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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Projeto Palmas Livre da Hanseníase faz treinamento em serviço para profissionais do Programa Mais Médicos

Fundado em 1989, logo após a Assembleia Constituinte, o município de Palmas, no Tocantins, apresentava a terceira maior cobertura do país da Estratégia de Saúde da Família em 2004. Com o Programa Mais Médicos, a cidade saiu de 64% para 100% de cobertura, segundo o secretário executivo de saúde do município, Whisllay Maciel Bastos. “A cidade tem 275 mil habitantes e conta com uma rede de serviços de saúde com 31 unidades. Com a chegada do Programa, conseguimos alcançar a totalidade da cobertura em saúde, o que aconteceu no mês passado”.

De acordo com o secretário municipal de saúde, Nésio Fernandes de Medeiros Júnior, o marco conceitual e jurídico do programa ofereceu um arcabouço teórico e prático que foi de encontro às ações que estavam sendo construídas no município. “Eu sou médico de formação e trabalhei no Programa Mais Médicos aqui em Palmas antes de assumir este posto. Então eu vi, na ponta, como essa iniciativa é importante e como ela ajudou o município a expandir a cobertura e como poderia ajudar em outras frentes”.

O secretário destaca duas iniciativas principais, ambas interligadas. A primeira foi a criação da Escola de Saúde Pública, que visa a integração entre ensino, serviço e comunidade – e que conta com um plano municipal de educação permanente em Saúde.

“A Escola de Saúde Pública e o Programa Mais Médicos têm uma junção na sua essência. A experiência do programa Mais Médicos aqui no município de Palmas trouxe para a gente uma inspiração. Em como poder ousar e ter um olhar diferenciado para a formação em saúde. Trabalhar com os profissionais de saúde para que eles possam refletir suas práticas e assim mudar a realidade dos seus pacientes é a forma como a educação permanente trabalha”, explica Juliana Ramos, coordenadora da Escola.

A outra iniciativa destacada pelo secretário, em consequência, é o projeto Palmas Livre de Hanseníase, iniciado em maio deste ano e que treina e capacita in loco os profissionais da atenção primária do município para que eles sejam capazes de diagnosticar e tratar os pacientes. Entre eles, todos os profissionais do Programa Mais Médicos.

“A meta é empoderar o profissional de saúde em hanseníase para que ele perca o medo, o preconceito e tenha segurança para diagnosticar na atenção primária, e não encaminhar para um especialista para não afunilar o sistema. E é também empoderar o usuário do SUS que vive em regiões endêmicas, para que ele se informe e procure o atendimento a que tem direito”, conta Jaison Antônio Barreto, médico dermatologista, chefe do Instituto de Epidemiologia do Instituto Lauro de Souza Lima, centro colaborador da OPAS/OMS no Brasil e professor responsável pelo projeto.

De acordo com o Ministério da Saúde brasileiro, foram diagnosticados 28 mil novos casos no Brasil em 2015, e Palmas é considerada uma região endêmica. Mas hanseníase tem cura. “A hanseníase é uma doença de contato continuado. Não é por estar no mesmo local que uma pessoa durante alguns minutos que vai haver contágio. É necessário conviver com a pessoa doente por um período de tempo. Por isso, quando uma pessoa é diagnosticada com hanseníase, é necessário avaliar os outros integrantes da família”, explica o professor.

Jeamile Alvarez Pereira, médica cubana do Programa Mais Médicos, está passando pelos ensinamentos de Barreto. Ela já diagnosticou sete casos de hanseníase: “Nos que eu tenho diagnosticado, os pacientes aceitaram a doença e estão colaborando com o tratamento. Ainda tem preconceito, mas não como era antes. Isso porque eles sabem que tem tratamento, que é uma doença crônica, mas que tem cura”.

No paciente de hanseníase, qualquer infecção complica o tratamento, pois afeta a imunidade. Por isto a abordagem tem que ser integral, em um tratamento completo, multidisciplinar e transdisciplinar.

“O Programa Mais Médicos é de fundamental importância uma vez que é uma forma de o médico chegar próximo da casa desse paciente. O projeto Palmas Livre da Hanseníase é uma iniciativa pelo fim da ignorância, do preconceito e pela eliminação da hanseníase no Brasil. Uma doença negligenciada, escondida, e que por ser renegada acomete muitas pessoas nas regiões mais pobres do país, e também médicos, enfermeiros e profissionais de saúde”, diz o professor.

Hanseníase
A hanseníase é uma doença crônica infecciosa que afeta principalmente a pele, os nervos periféricos, a mucosa do trato respiratório superior e os olhos. Essa enfermidade tem cura e o tratamento prestado em seu estágio inicial evita deficiências.

O controle da hanseníase tem melhorado significantemente devido às campanhas nacionais e subnacionais na maioria dos países endêmicos. A integração dos serviços básicos de hanseníase aos serviços de saúde gerais tem feito o diagnóstico e tratamento da doença mais acessível.

De acordo com números oficiais de 121 países de cinco regiões da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de novos casos registrados em 2014 foi de 213.899. Em 2013, foram notificados 215.656 novos casos e, em 2012, 232.857.

Mais médicos
O Mais Médicos foi criado em 2013 pelo Governo Federal brasileiro, com o objetivo de suprir a carência desses profissionais nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades. A Representação da OPAS/OMS no Brasil colabora com a iniciativa intermediando a vinda de médicos de Cuba para atuar em unidades de saúde do país. Com o Mais Médicos, foi possível preencher 18.240 vagas em 4.058 municípios brasileiros e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas. Dessas, 11.429 foram ocupadas pelos profissionais cubanos.

Conforme informações do Ministério da Saúde brasileiro, após a implementação do programa, 700 municípios localizados em áreas remotas do Brasil passaram a ter pela primeira vez na história médico residente para atendimento na atenção básica. Os médicos cubanos também estão entre os trabalhadores que atuam na prevenção e diagnóstico do vírus zika e no acompanhamento de crianças com microcefalia.

Além disso, uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) – com aproximadamente 14 mil entrevistas – apresentou avaliações positivas da população sobre o desempenho dos profissionais brasileiros e estrangeiros que integram a iniciativa.

Do total de entrevistados, 85% disseram que a qualidade do atendimento médico ficou melhor ou muito melhor após a chegada dos profissionais do programa. Além disso, 87% dos usuários apontaram que a atenção do profissional durante a consulta melhorou e 82% afirmaram que as consultas passaram a resolver melhor os seus problemas de saúde.

Fonte: OPAS/OMS



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