Realizado por grupo de
pesquisa que reúne especialistas brasileiros e de organismos internacionais,
como a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), novo estudo com crianças de
Recife reforça a associação causal entre microcefalia e infecção pelo vírus
zika.
Mãe alimenta o filho com microcefalia em Pernambuco. Foto:
UNICEF/BRZ/Ueslei Marcelino
A epidemia de microcefalia
registrada no Brasil em 2015 teria sido causada pela infecção congênita, da mãe
para o bebê, por zika. A conclusão é de um novo estudo preliminar do Microcephaly
Epidemic Research Group (MERG), que recomenda que o planeta deve se
preparar para uma epidemia global da malformação fetal e de outras
manifestações da síndrome congênita do vírus.
Atualmente, 70 países e
territórios já notificaram a transmissão do zika por mosquitos.
Publicado na quinta-feira (15)
na revista científica The Lancet Infectious Diseases, a pesquisa
comparou 32 casos de bebês com microcefalia com um grupo-controle de 62
crianças sem microcefalia que nasceram no dia posterior ao nascimento das que
têm a síndrome.
O levantamento foi feito em
oito hospitais públicos de Recife, entre janeiro e maio deste ano. “Esta
análise preliminar mostra uma forte associação entre microcefalia e confirmação
laboratorial de infecção pelo vírus zika”, escrevem os autores do estudo.
Segundo eles, o trabalho “é o
primeiro a estimar a soroprevalência da infecção pelo vírus zika em gestantes
em uma área epidêmica no Brasil”.
Os pesquisadores calcularam
que a soropositividade para a variação PRNT50 do zika entre as mães das
crianças sem microcefalia chega a 64%. O índice é considerado alto e indicativo
da elevada frequência de infecções pelo vírus na população de gestantes da
capital pernambucana.
Os autores destacam, no
entanto, que as análises preliminares podem superestimar a força da associação
entre zika e microcefalia, de modo que as considerações do estudo devem ser
vistas com cautela.
Uma versão final da pesquisa,
com uma amostra maior de 200 casos de crianças com microcefalia e 400
controles, vai ajudar a quantificar o risco de forma mais precisa e a
esclarecer qual a probabilidade de crianças nascerem com a malformação
congênita se as mães forem infectadas pelo zika durante a gravidez.
O recrutamento dos
recém-nascidos é feito no momento do nascimento em maternidades. As mães são
entrevistadas e é colhido sangue do cordão umbilical dos bebês. O objetivo é
mapear a associação entre microcefalia e diferentes fatores de risco.
A pesquisa busca identificar,
por exemplo, se houve infecção pelo vírus zika, se as gestantes foram expostas
a alguma droga, produto ou ambiente contaminado, se as mães que tiveram dengue
anteriormente e foram infectadas pelo zika apresentam maior probabilidade de
ter crianças com microcefalia, entre outros aspectos.
O MERG é um grupo formado por
especialistas da Fundação Oswaldo Cruz de Pernambuco – Centro de Pesquisa Aggeu
Magalhães, do Ministério da Saúde do Brasil, do Instituto de Medicina Integral
Professor Fernando Figueira (IMIP), da Universidade Federal de Pernambuco, da
Secretaria estadual de Saúde, da FIOCRUZ de Brasília, da London School
of Hygiene & Tropical Medicine e da Organização Pan-Americana da
Saúde (OPAS).
Acesse aqui o estudo na íntegra.


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