Anticorpos que não mudam com o surgimento de novas variantes do SARS-CoV-2 podem dispensar as doses de reforço da vacina contra covid.
[Imagem: Ruofan Li et al. - 10.1038/s42003-022-03739-5]
Anticorpos persistentes
Pesquisadores demonstraram que
anticorpos isolados do sistema imunológico de pacientes recuperados da covid-19 são
eficazes na neutralização de todas as cepas conhecidas do vírus, incluindo as
variantes delta e ômicron.
Segundo Ruofan Li e seus
colegas, esta descoberta pode eliminar a necessidade de repetidas doses de
reforço da vacina contra a doença e ajudar a fortalecer o sistema
imunológico das populações em risco.
O trabalho é uma continuação
de um estudo preliminar realizado pela mesma equipe em outubro de 2020, no auge
da crise da covid-19. Naquela época, os pesquisadores sequenciaram todas as
células do sistema imunológico no sangue de pessoas que se recuperaram da cepa
original de covid, isolando nove anticorpos que os pacientes produziram para se
curar.
Os pesquisadores agora
descobriram que alguns desses anticorpos são muito eficazes na neutralização
das novas variantes do coronavírus - os testes foram feitos especificamente com
as variantes delta e ômicron.
92% de eficácia
"No estudo anterior,
mostramos que os vários anticorpos que são formados em resposta à infecção com
o vírus original são direcionados contra diferentes locais do vírus. Os
anticorpos mais eficazes foram aqueles que se ligaram à proteína de pico do
vírus, no mesmo lugar onde o pico se liga ao receptor celular ACE2. Claro que
não fomos os únicos a isolar esses anticorpos, e o sistema de saúde global fez
uso extensivo deles até a chegada das diferentes variantes do coronavírus, que
acabaram por tornar a maioria desses anticorpos inútil.
"No estudo atual, provamos
que dois outros anticorpos, TAU-1109 e TAU-2310, que se ligam à proteína de
pico viral em uma área diferente da região onde a maioria dos anticorpos
estavam concentrados até agora (e, portanto, foram menos eficazes em
neutralizar a cepa original), são realmente muito eficazes na neutralização das
variantes delta e ômicron.
"De acordo com nossas
descobertas, a eficácia do primeiro anticorpo, TAU-1109, é de 92% na
neutralização da cepa ômicron e de 90% na neutralização da cepa Delta. O
segundo anticorpo, TAU-2310, neutraliza a variante ômicron com um eficácia de
84% e a variante delta com eficácia de 97%," explicou a pesquisadora
Natalia Freund, da Universidade de Tel Aviv.
Anticorpos versus vacina
A eficácia surpreendente
desses anticorpos pode estar relacionada à evolução do vírus: Os anticorpos
TAU-1109 e TAU-2310 não se ligam ao sítio de ligação do receptor ACE2, mas a
outra região da proteína de pico - uma área do pico que, por algum motivo, não
sofre muitas mutações.
Para checar suas descobertas,
a equipe enviou os dois anticorpos para testes por outras equipes, em outras
universidades, para verificar sua eficácia contra vírus vivos e contra
pseudovírus; os resultados foram idênticos e igualmente encorajadores em ambos
os testes.
"Em nossa opinião, o tratamento direcionado com anticorpos e sua entrega ao corpo em altas concentrações pode servir como um substituto eficaz para as repetidas doses de reforço, especialmente para populações em risco e com sistema imunológico enfraquecido. É possível que, usando um tratamento de anticorpos eficaz, não tenhamos que fornecer doses de reforço para toda a população toda vez que houver uma nova variante," defende a equipe.


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