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sábado, 22 de dezembro de 2018

6º BOLETIM DE PRODUÇÃO HEMOTERÁPICA


Dados inéditos da Anvisa revelam que, em 2017, quase 3,8 milhões de pessoas foram avaliadas pelos serviços hemoterápicos como aptas para fazer doação de sangue. O número é referente à quantidade de pessoas submetidas a análises clínicas durante triagem e corresponde a 80% das 4,7 milhões que procuraram a rede de coleta de sangue no ano passado.

O total de indivíduos considerados clinicamente aptos representou uma taxa de 18,1 doadores por mil habitantes, o que correspondeu a 1,8% do total da população estimada no ano passado. De acordo com as informações, a maior parte dos doadores é do sexo masculino (60,1%) e com idade acima dos 29 anos (64,1%).

A análise detalhada dos dados mostrou que três regiões brasileiras têm taxa de doadores acima da média nacional, com destaque para o Sudeste (2,28%), seguido do Centro-Oeste (2,17%) e da região Sul (2,06%). Já o Nordeste (1,27%) e Norte (0,69%) apresentaram percentuais menores.

De acordo com o levantamento, os tipos sanguíneos mais comuns identificados durante a etapa de testes sorológicos são O positivo (43,1%) e A positivo (30,7%). O tipo de sangue AB negativo é o menos encontrado (0,73%).

Os dados são do 6º Boletim de Produção Hemoterápica, produzido pela Gerência Geral de Sangue, Tecidos, Células e Órgãos (GSTCO) da Anvisa e divulgado nesta segunda-feira (17/12). As informações gerais da hemoterapia compiladas em 2017 não incluem dados dos estados do Amazonas e Rondônia, por falta de envio ou incompletude de documentos.
Seleção com segurança
A seleção de indivíduos aptos para a doação de sangue é feita após uma triagem clínica, que começa por uma entrevista com profissionais de saúde dos serviços de coleta. Nesta etapa, são avaliados comportamentos de risco para doenças sexualmente transmissíveis pelo sangue (DSTs) e detectados problemas como alcoolismo e uso de drogas, entre outros.
Se a pessoa for avaliada como apta nessa fase, ela prossegue no processo de doação, seguindo para a realização de exames de detecção de diversas doenças, tais como anemia, hipertensão, doença de Chagas, malária, hepatites, HIV, entre outras.

Em 2017, 20% das pessoas que procuraram serviços para doar sangue estavam clinicamente inaptas a fazer o procedimento. De acordo com os dados do boletim, os maiores percentuais de inaptidão entre os candidatos foram associados à presença de anemia (14,8%), comportamento de risco para DST (13%) e hipertensão (4,5%).

Detecção de doenças transmitidas pelo sangue
Depois de passar pela avaliação de aptidão clínica, amostras de sangue das pessoas selecionadas são submetidas a uma nova bateria de exames laboratoriais. Nesta etapa, que define a aptidão ou inaptidão sorológica do doador, são identificados os tipos sanguíneos e se há presença de doenças infecciosas.

Em 2017, o percentual geral de inaptidão sorológica ficou em 3,1%, índice mais baixo desde 2011. Os dados mostraram que a hepatite B continua sendo o principal fator de inaptidão de doadores, seguida da sífilis. Do total de amostras de sangue analisadas, 1,1% foi positivo para hepatite B e 1% apresentou sífilis.

Novos doadores
Em relação à periodicidade, o doador de primeira vez, indivíduo que nunca doou sangue antes, representou 42,8% do total de doações em 2017. Em segundo lugar ficou o doador de repetição, aquele que realiza duas ou mais doações no período de 12 meses, correspondendo a 42%. Por último, com 15%, está o doador esporádico, que repete esse ato após um intervalo superior a 12 meses depois da última doação.

O boletim aponta que as doações de primeira vez prevaleceram nos serviços privados ou privados conveniados com o Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto que na rede pública o destaque são as doações de repetição.

Motivação do doador
A avaliação da motivação do doador mostra que o percentual de doação de reposição (realizada quando um familiar ou amigo precisa de sangue) ficou um pouco acima das doações espontâneas. De acordo com o boletim, o percentual de doação espontânea continua mais elevado nos serviços públicos, sendo que as taxas de doação de reposição são mais altas nos serviços de natureza exclusivamente privada.

Esses dados chamam atenção e podem indicar a necessidade de melhorias nas políticas de captação para atrair mais doações espontâneas, apontadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como as mais seguras e sustentáveis.

Serviços públicos, privados e mistos
O boletim traz também informações sobre o percentual de pessoas aptas e inaptas para as doações, de acordo com o vínculo da unidade com o SUS, com a rede mista (estabelecimentos privados conveniados com o SUS) ou com a rede privada.

De acordo com as informações da Anvisa, em 2017 o maior percentual de pessoas aptas foi identificado em serviços da rede privada, correspondendo a 83,5% do total de indivíduos que se apresentaram para doar sangue nesses estabelecimentos.

Nas unidades de atendimento privado conveniadas com o SUS, o percentual de doadores aptos ficou em 81,4%. Já nos serviços exclusivamente públicos, a aptidão clínica das pessoas que procuraram as unidades para fazer doações foi de 79,2%.

Segundo os dados de 2017, o Brasil conta com 2.156 serviços de hemoterapia, com alta concentração na região Sudeste (1.085 ou 50,3% do total). A Anvisa ressalta que as informações sobre produção hemoterápica apresentadas no boletim representam uma amostragem dos procedimentos realizados nesses serviços.

A Agência informa, ainda, que os dados por natureza do serviço não incluem a produção do estado de São Paulo e nem da hemorrede privada da região Norte.



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