O Ministério da Saúde alerta a
população de todo o país sobre a queda de doação de sangue que tem impactado os
estoques de várias cidades de acordo com relatos dos hemocentros. A pasta
reforça a importância da doação regular, sensibilização de novos voluntários e
dos já existentes doadores. As doações de sangue habitualmente são menores em
todo o país nos períodos de férias escolares e feriados prologados, o que
ocasiona uma redução nos estoques de sangue. Estados que registram casos de
Febre Amarela apresentam maiores quedas, pois quem é vacinado contra a doença
fica inapto para doar sangue durante quatro semanas.
Uma das prioridades do
Ministério da Saúde é manter os estoques de sangue abastecidos. Assim, é
importante lembrar os doadores da importância da doação antes de viajar ou de
se vacinar contra a febre amarela. Os serviços de hemoterapia trabalham com
esta perspectiva, mobilizando a população durante estes períodos críticos para
que não haja baixa nos estoques.
“O sangue é insubstituível.
Ainda não existe nenhum tipo de medicamento que possa substituir a doação de
sangue. E quem precisa, só consegue graças à generosidade de quem doa. O
importante é doar regularmente, pois em períodos de férias e seca, a tendência
é diminuir os estoques. Vale lembrar que uma doação pode beneficiar até quatro
pessoas”, reforçou o coordenador da área de Sangue e Hemoderivados do Ministério
da Saúde, Flávio Vormittag.
No Brasil, são feitas cerca de
3,4 milhões de doações de sangue por ano. Dados de 2016 indicam que 1,6% da
população brasileira – 16 a cada mil habitantes – doa sangue. Embora o
percentual fique dentro dos parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS) –
de pelo menos 1% da população – o Ministério da Saúde tem se esforçado para
aumentar a taxa. Em 2017, o Ministério da Saúde investiu R$ 1,2 bilhão na rede
de sangue e hemoderivados (Hemorrede). Os recursos foram destinados a
estruturação da rede nacional para a modernização das unidades, qualificação
dos profissionais e processos de produção da Hemorrede, além do fornecimento de
medicamentos de alto custo a pacientes para atenção aos pacientes portadores de
doenças hematológicas.
Atualmente, o Brasil possui 32
hemocentros coordenadores e 2.033 serviços de hemoterapia, incluindo
hemocentros regionais, núcleos de hemoterapia, unidades de coleta e transfusão,
central de triagem laboratorial de doadores e agências transfusionais. A doação
de sangue é 100% voluntária e beneficia qualquer pessoa independente de
parentesco com o doador.
É importante lembrar que o
sangue é essencial para os atendimentos de urgência, realização de cirurgias de
grande porte e tratamento de pessoas com doenças crônicas, como a Doença
Falciforme e a Talassemia, além de doenças oncológicas variadas que,
frequentemente, necessitam de transfusão sanguínea.
CONDIÇÕES PARA DOAR
No Brasil, pessoas entre 16 e
69 anos podem doar sangue. Para os menores de 18 anos é necessário o
consentimento dos responsáveis e, entre 60 e 69 anos, a pessoa só poderá doar
se já o tiver feito antes dos 60 anos. Além disso, é preciso pesar, no mínimo,
50 quilos e estar em bom estado de saúde. O candidato deve estar descansado, não
ter ingerido bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores à doação e não estar de
jejum. No dia, é imprescindível levar documento de identidade com foto.
A frequência máxima é de
quatro doações anuais para o homem e de três doações anuais para a mulher. O
intervalo mínimo deve ser de dois meses para os homens e de três meses para as
mulheres.
REFERÊNCIA
O Brasil é referência em
doação de sangue na América Latina, Caribe e África. Desde 2009, a experiência
brasileira é utilizada em cooperações técnicas com vários países para o
fortalecimento e desenvolvimento da promoção da doação voluntária de sangue,
qualificação da atenção integral à pessoa com Doença Falciforme e
aperfeiçoamento da produção de hemocomponentes. Honduras, El Salvador e
República Dominicana são exemplos de parceiros em projetos para o
fortalecimento da doação voluntária de sangue.
Por Nicole Beraldo, daAgência Saúde
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