:

Postar um comentário

Calendário Agenda