Chefe
da Casa Civil disse que Ricardo Barros assumiu ministério após PP decidir
apoiar o governo; nesta segunda, Comissão de Ética também determinou quarentena
à ex-presidente do BNDES.
Eliseu
Padilha admite que governo troca indicações para cargos por apoio no Congresso
A
Comissão de Ética Pública da Presidência informou ter emitido nesta
segunda-feira (19) uma advertência ao ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha,
para que ele "redobre os cuidados em manifestações de cunho político"
sobre a distribuição de cargos no governo.
Em
fevereiro deste ano, Padilha afirmou em um evento que Ricardo Barros foi
nomeado ministro da Saúde após o PP, partido ao qual ele é filiado, se comprometer a apoiar o
governo do presidente Michel Temer no Congresso Nacional (relembre
no vídeo acima).
"Entendemos
que não há infração ética [na fala de Padilha], mas emitimos uma advertência
para o ministro redobrar os cuidados ao fazer manifestações de cunho
político", informou o presidente da Comissão de Ética, Mauro Menezes.
Ao
discursar em um evento da Caixa Econômica Federal, em Brasília, Eliseu Padilha
disse: "Lembram que, quando começou a montagem do governo, diziam: 'Não,
mas queremos nomear só ministros que são distinguidos na sua profissão em todo
Brasil, reconhecido, os chamados notáveis. Aí nós ensaiamos...".
Na
sequência do discurso, o chefe da Casa Civil acrescentou: "Aí, nós
ensaiamos uma conversa de convidar um médico famoso em São Paulo, até se
propagou. Ele ia ser ministro da Saúde. Aí, nós fomos conversar com o PP: 'O
Ministério da Saúde é de vocês, mas gostaríamos de ter um ministro da [área da]
saúde'. 'Tá, o senhor nos dê um tempo para pensar e tal'. Depois, eles mandaram
o recado por mim: 'Diz para o presidente que o nosso notável é o deputado
Ricardo Barros'."
Eliseu
Padilha, então, acrescenta que se dirigiu ao presidente Michel Temer e disse a
ele que o governo não tinha alternativa porque o objetivo era conseguir o apoio
de 88% dos parlamentares.
Para
o PT, autor da representação contra Padilha na Comissão de Ética Pública, houve
transgressão ética por parte do ministro ao declarar que a distribuição de
cargos públicos está vinculada a um eventual apoio de partidos no Congresso.
Com
a aprovação da advertência a Padilha, a representação foi arquivada.
À
época da declaração, Padilha já havia divulgado nota na qual disse que em todas
as democracias do mundo é "normal" o governo formar a base de
sustentação no Congresso distribuindo cargos aos partidos aliados.
Maria
Silvia Bastos Marques, ex-presidente do BNDES
Ex-presidente
do BNDES
Também
na sessão desta segunda-feira, a Comissão de Ética Pública da Presidência
determinou a chamada "quarentena" à ex-presidente do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Maria Silvia Bastos.
Maria
Silvia pediu demissão do
cargo em 25 de maio e, com a decisão da comissão, não poderá
assumir funções na iniciativa privada pelos próximos seis meses.
Isso
porque os integrantes da Comissão de Ética entenderam que ela teve acesso a
informações privilegiadas no período em que esteve no cargo.
Nesse
período de seis meses, ela receberá o salário integral que recebia à frente do
BNDES
Por
Gustavo Aguiar, G1, Brasília, Foto - Marcelo Camargo/Agência Brasil



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