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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Ministério da Saúde apoia organizações que atuam no combate a Aids


No fim do mês de agosto, o Ministério da Saúde (MS) liberou mais de 5 milhões de reais para 26 projetos de 25 organizações da sociedade civil ligadas à prevenção e assistência a pessoas vivendo e convivendo com HIV/Aids. O objetivo é fortalecer ações conjuntas e ampliar medidas que contribuam para a vigilância, prevenção e o controle das infecções sexualmente transmissíveis (IST). Mas em que esse dinheiro impacta no trabalho de prevenção ao HIV no país?

As ONGs beneficiadas pelo financiamento atuam em diferentes setores, mas todos voltados para não só melhorar a qualidade de vida de quem vive com HIV/Aids, como também acabar com o preconceito e espalhar informação acerca de prevenção e tratamento de qualidade. O Grupo de Trabalhos em Prevenção Posithivo (GTP+) em Recife (PE), por exemplo, atua com os próprios soropositivos no combate à epidemia, além de estimular o ativismo e militância em prol dos Direitos Humanos e Cidadania.

Sendo a primeira instituição coordenada por pessoas vivendo com HIV no Nordeste do Brasil, o financiamento vai ajudar a ampliar as ações na região. “Este repasse vai proporcionar o fortalecimento das ações de prevenção junto a populações de maior vulnerabilidade, formando multiplicadores entre pares e possibilitando também o fortalecimento do GTP+ na continuidade de suas ações junto a uma população com um estigma e preconceito muito forte”, explica Wladmir Reis, coordenador geral do GTP+.

Indo mais um pouco para o lado esquerdo do mapa, na região norte, a Associação das Prostitutas da Paraíba (APROS/PB) também atua no combate à epidemia de HIV/Aids, mas de uma maneira direcionada a prostitutas e caminhoneiros. O trabalho da instituição é pensado para uma comunicação fácil e acessível. “Realizamos o trabalho através de oficinas educativas, apresentações teatrais, rodas de diálogo, seminários e encontros estaduais, curso de capacitação e formação de multiplicadores. Essas ações são realizadas nos pontos de prostituição, sede da APROS e em outros pontos estratégico onde possa atingir o público”, explica Maria Luzanira, coordenadora da Associação.

Além dos trabalhos realizados atualmente, as instituições possuem uma história longa de ativismo, que começa antes mesmo de se saber mais sobre a doença e as melhores opções de tratamento. A Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA), do Rio de Janeiro, foi a segunda ONG a surgir no país em 1987. Através de nota, a ABIA considera que é importante haver conversa entre todos os setores da sociedade para que haja uma resposta à epidemia. “Vamos dar continuidade às ações que vínhamos desenvolvendo, como grupos focais, oficinas de formação no campo do HIV e AIDS e o diálogo intersetorial no campo do HIV e da AIDS no Brasil. Nosso propósito é manter vivo o debate entre a sociedade civil, governos, universidades, empresas e populações vulneráveis”.

Empoderar a população soropositiva também é importante para acabar com tabus e preconceitos a respeito da doença. Claudio Pereira, coordenador do Grupo de Incentivo à Vida (GIV), de São Paulo, explica que os soropositivos precisavam de protagonismo político. "Não é alguém que faz ou diz o que os portadores do HIV/AIDS precisam ou têm que fazer. São os próprios soropositivos que participam e tomam as decisões de suas vidas." Além disso, o recurso do Ministério da Saúde irá ajudar na publicação de mais dois números da Pesquisa de Vacinas Anti-HIV e Novas Tecnologias de Prevenção, feita de maneira colaborativa.

No mesmo eixo Rio-São Paulo, a ONG Pela Vidda, considera que muito já foi feito em relação ao modo como a Aids se manifesta no cenário nacional, e que houve melhoras na maneira como as pessoas que vivem com HIV/Aids são tratadas, mas ainda há muito o que fazer. “Os recursos recebidos potencializam as ações, principalmente no contexto da prevenção combinada, com o estimulo a adesão e retenção ao tratamento e serviços, bem como em questões de superação de vulnerabilidades da população, especialmente a população LGBT”, diz Eduardo Barbosa, coordenador do Pela Vidda São Paulo.

Com o trabalho das ONGs e o reconhecimento da importância destes trabalhos desenvolvidos em conjunto com o Ministério da Saúde, espera-se que a resposta do Brasil à epidemia continue avançando. O combate à Aids e ao HIV sempre foi uma prioridade e somente para este ano o orçamento é de R$ 1,1 bilhão.

Serviço
Saiba mais sobre as organizações:
Aline Czezacki, para o Blog da Saúde


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