Destaques

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

"BAY AMERICAN" PODERIA INSPIRAR O GOVERNO BRASILEIRO PARA CONSOLIDAR O "MADE IN BRASIL" PARA OS INSUMOS ESTRATÉGICOS E MEDICAMENTOS

BUY AMERICAN” PODERIA INSPIRAR O GOVERNO BRASILEIRO PARA CONSOLIDAR O “MADE IN BRASIL” PARA OS INSUMOS ESTRATÉGICOS E MEDICAMENTOS, MITIGANDO RISCOS DE DESABASTECIMENTO

“BUY AMERICAN” é a nova iniciativa do presidente Trump que gostaríamos ver copiada e implementada no BRASIL, como efetiva Política de Estado, para aumentar a produção local de dispositivos eletromédicos, insumos e medicamentos essenciais e estratégicos, mitigando riscos de desabastecimento.

Embora a medida americana, também, ambicione controlar preços (o que já ocorre com os medicamentos no Brasil), tem alcance mais amplo e nobre, se propõem assegurar o acesso da população a insumos estratégicos e medicamentos essenciais produzidos nos Estados Unidos, como os hemoderivados, anestésicos, antibióticos, insulinas, além de vacinas e tantos outros produtos que o mundo agora se descobriu, em tempos da pandemia provocada pelo COVID – 19, dependente da produção em apenas um ou dois países.

A “ordem executiva” assinada por Trump tem o objetivo de aumentar a produção, em solo americano de equipamentos e produtos destinados a atenção especializada, com ampla verticalização e adensamento de toda cadeia produtiva local, para proteger o País de potenciais riscos de interrupção e desabastecimento.

O Governo americano apoia institucional e estrategicamente os projetos, empresas e processos sustentáveis, de interesse das empresas instaladas no País. A iniciativa induz maior aproximação, e direciona as ações da Food and Drug Administration (FDA) e a Environmental Protection Agency dos EUA, para a priorização dos processos, revisões e atualizações dos produtos prioritários para a saúde pública, passíveis de produção local dos insumos estratégicos, ingredientes farmacêuticos ativos, medicamentos e equipamentos eletromédicos..

O “buy american” igualmente determina que as aquisições federais de produtos médicos e equipamentos, constantes de uma lista de “prioridades”, sejam realizadas diretamente das empresas locais. Para viabilizar está iniciativa o governo, também, determinou a revisão e eliminação de eventuais obstáculos que possam dificultar o processo de aprovação regulatória para novos produtos, de fabricação local.

A exemplo da proposta da "agenda da soberania industrial nos setores estratégicos europeus" defendida na Europa, mais enfaticamente pela França (que já falava em ter um produtor oficial europeu, antes da pandemia) e pela Alemanha, ao se chocarem com a realidade imposta pela pandemia causada pelo Corona Vírus, os países se deram conta da intransponível dependência, a curto e médio prazo, dos monopólios verticalizados e consolidados na cadeia de produção de equipamentos e medicamentos, escassos e agora indisponíveis no mundo.

Constrangidos a se conscientizar que continentes inteiros são reféns de apenas alguns produtores estrangeiros, que hoje abastecem as demandas por produtos essenciais necessários aos cuidados da saúde da população, e decidiram retomar os investimentos para incentivar as fabricações locais, públicas e privadas.

O plano americano pretende repatriar as cadeias farmacêuticas dentro dos próximos quatro anos, garantindo como contrapartida o poder de compras do Estado e simplificando o acesso das empresas aos organismos de regulação e controle, que agora são impelidos a contribuir,  flexibilizando burocracias, agilizando processos e assegurando prioridade e brevidade nas análises para garantir a retomada da produção dentro dos Estados Unidos.

Empresas verticalizadas, especialmente, as que operam com produções compartilhadas em outros países, questionam a oportunidade e o momento para priorização, entre a demanda de cuidados com COVID – 19 e o preconizado pela publicação da “ordem executiva”, assinada por Tramp, evidenciando o desapontamento com o “buy American”, disse o Stephen Ubl, presidente e CEO da Pharmaceutical Research and Manufacturers of America (PhRMA). O grande temor é que o projeto poderá impor novos obstáculos aos produtos em desenvolvimento para o COVID – 19.

Cientistas e especialistas de todo mundo trabalham diuturnamente em pesquisas e desenvolvimentos de tratamentos e vacinas seguras e eficazes, e buscam garantir capacidades industriais para assegurar a produção, que permitam proporcionar o acesso de toda população dependente de tratamentos e profilaxias com novos produtos a serem aprovados pelo FDA, foram surpreendidos com novas regras, que potencialmente poderão comprometer a obtenção de insumos estratégicos, ainda indisponíveis no mercado interno.

Especialistas são unânimes em advertir que o País poderia obter maiores êxitos, a curto e médio prazo, implementando um conjunto de políticas mais abrangentes, com racionalidade e dentro das capacitações domésticas, sem expor a risco investimentos vultuosos por instabilidade política e jurídica, sem previsibilidade imediata ou há tempo de superar a pandemia imposta pelo COVID – 19.

No Brasil contamos com robusto arcabouço legal e regulatório, a ser normatizado, como o Decreto Nº 9.245, assinado em 20 de dezembro de 2017, que Instituiu a Política Nacional de Inovação Tecnológica na Saúde – PNITS e regulamenta o uso do poder de compra do Estado em contratações e aquisições que envolvam produtos e serviços estratégicos para o Sistema Único de Saúde - SUS no âmbito do Complexo Industrial da Saúde – CIS.

O ministro Ricardo Barros, durante sua gestão à frente da pasta transformou a projeto iniciado no âmbito do Ministério da Saúde, pelo então Ministro José Gomes Temporão, em “Política de Estado”, instituindo a PNITS, que já acumula a experiência de mais de 100 Projetos de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo, em sua grande maioria exitosos, promovendo o adensamento da cadeia produtiva nacional, recebendo e internalizando plataformas tecnológicas e conhecimentos, no âmbito da REDE de Laboratórios Públicos Produtores de Medicamentos e Insumos Estratégicos em “sociedade” com a iniciativa privada, detentora dos produtos inovadores.

O PNITS, uma vez regulamentado, promoverá o aprimoramento e a consolidação do marco regulatório, que dará sustentabilidade às estratégias e ações na área de ciência e tecnologia para a saúde humana, permeando desde a pesquisa, inovação, desenvolvimento, produção, logística de dispensação até os procedimentos de utilização racional e adequada dos produtos, proporcionando avanços tecnológicos e econômicos do SUS, ampliando potencialmente a capacidade produtiva local, que induzirá a ampliação do acesso da população a insumos estratégicos e medicamentos de última geração, produzidos no Brasil.

O PNITS regulamentado e implementado subsidiará as condições estruturais para fomentar a transferência e internalização de plataformas tecnológicas e os conhecimentos especializados, permitindo a absorção de “know how” e competências para ampliar a capacidade produtiva na REDE de “laboratórios oficiais” e nas entidades privadas, inclusive nos centros de pesquisa, desenvolvimento e inovação e de parques e polos tecnológicos em todo País.

O conjunto de ações estratégicas implementados pelo PNITS induzirá a mitigação da dependência externa, a vulnerabilidade produtiva e tecnológica do País em relação aos produtos e serviços estratégicos para o SUS, que podem ser produzidos internamente, de forma sustentável e economicamente viável, utilizando como contrapartida o poder de compra do Estado.

Mesmo com diplomas legais adequados, que permitem o avanço e o desenvolvimento do Complexo Industrial e Econômico da Saúde, agora proposto como “Buy American” pelo Presidente dos Estados Unidos, infelizmente, o Brasil ainda não conseguiu progressos significativos, enfrenta barreiras e falta de determinação política para implementar o PNITS, acarretando, estagnação, insegurança jurídica e falta de previsibilidade, que inibe investimentos locais e internacionais, no segmento, dentro do País.

A pandemia causada pelo “corona vírus” exigirá das autoridades responsáveis pela saúde pública maior atenção e cuidados com vigilância epidemiológica, além da dependência de Países, como o Brasil, que não produzem os insumos estratégicos e medicamentos de média e elevada complexidade, que ficarão expostos a potenciais riscos de desabastecimento por

barreiras sanitárias impostas entre os Países, pelo menos até que a comunidade científica consiga assegurar a imunização, inativação viral e o controle da transmissibilidade, especialmente, dos produtos de origem biológica, onde os medicamentos derivados de plasma humano, como albumina, imunoglobulinas e fatores plasmáticos de coagulação, devem ser um dos primeiros mais afetados.

A Frente Parlamentar da Indústria Pública de Medicamentos, promove sistematicamente um conjunto de ações, advogando a regulamentação do Decreto que instituiu o Política Nacional de Inovação Tecnológica na Saúde – PNITS para retomada das Parcerias Público Privadas para o Desenvolvimento Produtivo sob a égide do Complexo Industrial e Econômico da Saúde, que proporcionará o desenvolvimento tecnológico e a alcançar a autossuficiência e a possível independência em produtos estratégicos e essenciais, ao País e ao SUS, ambicionado proporcionar a ampliação do acesso da população à medicamentos seguros, eficazes de última geração.

0 comentários:

Postar um comentário

Calendário Agenda