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sexta-feira, 14 de abril de 2017

MSD E BUTANTAN avaliam potencial para o negócio em parceria global para produção da vacina contra dengue

A farmacêutica MSD (Merck, nos EUA) está avaliando com o Butantan a possibilidade de aproveitar as potencias sinergias adquiridas no desenvolvimento da vacina contra a dengue TV003, a partir da licença concedida à ambos pelo NIH (Institutos Nacionais de Saúde, dos EUA).

A dengue é uma arbovirose transmitida principalmente por mosquitos Aedes aegypti e afeta 50 milhões de pessoas anualmente, provocando 22 mil mortes. A previsão é que os testes clínicos da vacina contra a dengue do Butantan sejam concluídas ainda em 2018. Por ser de dose única será mais facilmente aquiescida pela população. A alternativa disponível no mercado local hoje, da Sanofi, requer três aplicações, uma a cada seis meses, para o máximo de proteção, o que dificulta a adesão reduzindo a potencial efetividade.

Disposta a realizar agressivo aporte de capital, que pode superar a casa dos 300 Milhões de Dólares, a MSD pretende viabilizar os investimentos necessários para adequar os protocolos clínicos às “normativas” internacionais, possibilitando que a vacina produzida no Brasil seja aprovada e autorizada pelas Agências Internacionais, como o FDA no Estados Unidos, na agencia europeia, dentre outras, tornando a vacina, produzida no Brasil, um produto global.

As duas Instituições partiram da mesma patente licenciada pelo NIH, e, estrategicamente avançaram em direções diferentes, no Brasil o Butantan saiu na dianteira, antecipando os testes clínicos da fase III, o que permitirá disponibilizar a vacina ao mercado com maior brevidade. Embora, para atingir o mercado externo com o produto produzido no Brasil, precisará adequar a planta industrial, os sistemas de controle e garantia da qualidade e enquadrar os estudos clínicos às normativas internacionais, o que requer grandes investimentos.

A relação ganha-ganha entre as Instituições, beneficia principalmente a população que receberá vacina mais segura e eficaz com a maior brevidade. O Butantan, com a certificação e qualificação da vacina às normativas internacionais, terão a possibilidade de exportá-la para todo mundo, acrescentando milhares de dólares ao seu faturamento, ganhos financeiros durante muitos anos, com os royalties recebidos sobre as vendas internacionais realizadas pela MSD, além da projeção Institucional em um dos mais “privilegiados e restritos clubes do mundo”. Para a MSD abreviar o lançamento da vacina, em pelo menos um ano, permite sua chegada no mercado internacional na frente de outros players, gigantes globais do segmento.

O acordo poderá colocar o Brasil na lista dos produtores globais de vacinas, fabricadas com tecnologia de fronteira e concorrente de grandes players farmacêuticos mundiais, como: Takeda e GSK, além da Sanofi que já comercializa localmente sua vacina, o que justifica a parceria e os investimentos avaliados pela MSD, para que as vacinas cheguem ao mercado local e internacional com brevidade.

A parceria entre a MSD e o Butantan é antiga, consolidada com a transferência da tecnologia, em andamento, das vacinas contra o HPV e contra as Hepatites, relação que se tornou pública com a assinatura dos contratos na gestão do Prof. Jorge Kalil, que caminha para uma agenda nacional, mesmo com a recente troca do comando no laboratório público de São Paulo. Outros detalhes não podem ser divulgados por força dos acordos de confidencialidade, assinados pelas partes envolvidas.

As Instituições esclarecem que:

“o termo está sendo avaliado e estudado por esta gestão [de Dimas Tadeu Covas] e pela Secretaria de Estado da Saúde“, segundo o Instituto Butantan

A MSD afirma em nota que “as duas organizações iniciaram de forma exploratória conversas sobre a possibilidade de trabalho de desenvolvimento e pesquisas em conjunto”. “Até o momento não existe nenhuma decisão sobre a parceria”. A empresa fabrica vacinas, como: contra sarampo, caxumba e rubéola (trí­plice viral), HPV, hepatites A e B, entre outras, além de outros importantes medicamentos.



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