Indústria relata que preços de
embalagens plásticas subiram 190% desde 2019
Billy Boss/Câmara dos
Deputados
Os representantes de clínicas
de diálise reclamaram aos deputados da Comissão de Seguridade Social e Família
da Câmara de preços de soro fisiológico três vezes maiores que o máximo
permitido pelo governo. O presidente da Associação dos Centros de Nefrologia de
Santa Catarina, Tarcísio Steffen, disse que o preço saiu de R$ 4 em outubro do
ano passado para R$ 22 em abril deste ano, chegando a mais de R$ 30 em cotações
recentes.
Steffen contou que a falta do
soro, usado principalmente para lavagem dos equipamentos, tem feito com que as
clínicas comecem a diluir cloreto de potássio em água destilada.
“Nós estamos voltando aí em
uma prática de 20 anos atrás num ambiente que não é controlado. Gera
insegurança para o paciente e para nós que trabalhamos no dia-a-dia, que já
temos vários riscos, que tivemos vários problemas na pandemia, e essa situação
acaba agravando”, disse. Tarcísio Steffen lembrou que os pacientes
precisam fazer hemodiálise três vezes por semana para poderem sobreviver.
Já o presidente da Associação
Brasileira da Indústria de Soluções Parenterais, André Ignácio, disse que a
indústria não identificou problemas de abastecimento e que os preços acima do
máximo devem ser denunciados.
Ele afirmou ainda que os
custos de produção aumentaram, principalmente as embalagens plásticas, um
produto derivado de petróleo; mas explicou que o preço máximo permitido hoje
ainda cobre as despesas. Segundo ele, o preço da embalagem, que é o maior custo
da indústria, subiu 190% de 2019 para cá.
Transparência
O secretário-executivo da Câmara de Regulação de Mercado de Medicamentos,
Romilson Volotão, explicou que foi feito um estudo com 862 apresentações de
medicamentos e que foram identificados problemas de custos em apenas 6. Para
estes produtos, os preços foram liberados até o final do ano. A Câmara de
Regulação faz parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Para Yussif Mere Junior,
presidente da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplantes, está
faltando transparência, porque o problema existe e ninguém sabe a causa:
“O que falar de um mercado
como esse? Nós temos regulação de mercado ou não? Nós precisamos de atuação”,
afirmou.
Romilson Volotão se
comprometeu a investigar com rigor as denúncias de sobrepreço que já foram
formalizadas pelas clínicas à Anvisa.
Billy Boss/Câmara dos
Deputados
Carmen Zanotto: faltam
dipirona, antibióticos e contraste para exames
Falta de insumos
A deputada Carmen Zanotto
(Cidadania-SC) disse que também está ocorrendo falta de produtos como
dipirona, antibióticos e contraste para exames:
“Pouco se fala sobre a falta
dos contrastes. E, repito, nós estamos falando de cateterismo cardíaco. Nós
estamos falando de analgésico e de antitérmico, que é a dipirona. Nós estamos
falando - graças a Deus teve reabastecimento pelo Ministério da Saúde – de
imunoglobulina humana. Mas passamos aí momentos de muita apreensão e angústia
com pacientes com tratamentos interrompidos por falta deste insumo”, disse a
deputada.
Imposto zerado
A diretora do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde,
Ediane Bastos, afirmou que o governo também tem enfrentado problemas nas suas
compras de medicamentos e que a situação está sendo monitorada. Ela disse que
alguns produtos tiveram o imposto de importação zerados, entre eles as
embalagens de soro fisiológico.
Reportagem – Sílvia Mugnatto
Edição – Roberto Seabra
A reprodução das notícias é
autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'.


0 comentários:
Postar um comentário