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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Desacordo quanto à eficácia do método de citologia em meio líquido marca audiência

Especialistas da área de saúde divergiram nesta terça-feira (14) quanto à eficácia do método de citologia em meio líquido para diagnosticar o câncer uterino, em detrimento do exame Papanicolau (convencional). A citologia em meio líquido é considerada por ginecologistas uma metodologia mais sensível que a tradicional e 100% automotiva – o que significaria uma incidência menor de testes falso-negativos, ou seja, aqueles com diagnósticos errôneos.

Roberval Martins/ Gabinete Conceição Sampaio
Em audiência pública presidida pela deputada Conceição Sampaio (PP-AM), contudo, o técnico da coordenação-geral de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas do Ministério da Saúde, Marcelo Pellizzaro, afirmou que a pasta não considera o exame mais eficiente que o convencional Papanicolau, utilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério se baseia em pesquisas estrangeiras que comprovam a mesma sensibilidade entre os métodos. A afirmativa foi contestada pela médica ginecologista e obstetra da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas, Mônica de Melo.

Mônica reforçou o pensamento dos profissionais de saúde da área de que, além de identificar com mais precisão os casos de câncer uterino, o método de Citologia em meio líquido traz mais clareza na análise das amostras. Para a médica, as realidades diferentes dos países desenvolvidos e o Brasil pode ser um ponto relevante ao pensar no investimento do método mais avançado. “Enquanto pensamos que este método pode salvar mais mulheres, mesmo que em uma menor porcentagem, vale a pena investir”, disse.

É recomendável pelo Ministério da Saúde que o exame seja realizado trienalmente por mulheres entre 25 e 65 anos. Considerando que o período médico traçado entre a existência de uma lesão precursora e o desenvolvimento de um câncer seja de dez anos, Pelizzaro redarguiu que a possibilidade do diagnóstico não ser solucionado neste período é mínima. “Temos que ser realistas e pensar que, investindo em um procedimento mais caro, estamos tirando dinheiro de outro lugar. O Brasil tem recursos escassos para a saúde, ainda mais neste tempo de vacas magras”, justificou o técnico.

Amazonas em alerta

O Amazonas é o estado mais afetado pelo câncer de colo de útero no Brasil, em devidas proporções. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), este é tipo de câncer que mais atinge as mulheres amazonenses. Enquanto a média brasileira, em 2014, foi de 19,20 mulheres com diagnóstico de câncer de útero para 100 mil habitantes, o índice equivale a 35,33 no estado do norte. A proliferação da doença é bastante relacionada às carências na gestão da saúde.

Representante do Amazonas, Conceição Sampaio convidou para a mesa a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Estado do Amazonas, Isis Neves, e o secretário executivo adjunto de Atenção Especializada da Secretaria de Saúde do Estado do Amazonas, Wagner William. O secretário argumentou que é necessário aprofundar a discussão quanto à utilização do método de citologia em meio líquido, pois isso significa em um ônus a mais para o estado

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