Fundado
em 1989, logo após a Assembleia Constituinte, o município de Palmas, no
Tocantins, apresentava a terceira maior cobertura do país da Estratégia de Saúde
da Família em 2004. Com o Programa Mais Médicos, a cidade saiu de 64% para 100%
de cobertura, segundo o secretário executivo de saúde do município, Whisllay
Maciel Bastos. “A cidade tem 275 mil habitantes e conta com uma rede de
serviços de saúde com 31 unidades. Com a chegada do Programa, conseguimos
alcançar a totalidade da cobertura em saúde, o que aconteceu no mês passado”.
De
acordo com o secretário municipal de saúde, Nésio Fernandes de Medeiros Júnior,
o marco conceitual e jurídico do programa ofereceu um arcabouço teórico e
prático que foi de encontro às ações que estavam sendo construídas no
município. “Eu sou médico de formação e trabalhei no Programa Mais Médicos aqui
em Palmas antes de assumir este posto. Então eu vi, na ponta, como essa iniciativa
é importante e como ela ajudou o município a expandir a cobertura e como
poderia ajudar em outras frentes”.
O
secretário destaca duas iniciativas principais, ambas interligadas. A primeira
foi a criação da Escola de Saúde Pública, que visa a integração entre ensino,
serviço e comunidade – e que conta com um plano municipal de educação
permanente em Saúde.
“A
Escola de Saúde Pública e o Programa Mais Médicos têm uma junção na sua
essência. A experiência do programa Mais Médicos aqui no município de Palmas
trouxe para a gente uma inspiração. Em como poder ousar e ter um olhar
diferenciado para a formação em saúde. Trabalhar com os profissionais de saúde
para que eles possam refletir suas práticas e assim mudar a realidade dos seus
pacientes é a forma como a educação permanente trabalha”, explica Juliana
Ramos, coordenadora da Escola.
A
outra iniciativa destacada pelo secretário, em consequência, é o projeto Palmas
Livre de Hanseníase, iniciado em maio deste ano e que treina e capacita in loco
os profissionais da atenção primária do município para que eles sejam capazes
de diagnosticar e tratar os pacientes. Entre eles, todos os profissionais do
Programa Mais Médicos.
“A
meta é empoderar o profissional de saúde em hanseníase para que ele perca o
medo, o preconceito e tenha segurança para diagnosticar na atenção primária, e
não encaminhar para um especialista para não afunilar o sistema. E é também
empoderar o usuário do SUS que vive em regiões endêmicas, para que ele se
informe e procure o atendimento a que tem direito”, conta Jaison Antônio
Barreto, médico dermatologista, chefe do Instituto de Epidemiologia do
Instituto Lauro de Souza Lima, centro colaborador da OPAS/OMS no Brasil e
professor responsável pelo projeto.
De
acordo com o Ministério da Saúde brasileiro, foram diagnosticados 28 mil novos
casos no Brasil em 2015, e Palmas é considerada uma região endêmica. Mas
hanseníase tem cura. “A hanseníase é uma doença de contato continuado. Não é
por estar no mesmo local que uma pessoa durante alguns minutos que vai haver
contágio. É necessário conviver com a pessoa doente por um período de tempo.
Por isso, quando uma pessoa é diagnosticada com hanseníase, é necessário
avaliar os outros integrantes da família”, explica o professor.
Jeamile
Alvarez Pereira, médica cubana do Programa Mais Médicos, está passando pelos
ensinamentos de Barreto. Ela já diagnosticou sete casos de hanseníase: “Nos que
eu tenho diagnosticado, os pacientes aceitaram a doença e estão colaborando com
o tratamento. Ainda tem preconceito, mas não como era antes. Isso porque eles
sabem que tem tratamento, que é uma doença crônica, mas que tem cura”.
No
paciente de hanseníase, qualquer infecção complica o tratamento, pois afeta a
imunidade. Por isto a abordagem tem que ser integral, em um tratamento
completo, multidisciplinar e transdisciplinar.
“O
Programa Mais Médicos é de fundamental importância uma vez que é uma forma de o
médico chegar próximo da casa desse paciente. O projeto Palmas Livre da
Hanseníase é uma iniciativa pelo fim da ignorância, do preconceito e pela
eliminação da hanseníase no Brasil. Uma doença negligenciada, escondida, e que
por ser renegada acomete muitas pessoas nas regiões mais pobres do país, e
também médicos, enfermeiros e profissionais de saúde”, diz o professor.
Hanseníase
A
hanseníase é uma doença crônica infecciosa que afeta principalmente a pele, os
nervos periféricos, a mucosa do trato respiratório superior e os olhos. Essa
enfermidade tem cura e o tratamento prestado em seu estágio inicial evita
deficiências.
O
controle da hanseníase tem melhorado significantemente devido às campanhas
nacionais e subnacionais na maioria dos países endêmicos. A integração dos
serviços básicos de hanseníase aos serviços de saúde gerais tem feito o
diagnóstico e tratamento da doença mais acessível.
De
acordo com números oficiais de 121 países de cinco regiões da Organização
Mundial da Saúde (OMS), o número de novos casos registrados em 2014 foi de
213.899. Em 2013, foram notificados 215.656 novos casos e, em 2012, 232.857.
Mais
médicos
O
Mais Médicos foi criado em 2013 pelo Governo Federal brasileiro, com o objetivo
de suprir a carência desses profissionais nos municípios do interior e nas
periferias das grandes cidades. A Representação da OPAS/OMS no Brasil colabora
com a iniciativa intermediando a vinda de médicos de Cuba para atuar em
unidades de saúde do país. Com o Mais Médicos, foi possível preencher 18.240
vagas em 4.058 municípios brasileiros e 34 Distritos Sanitários Especiais
Indígenas. Dessas, 11.429 foram ocupadas pelos profissionais cubanos.
Conforme
informações do Ministério da Saúde brasileiro, após a implementação do
programa, 700 municípios localizados em áreas remotas do Brasil passaram a ter
pela primeira vez na história médico residente para atendimento na atenção
básica. Os médicos cubanos também estão entre os trabalhadores que atuam na
prevenção e diagnóstico do vírus zika e no acompanhamento de crianças com
microcefalia.
Além
disso, uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em
parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe)
– com aproximadamente 14 mil entrevistas – apresentou avaliações positivas da
população sobre o desempenho dos profissionais brasileiros e estrangeiros que
integram a iniciativa.
Do
total de entrevistados, 85% disseram que a qualidade do atendimento médico
ficou melhor ou muito melhor após a chegada dos profissionais do programa. Além
disso, 87% dos usuários apontaram que a atenção do profissional durante a
consulta melhorou e 82% afirmaram que as consultas passaram a resolver melhor
os seus problemas de saúde.
Fonte:
OPAS/OMS


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