A
estimulação precoce é um termo que abrange uma variedade de estímulos para
auxiliar o desenvolvimento motor e cognitivo de lactentes e crianças. Pode ser
definida como um programa de acompanhamento e tratamento multiprofissional para
recém-nascidos de risco ou com alguma deficiência. A maior parte dos programas
de estimulação precoce objetiva o atendimento de crianças de zero a três anos
de idade, envolvendo tipicamente terapias tradicionais como fisioterapia,
terapia ocupacional e fonoaudiologia.
Para
a coordenadora técnica da Fisioterapia Motora do Instituto Nacional de Saúde da
Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Carla
Trevisan, a criança com disfunção neurológica apresenta restrições de impacto
inicialmente desconhecidas, tanto musculoesqueléticas quanto neurais, para
aquisição das habilidades motoras. “Desta forma, o início precoce de um plano
de tratamento é fundamental, visto que as interações com o meio ambiente e as
interações entre os segmentos corporais afetam o desenvolvimento. A estimulação
precoce tem o objetivo de estimular e facilitar posturas e movimentos que
favoreçam a aquisição sensório-motora, potencializando o desenvolvimento
neuropsicomotor”, explicou ela.
É
importante frisar que os programas de estimulação precoce podem ser benéficos
para qualquer recém-nascido de risco que apresente condições ou agravos de
saúde que interfiram no seu desenvolvimento neuropsicomotor, como a
prematuridade, a paralisia cerebral, doenças congênitas, entre outras. “Para
lactentes e crianças com microcefalia, a estimulação precoce deve ser iniciada
logo após a constatação da mesma, buscando otimizar o desenvolvimento e
prevenir ou minimizar sequelas e deformidades”, disse Carla Trevisan.
No
início de 2016, o Governo Federal divulgou uma cartilha com orientações de
atendimento especial a crianças de zero a três anos com microcefalia causada
pelo vírus Zika. O documento tem orientações sobre desenvolvimento
neuropsicomotor da criança, como a avaliação do desenvolvimento auditivo,
visual, motor, cognitivo e da linguagem, a estimulação precoce e enfatiza a
importância da participação da família na estimulação precoce. “A família tem
papel primordial neste processo, uma vez que a estimulação deve ser continuada
em casa. Desta forma, em nosso serviço sempre propomos que os pais ou
responsáveis devam assistir as sessões de atendimento para receberem
orientações sobre posturas e estímulos que devem ser realizados em casa. É
importante lembrar que as orientações devem ser individualizadas e fornecidas
pelo profissional especializado que está atendendo esta criança, a partir das
necessidades da mesma”, esclareceu a fisioterapeuta.
De
acordo com a publicação, diversas técnicas fisioterapêuticas podem ser usadas
para a estimulação precoce, sendo o tratamento neuroevolutivo o mais utilizado
no meio terapêutico. “O objetivo é direcionar a facilitação das atividades
motoras apropriada para cada criança, baseado na idade cronológica, através de
manuseios e facilitações de postura e movimento. Esta abordagem tem por
objetivo final a potencialização das atividades funcionais da criança, de
maneira que, apesar de algum eventual dano ao sistema nervoso, a criança possa
desenvolver suas habilidades e competências funcionais no máximo de suas
possibilidades”, finalizou Carla Trevisan.
Para
ter acesso a Cartilha Diretrizes de Estimulação Precoce – Crianças de zero a 3
anos com Atraso no Desenvolvimento Neuropsicomotor Decorrente de Microcefalia clique aqui.
Fonte: Fiocruz

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