No fim do mês de agosto, o
Ministério da Saúde (MS) liberou mais de 5 milhões de reais para 26 projetos de
25 organizações da sociedade civil ligadas à prevenção e assistência a pessoas
vivendo e convivendo com HIV/Aids. O objetivo é fortalecer ações conjuntas e
ampliar medidas que contribuam para a vigilância, prevenção e o controle das
infecções sexualmente transmissíveis (IST). Mas em que esse dinheiro impacta no
trabalho de prevenção ao HIV no país?
As ONGs beneficiadas pelo
financiamento atuam em diferentes setores, mas todos voltados para não só
melhorar a qualidade de vida de quem vive com HIV/Aids, como também acabar com
o preconceito e espalhar informação acerca de prevenção e tratamento de
qualidade. O Grupo de Trabalhos em Prevenção Posithivo (GTP+) em Recife (PE),
por exemplo, atua com os próprios soropositivos no combate à epidemia, além de
estimular o ativismo e militância em prol dos Direitos Humanos e Cidadania.
Sendo a primeira instituição
coordenada por pessoas vivendo com HIV no Nordeste do Brasil, o financiamento
vai ajudar a ampliar as ações na região. “Este repasse vai proporcionar o
fortalecimento das ações de prevenção junto a populações de maior
vulnerabilidade, formando multiplicadores entre pares e possibilitando também o
fortalecimento do GTP+ na continuidade de suas ações junto a uma população com
um estigma e preconceito muito forte”, explica Wladmir Reis, coordenador geral
do GTP+.
Indo mais um pouco para o lado
esquerdo do mapa, na região norte, a Associação das Prostitutas da Paraíba
(APROS/PB) também atua no combate à epidemia de HIV/Aids, mas de uma maneira
direcionada a prostitutas e caminhoneiros. O trabalho da instituição é pensado
para uma comunicação fácil e acessível. “Realizamos o trabalho através de
oficinas educativas, apresentações teatrais, rodas de diálogo, seminários e
encontros estaduais, curso de capacitação e formação de multiplicadores. Essas
ações são realizadas nos pontos de prostituição, sede da APROS e em outros
pontos estratégico onde possa atingir o público”, explica Maria Luzanira,
coordenadora da Associação.
Além dos trabalhos realizados
atualmente, as instituições possuem uma história longa de ativismo, que começa
antes mesmo de se saber mais sobre a doença e as melhores opções de tratamento.
A Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA), do Rio de Janeiro, foi
a segunda ONG a surgir no país em 1987. Através de nota, a ABIA considera que é
importante haver conversa entre todos os setores da sociedade para que haja uma
resposta à epidemia. “Vamos dar continuidade às ações que vínhamos
desenvolvendo, como grupos focais, oficinas de formação no campo do HIV e AIDS
e o diálogo intersetorial no campo do HIV e da AIDS no Brasil. Nosso propósito
é manter vivo o debate entre a sociedade civil, governos, universidades,
empresas e populações vulneráveis”.
Empoderar a população
soropositiva também é importante para acabar com tabus e preconceitos a
respeito da doença. Claudio Pereira, coordenador do Grupo de Incentivo à Vida
(GIV), de São Paulo, explica que os soropositivos precisavam de protagonismo
político. "Não é alguém que faz ou diz o que os portadores do HIV/AIDS
precisam ou têm que fazer. São os próprios soropositivos que participam e tomam
as decisões de suas vidas." Além disso, o recurso do Ministério da Saúde
irá ajudar na publicação de mais dois números da Pesquisa de Vacinas Anti-HIV e
Novas Tecnologias de Prevenção, feita de maneira colaborativa.
No mesmo eixo Rio-São Paulo, a
ONG Pela Vidda, considera que muito já foi feito em relação ao modo como a Aids
se manifesta no cenário nacional, e que houve melhoras na maneira como as
pessoas que vivem com HIV/Aids são tratadas, mas ainda há muito o que fazer.
“Os recursos recebidos potencializam as ações, principalmente no contexto da
prevenção combinada, com o estimulo a adesão e retenção ao tratamento e
serviços, bem como em questões de superação de vulnerabilidades da população,
especialmente a população LGBT”, diz Eduardo Barbosa, coordenador do Pela Vidda
São Paulo.
Com o trabalho das ONGs e o
reconhecimento da importância destes trabalhos desenvolvidos em conjunto com o
Ministério da Saúde, espera-se que a resposta do Brasil à epidemia continue
avançando. O combate à Aids e ao HIV sempre foi uma prioridade e somente para
este ano o orçamento é de R$ 1,1 bilhão.
Serviço
Saiba mais sobre as
organizações:
- ABIA: http://abiaids.org.br/
- GIV: http://www.giv.org.br/
- GTP+: http://www.gtp.org.br/new/index.php
- APROS: http://aprospb1.blogspot.com.br/
Aline Czezacki, para o Blog da
Saúde


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