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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Projetos que regulamentam o tratamento das informações e o uso delas por parte das empresas estão em debate no Congresso Nacional

Lei sobre dados pessoais deve garantir transparência e proteger direitos, apontam especialistas

Objetivo das propostas é reprimir abusos e resguardar privacidade dos usuários, além de permitir que o cidadão saiba que tipo de dados serão coletados pelas companhias.
Debatedores defenderam criação de marco legal voltado à garantia da proteção dos dados pessoais dos usuários da rede.

Crédito: Ascom/MCTIC

A criação de um marco legal para garantir a proteção dos dados pessoais no Brasil deve promover a transparência das informações e evitar abusos contra os cidadãos. Essa é a conclusão de especialistas que participaram nesta quinta-feira (23) do painel sobre o assunto na ICT Week. Pelo menos 110 países possuem hoje leis sobre proteção de dados, enquanto no Brasil, o tema está em debate no Congresso Nacional.

"As empresas devem avisar o que vai ser coletado, o que vai ser feito com os dados e para qual finalidade. Também deve haver responsabilização de quem causa prejuízos. Além disso, uma agência independente para controlar o uso das informações é melhor do que único órgão do governo para cuidar do assunto", afirma o advogado Luiz Fernando Martins Castro, representante do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações no Comitê Gestor da Internet (CGI).

Na opinião da conselheira da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), Flávia Lefèvre, o usuário deve ter o direito de excluir seus dados de um serviço que não utilize mais. "A coleta dos dados deve ser proporcional à necessidade do serviço contratado e ter o consentimento do consumidor. Também deve haver um prazo para guardar as informações e a possibilidade de eliminar os dados se o cliente desistir do serviço", ressalta.

Para a professora do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), Laura Mendes, a defesa da privacidade garante direitos fundamentais do regime democrático. "Eu não tenho como me comunicar livremente, mesmo pelos métodos antigos como carta ou telefone, se eu não tiver confiança que aqueles dados serão confidenciais. O mesmo acontece com a internet". Para ela, a legislação deve cobrir uma ampla parcela de setores, incluindo o governo.

A ICT Week é um seminário promovido pelo MCTIC em parceria com a União Europeia. Até sexta-feira (23), o evento reúne especialistas, pesquisadores e empresários para discutir temas como segurança cibernética, serviços Over The Top (OTT), Internet das Coisas e tecnologia 5G.

Fonte: MCTIC


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