A
farmacêutica MSD (Merck, nos EUA) está avaliando com o Butantan a possibilidade
de aproveitar as potencias sinergias adquiridas no desenvolvimento da vacina
contra a dengue TV003, a partir da licença concedida à ambos pelo NIH
(Institutos Nacionais de Saúde, dos EUA).
A
dengue é uma arbovirose transmitida principalmente por mosquitos Aedes aegypti
e afeta 50 milhões de pessoas anualmente, provocando 22 mil mortes. A previsão
é que os testes clínicos da vacina contra a dengue do Butantan sejam concluídas
ainda em 2018. Por ser de dose única será mais facilmente aquiescida pela
população. A alternativa disponível no mercado local hoje, da Sanofi, requer
três aplicações, uma a cada seis meses, para o máximo de proteção, o que
dificulta a adesão reduzindo a potencial efetividade.
Disposta
a realizar agressivo aporte de capital, que pode superar a casa dos 300 Milhões
de Dólares, a MSD pretende viabilizar os investimentos necessários para adequar
os protocolos clínicos às “normativas” internacionais, possibilitando que a
vacina produzida no Brasil seja aprovada e autorizada pelas Agências Internacionais,
como o FDA no Estados Unidos, na agencia europeia, dentre outras, tornando a
vacina, produzida no Brasil, um produto global.
As
duas Instituições partiram da mesma patente licenciada pelo NIH, e,
estrategicamente avançaram em direções diferentes, no Brasil o Butantan saiu na
dianteira, antecipando os testes clínicos da fase III, o que permitirá
disponibilizar a vacina ao mercado com maior brevidade. Embora, para atingir o
mercado externo com o produto produzido no Brasil, precisará adequar a planta
industrial, os sistemas de controle e garantia da qualidade e enquadrar os
estudos clínicos às normativas internacionais, o que requer grandes
investimentos.
A
relação ganha-ganha entre as Instituições, beneficia principalmente a população
que receberá vacina mais segura e eficaz com a maior brevidade. O Butantan, com
a certificação e qualificação da vacina às normativas internacionais, terão a
possibilidade de exportá-la para todo mundo, acrescentando milhares de dólares
ao seu faturamento, ganhos financeiros durante muitos anos, com os royalties
recebidos sobre as vendas internacionais realizadas pela MSD, além da projeção
Institucional em um dos mais “privilegiados e restritos clubes do mundo”. Para
a MSD abreviar o lançamento da vacina, em pelo menos um ano, permite sua
chegada no mercado internacional na frente de outros players, gigantes globais
do segmento.
O
acordo poderá colocar o Brasil na lista dos produtores globais de vacinas,
fabricadas com tecnologia de fronteira e concorrente de grandes players
farmacêuticos mundiais, como: Takeda e GSK, além da Sanofi que já comercializa
localmente sua vacina, o que justifica a parceria e os investimentos avaliados
pela MSD, para que as vacinas cheguem ao mercado local e internacional com
brevidade.
A
parceria entre a MSD e o Butantan é antiga, consolidada com a transferência da
tecnologia, em andamento, das vacinas contra o HPV e contra as Hepatites,
relação que se tornou pública com a assinatura dos contratos na gestão do Prof.
Jorge Kalil, que caminha para uma agenda nacional, mesmo com a recente troca do
comando no laboratório público de São Paulo. Outros detalhes não podem ser
divulgados por força dos acordos de confidencialidade, assinados pelas partes
envolvidas.
As
Instituições esclarecem que:
“o termo
está sendo avaliado e estudado por esta gestão [de Dimas Tadeu Covas] e pela
Secretaria de Estado da Saúde“, segundo o Instituto Butantan
A
MSD afirma em nota que “as duas organizações iniciaram de forma exploratória
conversas sobre a possibilidade de trabalho de desenvolvimento e pesquisas em
conjunto”. “Até o momento não existe nenhuma decisão sobre a parceria”. A
empresa fabrica vacinas, como: contra sarampo, caxumba e rubéola (tríplice
viral), HPV, hepatites A e B, entre outras, além de outros importantes
medicamentos.

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