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domingo, 30 de outubro de 2016

OPAS completa um ano de assistência ao Brasil na resposta a surto de microcefalia

Em outubro de 2015, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) recebeu notificações do governo brasileiro sobre o aumento expressivo de casos de microcefalia entre recém-nascidos. Um ano depois, 2.001 casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso já foram confirmados como sugestivos de infecção congênita. Organismo regional da ONU se uniu às autoridades para desenvolver políticas de assistência a profissionais de saúde e famílias afetadas.

Em 25 de outubro de 2015, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) começou a participar das investigações conduzidas pelo governo do Brasil para esclarecer a associação entre o surto de microcefalia e a epidemia de zika verificados no país. Três dias antes, o organismo internacional havia sido informado pelas autoridades sobre o aumento expressivo no número de casos da malformação entre recém-nascidos.

Era o início de uma parceria que confirmaria posteriormente o vínculo causal entre a malformação congênita e o vírus. Um ano atrás, a relação entre a patologia e a anomalia era apenas uma suspeita. Hoje, outros 22 países — a maioria deles nas Américas — já reportaram casos de microcefalia e outras malformações potencialmente associadas à infecção pelo zika.

Segundo dados do Ministério da Saúde brasileiro, até 1º de outubro de 2016, haviam sido confirmados 2.001 casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso que foram considerados sugestivos de infecção congênita.

Desse conjunto, 343 tiveram confirmação por critério laboratorial específico para o zika, mas esse dado, de acordo com a pasta federal, não representa todas as ocorrências associadas ao vírus. O Ministério considera que a maioria das mães que tiveram filhos diagnosticados com microcefalia foi infectada.

Pouco mais de 3 mil ocorrências envolvendo alterações do sistema nervoso permanecem sob investigação. Desde o início das investigações, em outubro de 2015, 9.711 casos foram notificados à pasta. Destes, 4.687 foram descartados por apresentarem exames normais ou por terem sido confirmados como quadros de microcefalia ou outras malformações provocadas por causas não infecciosas.

Resposta da OPAS
A OPAS e a Organização Mundial da Saúde lideram um processo de recolhimento e avaliação de provas para definir claramente o alcance e diferentes manifestações das consequências que a infecção pelo zika durante a gravidez pode ter sobre os fetos.
Entre os desdobramentos identificados pelas agências da ONU, estão a desproporção craniofacial — indicação clínica de defeitos estruturais da cabeça devido ao desenvolvimento anormal do feto —, a espasticidade — rigidez dos músculos que afetam o movimento —, convulsões, irritabilidade, dificuldades de alimentação e problemas de visão e audição.

As complicações variam em gravidade e o escopo da síndrome, provavelmente, será ainda maior quando a comunidade internacional obtiver mais informações e passar mais tempo acompanhando as crianças afetadas.

Outra contribuição da OPAS e da OMS tem sido a desmistificação de rumores que começaram a circular na internet e confundir parte da população. Entre os boatos difundidos, estavam os de que a microcefalia poderia estar sendo causada por vacinas aplicadas em gestantes ou pelo inseticida pyriproxyfen, utilizado para reduzir a população de mosquitos.

Nenhuma das duas hipóteses é verdadeira. Sólidas evidências científicas confirmam a relação de causalidade entre a infecção pelo vírus zika e a microcefalia.

A OPAS também ajudou o Brasil a elaborar o “Protocolo de Vigilância e Resposta à Ocorrência de Microcefalia e/ou Alterações do Sistema Nervoso Central”, documento adotado por diversas instituições nacionais de saúde.

Apoio psicossocial
O organismo regional das Nações Unidas foi responsável ainda pela publicação “Apoio Psicossocial para mulheres grávidas e famílias com microcefalia e outras complicações neurológicas no contexto do zika vírus”.

O volume contém orientações para gestantes com suspeita ou confirmação de infecção pelo vírus zika, bem como para cuidadores e familiares de uma criança com microcefalia e também para grávidas cujos bebês apresentem indícios da malformação congênita.
O guia também cita exercícios para reduzir o estresse causado pela notícia de que o filho pode ter distúrbios neurológicos e malformações neonatais, como dedicar 30 minutos ao dia para os chamados “períodos de preocupação”. O objetivo é evitar que a pessoa fique 24 horas aflita.

Caso as ações de apoio psicossocial básico não sejam suficientes, a OPAS recomenda que o profissional de saúde encaminhe a mãe ou familiar/parceiro/amigo a um serviço de atenção especializado.

A publicação apresenta ainda dicas para promover o desenvolvimento da criança, de recém-nascido a mais de dois anos. Atividades incluem olhar o bebê nos olhos e conversar com ele, esconder o brinquedo favorito da criança debaixo de uma caixa para ver se ela consegue encontrá-lo, ensinar a se comunicar com as mãos e ajudar a criança a contar, nomear e comparar objetos.

Outra orientação para médicos, enfermeiros e prestadores de cuidado é explicar que muitos bebês com microcefalia não apresentam transtornos do desenvolvimento ou outras complicações neurológicas graves.

Saiba mais sobre microcefalia clicando aqui.


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